{"id":2384,"date":"2023-02-07T09:04:58","date_gmt":"2023-02-07T12:04:58","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2384"},"modified":"2023-02-07T09:04:58","modified_gmt":"2023-02-07T12:04:58","slug":"sergio-rodrigues","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/sergio-rodrigues\/","title":{"rendered":"S\u00e9rgio Rodrigues"},"content":{"rendered":"<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\"><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p lang=\"zxx\"><a name=\"OBJ_PREFIX_DWT237_com_zimbra_date\"><\/a> Quando estudava na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio<span id=\"OBJ_PREFIX_DWT81_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\"> de Janeiro<\/span>, onde se formou em 1952, S\u00e9rgio Rodrigues percebeu que, embora a arquitetura brasileira moderna fosse apreciada no mundo, n\u00e3o existia um mobili\u00e1rio compat\u00edvel com a sua qualidade. E nem bibliografia adequada. Por isso, na base autodidata, ele come\u00e7ou a pesquisar a arquitetura colonial e a tradi\u00e7\u00e3o ind\u00edgena em museus hist\u00f3ricos.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Certa vez, S\u00e9rgio perguntou a Lucio Costa: \u201cProfessor, eu acho que a arquitetura sem o complemento interno, sem o acabamento interno, sem a ambienta\u00e7\u00e3o interna, sem o mobili\u00e1rio adequado, a arquitetura n\u00e3o \u00e9 arquitetura\u201d. O doutor Lucio concordou: \u201c\u00c9 isso mesmo, uma casa vazia \u00e9 um arcabou\u00e7o, n\u00e3o \u00e9 arquitetura, digo arquitetura completa, porque \u00e9 preciso mostrar aquilo funcionando, com mesas, sof\u00e1s e cadeiras\u201d.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">Os m\u00f3veis criados por S\u00e9rgio Rodrigues, sobrinho de Nelson Rodrigues, para pr\u00e9dios e monumentos, figuram entre as maiores preciosidades de Bras\u00edlia. Falo de c\u00e1tedra, pois assisti a muitos filmes nas poltronas que ele desenhou para o Cine Bras\u00edlia e me deixavam com a sensa\u00e7\u00e3o de estar sentado nas nuvens. Eram t\u00e3o boas e confort\u00e1veis que me fizeram dormir diversas vezes e perder parte do filme. Al\u00e9m do Cine Bras\u00edlia, S\u00e9rgio deixou a marca do seu talento no Pal\u00e1cio da Alvorada, no Itamaraty, no Teatro Nacional e na Universidade de Bras\u00edlia e no Iate Clube, entre outros. A maioria a pedido de Oscar Niemeyer.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">De maneira semelhante ao que ocorreu com Athos Bulc\u00e3o e Marianne Perretti, guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, a carreira de S\u00e9rgio, o mais importante designer de m\u00f3veis do Brasil e um dos mais conceituados do mundo, ganhou impulso com os m\u00f3veis que criou para as obras arquitet\u00f4nicas de Bras\u00edlia. S\u00e3o pe\u00e7as robustas, ergon\u00f4micas e belas.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">A coluna Capital S\/A informa que o secret\u00e1rio de Cultura e Economia Criativa, \u00a0Bartolomeu Rodrigues, est\u00e1 com um problem\u00e3o nas m\u00e3os. Sob a alega\u00e7\u00e3o de que n\u00e3o atendiam aos requisitos de seguran\u00e7a e de acessibilidade, as cadeiras do Cine Bras\u00edlia foram substitu\u00eddas durante uma reforma realizado no governo de Agnelo Queiroz. Essas 700 cadeiras est\u00e3o abrigadas em um dep\u00f3sito do Teatro Nacional.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">A Secretaria de Cultura est\u00e1 realizando uma reforma na Sala Martins Pena. Com isso, mais 400 cadeiras ser\u00e3o retiradas, somando 1.100 m\u00f3veis. Quando chegar a vez da Villa Lobos, ser\u00e3o cerca de 2 mil. Segundo os t\u00e9cnicos da Secretaria, restaurar as cadeiras uma a uma n\u00e3o funcionaria porque continuariam sem condi\u00e7\u00f5es de atender, al\u00e9m de se transformar num trabalho car\u00edssimo e sabe-se at\u00e9 quando iria, informa a coluna Capital S\/A.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">As cadeiras s\u00e3o consideradas inflam\u00e1veis e, portanto, inadequadas do ponto de vista da seguran\u00e7a. O secret\u00e1rio de Cultura Bartolomeu Rodrigues quer abrir um debate sobre o destino dos m\u00f3veis, que talvez poderiam ser leiloados ou doados a museus. Bem, parece-me que o tamanho do problema decorre de um erro fundamental, que precisa ser reparado: na primeira reforma, o Instituto S\u00e9rgio Rodrigues deveria <span id=\"OBJ_PREFIX_DWT82_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\">ter<\/span> sido consultado.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">Como alguns arquitetos sugeriram, o Instituto poderia adequar as cadeiras \u00e0s normas de acessibilidade e de seguran\u00e7a, mantendo o design de S\u00e9rgio Rodrigues. E vale o mesmo para as salas Martins Pena e Villa-Lobos.<\/p>\n<p lang=\"zxx\">\n<p lang=\"zxx\">\u00c9 poss\u00edvel alegar falta dinheiro e que essa reforma consumiria muito tempo. A argumenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se sustenta quando sabemos que sobra grana para construir viadutos ou museus da B\u00edblia, question\u00e1veis sob v\u00e1rios aspectos. Essa \u00e9 uma grande oportunidade de reparar o erro cometido no Cine Bras\u00edlia e honrar a condi\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia como patrim\u00f4nio cultural da humanidade, principalmente depois da invas\u00e3o da horda de b\u00e1rbaros para depredar os monumentos da democracia na capital.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Severino Francisco Quando estudava na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade do Brasil, atual Universidade Federal do Rio de Janeiro, onde se formou em 1952, S\u00e9rgio Rodrigues percebeu que, embora a arquitetura brasileira moderna fosse apreciada no mundo, n\u00e3o existia um mobili\u00e1rio compat\u00edvel com a sua qualidade. E nem bibliografia adequada. Por isso, na base autodidata, ele come\u00e7ou a [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":73,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-2384","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/73"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=2384"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":2385,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/2384\/revisions\/2385"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=2384"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=2384"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=2384"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}