{"id":2099,"date":"2022-04-29T08:11:13","date_gmt":"2022-04-29T11:11:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=2099"},"modified":"2022-04-29T08:16:07","modified_gmt":"2022-04-29T11:16:07","slug":"as-manchetes-do-correio","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/as-manchetes-do-correio\/","title":{"rendered":"As manchetes do Correio"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando realizei pesquisas para escrever o livro <i>Da poeira \u00e0 eletricidade \u2013 Hist\u00f3ria da m\u00fasica em Bras\u00edlia<\/i> me dei conta da import\u00e2ncia de contar a hist\u00f3ria a partir de um ponto de vista da cidade. As men\u00e7\u00f5es a passagem de Tom Jobim e Vinicius de Moraes por Bras\u00edlia em livros para compor a Sinfonia da Alvorada eram bastante depreciativas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Diziam que encontraram um cen\u00e1rio desolador, povoado de cascav\u00e9is. Como se Tom, que se embrenhava na Mata Atl\u00e2ntica, para conversar com passarinhos, tivesse medo de bichos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ao mergulhar no arquivo do Instituto Tom Jobim encontrei in\u00fameras declara\u00e7\u00f5es de Tom e de Vinicius a jornais e revistas enfatizando o impacto de brasilidade daquela viagem em suas vidas. Eles s\u00f3 passaram 10 dias no Catetinho, mas interagiram intensamente com a cidade nascente e captaram sinais com radares de grandes artistas. Vinicius disse que esse planalto tinha uma proximidade com o infinito. Tom escreveu que essa era a regi\u00e3o mais antiga da Terra.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Evoco o caso apenas para ilustrar a import\u00e2ncia de que se contar uma hist\u00f3ria a partir do ponto de vista de Bras\u00edlia. E \u00e9 precisamente isso que encontramos na exposi\u00e7\u00e3o 62 anos de capas do Correio Braziliense, em cartaz no CCBB. A cidade e o jornal nasceram juntos em 21 de janeiro de 1960, mas o que poderia ser um mero acaso se desdobrou em hist\u00f3ria entrela\u00e7ada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O fato \u00e9 que, apesar de todas as circunst\u00e2ncias, com maior ou menor \u00eanfase, o jornal sempre assumiu um compromisso de defesa e afirma\u00e7\u00e3o da cidade. Ao longo de 62 anos, pulsou no ritmo dos acontecimentos. Ensinou e aprendeu com os brasilienses a viver e a amar Bras\u00edlia. Contribuiu para criar uma consci\u00eancia de pertencimento \u00e0 cidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As manchetes falam por si. Desmontam muitas ideias prontas sobre a cidade e revelam uma outra Bras\u00edlia, desconhecida por muitos brasileiros. Vamos a algumas delas.<\/p>\n<p>\u201cDiplomatas v\u00eam do Rio e aplaudem as obras do Itamaraty em Bras\u00edlia. A capital se consolida no 11 ano. Bras\u00edlia \u00e9 muito mais que linhas e formas arrojadas de concreto. Pode uma cidade nascida de um solit\u00e1rio cerrado amanhecer t\u00e3o l\u00edmpida e monumental? Pode sim, foi feita por um homem determinado, dois artistas e milhares de brasileiros que acreditaram nos sonhos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O sonho que virou cidade. A minha, a sua, a nossa Bras\u00edlia. Todas as faces de Bras\u00edlia. A capital das 18.993 noites. Celebramos as noites na capital. Cada vez mais movimentadas. Noites que muita gente n\u00e3o sabe tem a vem a ver com a genialidade de Lucio Costa. Limitou os pr\u00e9dios para permitir aos brasilienses um deslumbrante espet\u00e1culo. Uma cidade que fica no c\u00e9u. Capital que \u00e9 pura m\u00fasica.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>S\u00f3 cliquei para dizer te amo. Bras\u00edlia \u00e9 uma festa. DNA feminino faz a diferen\u00e7a na capital. Uma cidade que fica no c\u00e9u. Quarenta raz\u00f5es para amar Bras\u00edlia. Eles vieram, viram, gostarm e trouxeram para c\u00e1 um peda\u00e7o da sua cultura natal. Nascidos para amar Bras\u00edlia. Beb\u00eas que nasceram em Bras\u00edlia. Todos os tons da solidariedade. Bom mesmo \u00e9 morar em Bras\u00edlia.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas amar uma cidade n\u00e3o se confunde com ufanismo. \u00c9 poss\u00edvel e desej\u00e1vel amar de maneira cr\u00edtica. Bras\u00edlia n\u00e3o \u00e9 uma ilha da fantasia, tem todas as grandezas e mis\u00e9rias do Brasil. A manchete da capa de 2011, distinguida com o Pr\u00eamio Esso, estampa dois t\u00edtulos complementares: \u201cEles nos envergonham&#8230; Ela (Bras\u00edlia) nos orgulha.\u201d A capa permanece atual. O compromisso do Correio foi muito importante para a consolida\u00e7\u00e3o de Bras\u00edlia e ser\u00e1 ainda mais para o delineamento do futuro da cidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; Quando realizei pesquisas para escrever o livro Da poeira \u00e0 eletricidade \u2013 Hist\u00f3ria da m\u00fasica em Bras\u00edlia me dei conta da import\u00e2ncia de contar a hist\u00f3ria a partir de um ponto de vista da cidade. 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