{"id":2388,"date":"2023-03-11T13:05:04","date_gmt":"2023-03-11T16:05:04","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2388"},"modified":"2023-03-11T13:05:04","modified_gmt":"2023-03-11T16:05:04","slug":"sao-francisco-candango","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/sao-francisco-candango\/","title":{"rendered":"S\u00e3o Francisco candango"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Maria Cobog\u00f3 \u00e9 um coletivo de mulheres de diversas idades, elegantes, bravas, generosas, delicadas e inflam\u00e1veis. Elas sabem fazer as coisas acontecerem. Quando lan\u00e7am livros no Beirute, costuma faltar quibe. Em quatro anos de exist\u00eancia, lan\u00e7aram mais de 20 obras, que revelaram ficcionistas e poetas da cidade.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Duas produ\u00e7\u00f5es foram reconhecidas como finalistas do Pr\u00eamio Jabuti: o projeto Calango Leitor, de est\u00edmulo \u00e0 leitura nas escolas, coordenado por Claudine Duarte, em 2018, e o livro<i> Fios<\/i>, de Christine N\u00f3brega, destinado especialmente ao p\u00fablico infantojuvenil.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Os livros da Maria Cobog\u00f3 s\u00e3o marcados pelo capricho, o esmero e o requinte gr\u00e1fico. Quem cuida da edi\u00e7\u00e3o, com olhar de arte, \u00e9 a arquiteta, escritora e diretora de teatro Claudine Duarte. Mas em Francisco, fic\u00e7\u00e3o infantojuvenil, a escritora ocupa o primeiro plano.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Na p\u00e1gina de abertura da fic\u00e7\u00e3o Francisco, Claudine Duarte faz uma dedicat\u00f3ria a todos os leitores: &#8220;inventado ou n\u00e3o, ao Francisco de cada um&#8221;. E, de fato, embora seja, em princ\u00edpio, dirigido ao p\u00fablico infantojuvenil, como ocorre com todos os textos liter\u00e1rios de qualidade, pode ser lido por leitores de todas as idades.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">No caso, o Chico em quest\u00e3o \u00e9 o santo Francisco de Assis, atualizado em uma f\u00e1bula urbana, situada no cen\u00e1rio de Bras\u00edlia. Certo dia, em plena capital dos engravatados, Francisco tem um estalo e resolve despir-se inteiramente de qualquer roupa e inicia uma err\u00e2ncia pela cidade espacial, acompanhado apenas por um c\u00e3o vira-lata. &#8220;Caminhavam lado a lado. Inteiros e em sil\u00eancio, como \u00e9 pr\u00f3prio dos homens e dos c\u00e3es. Segundo relatos foram vistos na avenida principal. Tra\u00e7avam linhas paralelas com passos calmos e ritmados&#8221;.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">\u00c9 com m\u00e3o de escritora e olhar de arquiteta que Claudine comp\u00f5e o livro em parceria afinada com as belas ilustra\u00e7\u00f5es de Carmem San Thiago. Nos convidam a um passeio pelas paradas de \u00f4nibus, as casas das cidades da periferia, os carrinhos de pipoca na Pra\u00e7a dos Tr\u00eas Poderes, as pombas do Esp\u00edrito Santo, os pal\u00e1cios com a guarda de prontid\u00e3o, os personagens \u00e0 margem do teatro do poder e a plataforma da Rodovi\u00e1ria sob o fundo espacial do crep\u00fasculo brasiliense.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">&#8220;Despido do que n\u00e3o era, levou consigo s\u00f3 o que importa&#8221;, diz o narrador de Francisco. A trama de fic\u00e7\u00e3o de Claudine \u00e9 uma f\u00e1bula sem moral. Mas o texto \u00e9 pontilhado sugest\u00f5es po\u00e9ticas e de ironias \u00e0s excel\u00eancias que reinam no mundo artificial, inessencial e falso do poder. &#8220;N\u00e3o \u00e9 da natureza dos governos admitirem homens nus em suas hostes. Nos pal\u00e1cios, s\u00e3o expressamente determinados os ternos e seus acess\u00f3rios, incluindo gravatas e inverdades&#8221;. Francisco mobiliza o esp\u00edrito da utopia contra a distopia, da essencialidade contra a artificialidade, da poesia contra a burocracia. Realmente, ati\u00e7a o S\u00e3o Francisco que cada um traz dentro de si.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Maria Cobog\u00f3 \u00e9 um coletivo de mulheres de diversas idades, elegantes, bravas, generosas, delicadas e inflam\u00e1veis. Elas sabem fazer as coisas acontecerem. Quando lan\u00e7am livros no Beirute, costuma faltar quibe. 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