{"id":1898,"date":"2021-10-27T12:14:47","date_gmt":"2021-10-27T15:14:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1898"},"modified":"2021-10-27T12:14:47","modified_gmt":"2021-10-27T15:14:47","slug":"conversa-com-rosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/conversa-com-rosa\/","title":{"rendered":"Conversa com Rosa"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1268\" aria-describedby=\"caption-attachment-1268\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1268\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBNFOT040320060033.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"937\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBNFOT040320060033.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBNFOT040320060033-256x300.jpg 256w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBNFOT040320060033-768x900.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBNFOT040320060033-550x644.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBNFOT040320060033-230x269.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1268\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Guimar\u00e3es Rosa: sert\u00e3o do tamanho do mundo. Cr\u00e9dito: Jo\u00e3o Martins\/O Cruzeiro\/EM\/D.A Press.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>Em tempos de pandemia, favor\u00e1veis \u00e0s reflex\u00f5es existenciais, esta coluna conseguiu uma entrevista medi\u00fanica exclusiva com Guimar\u00e3es Rosa, o autor da obra-prima da literatura brasileira e mundial. Fala, mestre!<\/p>\n<p><b>Qual a import\u00e2ncia da palavra em nossa vida?<\/b><\/p>\n<p>Tudo principia mesmo \u00e9 por uma palavra pensada.<\/p>\n<p><b>Por que o senhor escreveu que viver \u00e9 perigoso?<\/b><\/p>\n<p>Porque ainda n\u00e3o se sabe. Porque aprender-a-viver \u00e9 viver, mesmo. Vivemos, de modo incorrig\u00edvel, distra\u00eddos das coisas importantes.<\/p>\n<p><b>E como saber o que \u00e9 mais importante?<\/b><\/p>\n<p><a name=\"OBJ_PREFIX_DWT6338_com_zimbra_date\"><\/a><a name=\"OBJ_PREFIX_DWT6337_com_zimbra_date\"><\/a> O mais dif\u00edcil n\u00e3o \u00e9 ser bom e proceder honesto; dificultoso mesmo, \u00e9 um saber definido o que quer, e\u00a0<span style=\"color: #005a95\">ter<\/span>\u00a0o poder de ir at\u00e9 o rabo da palavra.<\/p>\n<p><b>A vida que vivemos aqui tem rela\u00e7\u00e3o com outras vidas, como proclama o espiritismo?<\/b><\/p>\n<p>S\u00f3 estamos vivendo os futuros antanhos. Eu me alembro das coisas antes de elas acontecerem.<\/p>\n<p><b>O senhor acredita que a morte de uma pessoa tamb\u00e9m j\u00e1 est\u00e1 determinada?<\/b><\/p>\n<p>Morte e amor t\u00eam paragens demarcadas. A morte de cada um j\u00e1 est\u00e1 em edital.<\/p>\n<p><b>Ent\u00e3o, falemos do amor. O que \u00e9 amar?<\/b><\/p>\n<p>Amar n\u00e3o \u00e9 verbo; \u00e9 luz lembrada. Amor vem de amor. O amor \u00e9 que \u00e9 o destino verdadeiro.<\/p>\n<p><b>E o \u00f3dio e a raiva, o que s\u00e3o?<\/b><\/p>\n<p>Quando se curte raiva de algu\u00e9m, \u00e9 a mesma coisa que autorizar que essa pr\u00f3pria pessoa passe durante o tempo governando a ideia e o sentir da gente.<\/p>\n<p><b>Um amigo meu disse que s\u00f3 conhecia um homem que entendia de mulheres: estava no hosp\u00edcio&#8230;<\/b><\/p>\n<p>Mulher tira ideia \u00e9 do corpo.<\/p>\n<p><b>A alegria \u00e9 algo importante na vida?<\/b><\/p>\n<p>A tristeza \u00e9 o aboio de chamar o dem\u00f4nio. O que a vida quer da gente \u00e9 coragem.<\/p>\n<p><b>A eleva\u00e7\u00e3o da consci\u00eancia \u00e9 importante para ser feliz?<\/b><\/p>\n<p>Para o prazer e para ser feliz, \u00e9 que \u00e9 preciso a gente saber tudo, formar alma, na consci\u00eancia; para penar, n\u00e3o se carece.<\/p>\n<p><b>Ser\u00e1 que Deus n\u00e3o \u00e9 uma mentira que a gente inventa para aguentar o tranco da vida?<\/b><\/p>\n<p>Como n\u00e3o haver Deus? Estreme\u00e7o. Com Deus existindo, tudo d\u00e1 esperan\u00e7a: sempre um milagre \u00e9 poss\u00edvel, o mundo se resolve. Mas, se n\u00e3o tem Deus, h\u00e1 de a gente ficar perdida no vaiv\u00e9m, e a vida \u00e9 burra. Tendo Deus, \u00e9 menos grave se descuidar um pouquinho, pois, no fim, d\u00e1 certo. Mas, se n\u00e3o tem Deus, ent\u00e3o, a gente n\u00e3o tem licen\u00e7a de coisa alguma.<\/p>\n<p><b>Mas n\u00e3o seria mistifica\u00e7\u00e3o apostar no milagre?<\/b><\/p>\n<p>Viver sem milagres seria l\u00fagubre maldi\u00e7\u00e3o. Tudo, ali\u00e1s, \u00e9 a ponta de um mist\u00e9rio. Inclusive os fatos. Ou a aus\u00eancia deles.<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 Deus? Que garantia temos dessas coisas?<\/b><\/p>\n<p>O que n\u00e3o \u00e9 Deus \u00e9 o estado do dem\u00f4nio. As coisas assim a gente n\u00e3o perde nem abarca. Cabem \u00e9 no brilho da noite. Aragem do sagrado. Absolutas estrelas.<\/p>\n<p><b>O que \u00e9 importante na vida cotidiana?<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-family: inherit\">Penso que chega um momento na vida da gente, em que o \u00fanico dever \u00e9 lutar ferozmente por introduzir, no tempo de cada dia, o m\u00e1ximo de eternidade.<\/span><\/p>\n<p><b>Em Bras\u00edlia, vivemos imersos em um grande sil\u00eancio. Qual o efeito disso nas pessoas?<\/b><\/p>\n<p>O senhor sabe o que o sil\u00eancio \u00e9? \u00c9 a gente mesmo, demais.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco Em tempos de pandemia, favor\u00e1veis \u00e0s reflex\u00f5es existenciais, esta coluna conseguiu uma entrevista medi\u00fanica exclusiva com Guimar\u00e3es Rosa, o autor da obra-prima da literatura brasileira e mundial. Fala, mestre! Qual a import\u00e2ncia da palavra em nossa vida? Tudo principia mesmo \u00e9 por uma palavra pensada. Por que o senhor escreveu que viver \u00e9 perigoso? 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