{"id":2517,"date":"2023-10-25T11:12:40","date_gmt":"2023-10-25T14:12:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2517"},"modified":"2023-10-25T11:26:50","modified_gmt":"2023-10-25T14:26:50","slug":"quem-conserva-a-amazonia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/quem-conserva-a-amazonia\/","title":{"rendered":"Quem preserva a Amaz\u00f4nia?"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\"><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\">Ante os recordes de temperatura registrados em v\u00e1rias capitais e a imagem de nuvens de fuma\u00e7a subindo dos rios amaz\u00f4nicos, em meio a paisagens desertificadas, nenhuma quest\u00e3o \u00e9 mais urgente do que a do meio ambiente. Isso nada tem a ver com esquerda ou direita, \u00e9 um problema de sobreviv\u00eancia. Na Europa at\u00e9 os partidos de extrema direita t\u00eam uma agenda para as mudan\u00e7as clim\u00e1ticas.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Os sinais de transtornos no clima est\u00e3o em todos os lugares. Enquanto os rios da Amaz\u00f4nia agonizam em um cen\u00e1rio de deserto, os temporais castigam o Rio Grande do Sul e Santa Catarina. A situa\u00e7\u00e3o \u00e9 dram\u00e1tica e estaria mais desesperadora se n\u00e3o fossem as comunidades tradicionais que conservam e vivem em harmonia com as nossas matas. S\u00e3o ind\u00edgenas, quilombolas e quebradeiras de coco, entre outros grupos.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Se voc\u00ea se interessa pela preserva\u00e7\u00e3o do Brasil e do planeta n\u00e3o pode perder a s\u00e9rie documental Quem conserva a Amaz\u00f4nia?, dirigida pelo cineasta maranhense Neto Borges, com o apoio do <a href=\"https:\/\/www.correiobraziliense.com.br\/brasil\/2023\/09\/5125666-cerrado-nao-podemos-esperar-ou-errar-mais-diz-mercedes-bustamante.html\" target=\"_self\">Instituto Sociedade, Popula\u00e7\u00e3o e Natureza (ISPN)<\/a>, a ser apresentada, somente, hoje, \u00e0s 19h30, no Cine Bras\u00edlia.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">O templo do cinema brasiliense receber\u00e1 mais de 100 pessoas vindas diretamente das tradicionais do interior da Amaz\u00f4nia Legal, precisamente na transi\u00e7\u00e3o para o Cerrado. Eles est\u00e3o na capital para o 3o ECOS Amaz\u00f4nia, um encontro organizado pelo Instituto Sociedade, Popula\u00e7\u00e3o e Natureza (ISPN), para avaliar os resultados de 56 projetos realizados entre 2019 e 2023.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Nos filmes, revelam suas experi\u00eancias de pr\u00e1ticas sustent\u00e1veis de produ\u00e7\u00e3o que, ao mesmo tempo, geram renda, vida digna para as fam\u00edlias e conservam a floresta. Para eles e para n\u00f3s, pois o que acontece na Amaz\u00f4nia repercute no pa\u00eds e em outros pontos do planeta. A jornalista Eliane Brum subintitulou o livro sobre a Amaz\u00f4nia de &#8220;o centro do mundo&#8221;. N\u00e3o se trata de uma simples met\u00e1fora, \u00e9 uma realidade no novo cen\u00e1rio das muta\u00e7\u00f5es clim\u00e1ticas. Na l\u00f3gica da conserva\u00e7\u00e3o, todos os biomas est\u00e3o conectados.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">A s\u00e9rie de nove curtas a serem exibidos hoje mostra comunidades que manejam os territ\u00f3rios ocupados h\u00e1 gera\u00e7\u00f5es, mantendo de p\u00e9 a vegeta\u00e7\u00e3o nativa, conservando rios e a biodiversidade, por meio da agrotecnologia, pecu\u00e1ria sustent\u00e1ve, pesca artesanal e rede de sementes. Na transi\u00e7\u00e3o da Amaz\u00f4nia para o cerrado, elas cultivam e beneficiam o pequi e o baru.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">N\u00e3o custa lembrar que mais de 3 mil rios da Amaz\u00f4nia nascem no Cerrado. No entanto, j\u00e1 perdemos 52% do nosso bioma, considerado o ber\u00e7o das \u00e1guas. O cacique Iracadju Ka\u2019Apor, no filme Ro\u00e7a Kupixapu\u2019a: ancestralidade e inova\u00e7\u00e3o Ka\u2019Apor, fala sobre como a ro\u00e7a circular faz parte de um modo ancestral de trabalhar a terra e de viver. \u201cA floresta \u00e9 nossa casa. Nossa casa \u00e9 nosso territ\u00f3rio. Por isso, temos esse nome, Kaa\u2019Por: \u201cKaa\u201d \u00e9 floresta, \u201cPor\u201d \u00e9 povo. A gente n\u00e3o est\u00e1 separado da floresta\u201d, diz.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">O cacique Iracadju Ka\u2019Apor, no filme Ro\u00e7a Kupixapu\u2019a: ancestralidade e inova\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Ka\u2019Apor, fala sobre como a ro\u00e7a circular faz parte de um modo ancestral de trabalhar a terra e de viver. \u201cA floresta \u00e9 nossa casa. Nossa casa \u00e9 nosso territ\u00f3rio. Por isso, temos esse nome, Kaa\u2019Por: \u201cKaa\u201d \u00e9 floresta, \u201cPor\u201d \u00e9 povo. A gente n\u00e3o est\u00e1 separado da floresta\u201d, diz.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">No filme Caiap\u00f3 &#8211; Nutrindo o Araguaia, a pescadora artesanal e membro da Associa\u00e7\u00e3o<\/p>\n<p lang=\"zxx\">de Pescadores do Rio Caiap\u00f3, Leonette Mesquita, fala do trabalho de vigil\u00e2ncia das matas<\/p>\n<p lang=\"zxx\">ao longo do rio. \u201cProtegemos a mata contra o pr\u00f3prio homem. A pesca \u00e9 sagrada para n\u00f3s.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Passa de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o. A gente tem isso com a gente, essa liga\u00e7\u00e3o com a terra,<\/p>\n<p lang=\"zxx\">com os nossos rios\u201d, conta. O Brasil precisa aprender a valorizar os que preservam nossas matas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Ante os recordes de temperatura registrados em v\u00e1rias capitais e a imagem de nuvens de fuma\u00e7a subindo dos rios amaz\u00f4nicos, em meio a paisagens desertificadas, nenhuma quest\u00e3o \u00e9 mais urgente do que a do meio ambiente. Isso nada tem a ver com esquerda ou direita, \u00e9 um problema de sobreviv\u00eancia. 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