{"id":2393,"date":"2023-03-23T17:40:35","date_gmt":"2023-03-23T20:40:35","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2393"},"modified":"2023-03-23T17:40:35","modified_gmt":"2023-03-23T20:40:35","slug":"rogerio-costa-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/rogerio-costa-rodrigues\/","title":{"rendered":"Rog\u00e9rio Costa Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">O professor Rog\u00e9rio Costa Rodrigues \u00e9 uma refer\u00eancia inescap\u00e1vel quando se fala em cinema na cidade. Ele \u00e9 uma das pessoas que inoculou a paix\u00e3o pela arte cinematogr\u00e1fica em pelo menos duas gera\u00e7\u00f5es de brasilienses. As suas aulas, palestras e apresenta\u00e7\u00f5es de filmes eram acontecimentos culturais. Rog\u00e9rio recitava planos inteiros dos filmes de John Ford, Eisenstein, Kurosawa, Glauber Rocha, J\u00falio Bressane ou Sganzerla de maneira semelhante a que os jovens do s\u00e9culo 19 decoravam os sonetos dos poetas rom\u00e2nticos.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Al\u00e9m disso, dominava um amplo repert\u00f3rio da literatura, das artes pl\u00e1sticas e da m\u00fasica. Mas n\u00e3o era um erudito que replicava o que tinha lido. Ele tinha um olhar cr\u00edtico original, sempre provocador, ir\u00f4nico, sarc\u00e1stico, mas elegante, democr\u00e1tico e afetuoso. N\u00e3o ficava em cima do muro. Ao ser indagado sobre o que havia achado de uma mostra de filmes olhou para os lados para ver se tinha algu\u00e9m conhecido e fulminou: &#8220;N\u00eago, um horror. Mas n\u00e3o diga nada porque conhe\u00e7o muitos autores&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Rog\u00e9rio cresceu sob o fasc\u00ednio do cinema americano hollywoodiano. Dizia que havia aprendido a nadar com Ester Williams. No entanto, n\u00e3o ficou paralisado no deslumbramento com o glamour. Ao entrar em contato com as vertentes mais experimentais do cinema moderno, ele se tornou um defensor poderoso e persuasivo das propostas audaciosas, encantando as plateias com argumentos inteligentes, engenhosos, divertidos e sedutores.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Se Rog\u00e9rio fosse professor da UnB agora, sou capaz de apostar que ministraria boa parte de suas aulas no Cine Bras\u00edlia. Era um cr\u00edtico e um pensador do cinema, que nos emprestava novos olhos para ver os filmes cl\u00e1ssicos ou os contempor\u00e2neos. Funcion\u00e1rio do Senado, conseguiu requisi\u00e7\u00e3o da UnB para lecionar a disciplina Eleha, Elementos de est\u00e9tica e hist\u00f3ria da arte. Morreu em 2005, mas deixou um legado de paix\u00e3o pelo cinema em muitos brasilienses que foram seus alunos ou que assistiram a suas palestras.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Ao longo de uma vida, em grande parte, dedicada ao fasc\u00ednio pelo cinema, Rog\u00e9rio acumulou um vasto acervo de livros, revistas, filmes em VHS e \u00e1lbuns com fotos raras de atrizes e atores. Tudo estava guardado pelo professora Let\u00edcia Rodrigues, sobrinha de Rog\u00e9rio. H\u00e1 fotos fant\u00e1sticas de Marilyn Monroe. Mas um grupo de ex-alunos, amigos, cr\u00edticos de cinema e cineastas, liderado pelo arquiteto Marcelo Montiel, resolveu resgatar esse acervo e coloc\u00e1-lo \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o para consultas.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Por enquanto, conseguiram uma sala na Editora Thesaurus para abrir o acervo. Bras\u00edlia perdeu parte preciosa de sua mem\u00f3ria em raz\u00e3o do descaso. O acervo de Lucio Costa est\u00e1 em Portugal. A \u00fanica cole\u00e7\u00e3o completa do Suplemento Dominical do Jornal do Brasil, editado por Reynaldo Jardim, est\u00e1 no Moma de Nova York. Perguntei ao diretor do Moma sobre qual a relev\u00e2ncia do SDJB para os EUA e ele respondeu que se tratava de uma refer\u00eancia da arte contempor\u00e2nea.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">J\u00e1 imaginaram se os objetos de Renato Russo estivessem na 508 Sul? Muitos chegantes da cidade iriam visitar o espa\u00e7o. E o que dizer do acervo de Vladimir Carvalho, doado a UnB e nunca apropriado pela institui\u00e7\u00e3o. \u00c9 preciso retirar do papel o projeto da Cinemateca de Bras\u00edlia. Todavia, n\u00e3o basta construir o pr\u00e9dio, como fizeram com a Biblioteca Nacional.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">\u00c9 necess\u00e1rio criar uma estrutura de cargos e sal\u00e1rios dignos para contratar profissionais competentes. O argumento de que n\u00e3o h\u00e1 dinheiro suficiente e a prioridade deve ser a \u00e1rea social \u00e9 falacioso. N\u00e3o falta dinheiro para viadutos, t\u00faneis, museus da B\u00edblia e outras obras question\u00e1veis. Quem n\u00e3o cuida da cultura, n\u00e3o cuida tamb\u00e9m da sa\u00fade, da educa\u00e7\u00e3o, do turismo ou do trabalho. Se Bras\u00edlia n\u00e3o zela por sua mem\u00f3ria, quem zelar\u00e1?<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco O professor Rog\u00e9rio Costa Rodrigues \u00e9 uma refer\u00eancia inescap\u00e1vel quando se fala em cinema na cidade. Ele \u00e9 uma das pessoas que inoculou a paix\u00e3o pela arte cinematogr\u00e1fica em pelo menos duas gera\u00e7\u00f5es de brasilienses. As suas aulas, palestras e apresenta\u00e7\u00f5es de filmes eram acontecimentos culturais. 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