{"id":1986,"date":"2022-03-04T10:20:18","date_gmt":"2022-03-04T13:20:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1986"},"modified":"2022-03-04T10:20:18","modified_gmt":"2022-03-04T13:20:18","slug":"a-mestria-de-lele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/a-mestria-de-lele\/","title":{"rendered":"A mestria de Lel\u00e9"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Lucio Costa disse sobre Lel\u00e9 Filgueiras: \u201cO construtor, no mais amplo e criativo sentido da palavra.\u201d Bras\u00edlia provocou muita pol\u00eamica em raz\u00e3o dos aspectos funcionais ou desfuncionais da arquitetura de Oscar Niemeyer. No entanto, a nova capital modernista forjou tamb\u00e9m um arquiteto-inventor, arquiteto-tecnol\u00f3gico, arquiteto-fabricante, arquiteto-humanista, atento, simultaneamente, ao conforto, \u00e0 comodidade e \u00e0 qualidade de vida dos que habitaram os pr\u00e9dios que construiu.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nos \u00faltimos dias de vida, Oscar Niemeyer dizia aos amigos: \u201cLel\u00e9 Filgueiras \u00e9 o maior arquiteto brasileiro.\u201d Em Bras\u00edlia, no Campus Darcy Ribeiro, da Universidade de Bras\u00edlia, realizou o pr\u00e9dio do Minhoc\u00e3o, em parceria com Oscar Niemeyer, com quem tamb\u00e9m trabalhou nos encantadores pr\u00e9dios dos \u201cservi\u00e7os gerais\u201d, que hoje abrigam o Ceplan e o Instituto de Artes; no mesmo campus, projetou os pr\u00e9dios residenciais da <i>Colina<\/i>, que, junto com os servi\u00e7os gerais e o Minhoc\u00e3o, s\u00e3o experi\u00eancia pioneira da arquitetura pr\u00e9-fabricada no Brasil; os pr\u00e9dios residenciais das quadras 108 e 109 Sul, os primeiros da nova capital; os edif\u00edcios da Rede Sarah, em tabelinha com Athos Bulc\u00e3o; e os Caics, em v\u00e1rias cidades-sat\u00e9lites. No Rio, fez o Samb\u00f3dromo, com Darcy Ribeiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele est\u00e1 sendo homenageado com exposi\u00e7\u00e3o na Escola da Cidade, em S\u00e3o Paulo, com curadoria de An\u00e1lia Amorim e Valdemir Rosa. O arquiteto e professor em\u00e9rito da UnB, Frederico Holanda, foi convidado a gravar um depoimento sobre a relev\u00e2ncia da arquitetura de Lel\u00e9. Acompanhemos a fala de Fred.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Segundo ele, Lel\u00e9 projeta lugares em todas as escalas \u2013 de uma maca-cama hospitalar a um conjunto edificado. E se n\u00e3o h\u00e1 um ve\u00edculo onde possa entrar a maca especial, ele o projeta. E, pelo meio do caminho, elevadores, ventiladores, lumin\u00e1rias, bancos, abrigos de \u00f4nibus, pontes em estradas vicinais, sistemas de esgotamento sanit\u00e1rio, passarelas, escadarias em morros, casas de amigos, escolas, hospitais&#8230;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Frederico observa que alguns arquitetos lidam com o mesmo sistema construtivo por anos, d\u00e9cadas. Mas a obra de Lel\u00e9 \u00e9 permanente muta\u00e7\u00e3o: concreto armado na pioneira pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o pesada, tijolos cer\u00e2micos, argamassa armada, pr\u00e9-fabrica\u00e7\u00e3o met\u00e1lica&#8230;<\/p>\n<p>\u00c9 uma obra em que comodidade, constru\u00e7\u00e3o e beleza andam juntas, comenta Frederico. \u201cDesde logo se envolve com o canteiro, dois anos depois de formado, com 25 anos, ao encarregar-se da constru\u00e7\u00e3o de uma superquadra inteira de Bras\u00edlia. A intimidade com o saber-fazer nunca o abandonar\u00e1, busca o peso ideal das pe\u00e7as de argamassa armada porque as carrega, aperfei\u00e7oa sua cura porque vigia o seu comportamento dentro d\u2019\u00e1gua, no sol a pino.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Frederico Holanda recusa nomear Lel\u00e9 na condi\u00e7\u00e3o de arquiteto moderno, p\u00f3s-moderno, jamais! \u201cum arquiteto cl\u00e1ssico talvez lhe calhe melhor\u201d. Argumenta que as modas passam ao largo, ele nunca descuida o conforto visual e t\u00e9rmico, a ergonomia perfeita, a economia, o rendimento energ\u00e9tico, a reprodutibilidade, a satisfa\u00e7\u00e3o de necessidades coletivas, a beleza. \u201cSua arquitetura n\u00e3o grita, ela cochicha, mas desvela segredos surpreendentes e fascinantes a cada projeto.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na f\u00e1brica de Salvador, dezenas de edif\u00edcios s\u00e3o produzidos, distribu\u00eddos e montados Brasil afora. Com sua voz mansa, ele gosta de narrar a precis\u00e3o de relojoeiro necess\u00e1ria para faz\u00ea-lo, diz Fred Holanda. \u201cSaberia como poucos enfrentar as adversidades atuais \u2013 confront\u00e1-las foi o seu forte, sempre.\u201d<\/p>\n<p><a name=\"OBJ_PREFIX_DWT120_com_zimbra_url\"><\/a><a name=\"OBJ_PREFIX_DWT106_com_zimbra_url\"><\/a> PS: de segunda a sexta, das 18h \u00e0s 20h30, A Escola da Cidade promover\u00e1 um ciclo de palestras sobre m\u00faltiplos aspectos da arquitetura de Lel\u00e9 Filgueiras. O link para acompanhar as palestras \u00e9: <a href=\"https:\/\/escoladacidade-edu-br.zoom.us\/my\/sala.lele.2022\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">escoladacidade-edu-br.zoom.us\/my\/sala.lele.2022<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; Lucio Costa disse sobre Lel\u00e9 Filgueiras: \u201cO construtor, no mais amplo e criativo sentido da palavra.\u201d Bras\u00edlia provocou muita pol\u00eamica em raz\u00e3o dos aspectos funcionais ou desfuncionais da arquitetura de Oscar Niemeyer. 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