{"id":1682,"date":"2021-05-27T07:40:20","date_gmt":"2021-05-27T10:40:20","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1682"},"modified":"2021-05-27T07:40:20","modified_gmt":"2021-05-27T10:40:20","slug":"as-cancoes-que-voce-fez-para-mim","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/as-cancoes-que-voce-fez-para-mim\/","title":{"rendered":"As can\u00e7\u00f5es que voc\u00ea fez para mim"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1683\" aria-describedby=\"caption-attachment-1683\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1683\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/05\/Roberto-Carlos-2.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"531\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/05\/Roberto-Carlos-2.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/05\/Roberto-Carlos-2-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/05\/Roberto-Carlos-2-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/05\/Roberto-Carlos-2-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/05\/Roberto-Carlos-2-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1683\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Globo\/Mauricio Fidalgo. Roberto Carlos inspirou v\u00e1rias gera\u00e7\u00f5es.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A passagem dos 80 anos de Roberto Carlos reavivou-me a lembran\u00e7a de uma s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es inspiradas ou em homenagem ao rei do i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea. E, confesso, que as cria\u00e7\u00f5es mobilizaram artistas que admiro mais do que Roberto Carlos. Pertencem \u00e0 s\u00e9rie as can\u00e7\u00f5es que voc\u00ea fez para mim.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na verdade, o alheado Roberto Carlos surpreendeu a todos quando, em 1971, per\u00edodo mais duro do regime militar, comp\u00f4s, em parceria com Erasmo Carlos, <i>Embaixo dos carac\u00f3is dos seus cabelos<\/i>, pungente can\u00e7\u00e3o de ex\u00edlio em homenagem a Caetano Veloso. Certo dia, Roberto apareceu com a esposa Nice em Londres, na casa em que Caetano morava. Pediu um viol\u00e3o e cantou a m\u00fasica: \u201cVoc\u00ea olha tudo e nada lhe faz ficar contente\/Voc\u00ea s\u00f3 deseja agora voltar pra sua gente\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Chorei as tais l\u00e1grimas de esguicho de que falava Nelson Rodrigues quando ouvi a m\u00fasica. E absolvi Roberto de uma s\u00e9rie de omiss\u00f5es e aliena\u00e7\u00f5es. Caetano devolveu a gentileza com <i>Como dois e dois igual a cinco<\/i>, que expressava o sentimento de absurdo de ser apartado do pa\u00eds que amava: \u201cTudo vai mal, tudo\/Tudo \u00e9 igual quanto canto e sou mudo&#8230;\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Caetano Veloso fez <i>For\u00e7a estranha<\/i>, uma das mais lindas can\u00e7\u00f5es dedicadas ao l\u00edder da Jovem Guarda. Em 1978, ele esbarrou em Roberto Carlos num corredor da Tev\u00ea Globo e cada um se admirou da jovialidade do outro, apesar dos cabelos brancos. Roberto disse que os artistas vivem em outra dimens\u00e3o do tempo. Foi o mote para <i>For\u00e7a estranha<\/i>: \u201cEu vi os cabelos brancos na fronte do artista,\/o tempo n\u00e3o para e, no entanto, ele nunca envelhece&#8230;\/Por isso, esta for\u00e7a me leva a cantar\/Por isso, esta for\u00e7a estranha no ar&#8230;\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A gera\u00e7\u00e3o p\u00f3s-tropicalista de S\u00e9rgio Sampaio e Z\u00e9 Ramalho tamb\u00e9m foi marcada pela m\u00fasica do rei do i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea. O caso de S\u00e9rgio Sampaio \u00e9 muito interessante. Ele nasceu na mesma Cachoeiro do Itapemirim de Roberto Carlos. Mas, em certo sentido, Sampaio \u00e9 o anti-Roberto Carlos. Despontou de maneira bomb\u00e1stica com o samba rasgado <i>Eu quero botar meu bloco na rua<\/i>, uma esp\u00e9cie de hino da redemocratiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando a m\u00fasica estourou, um assessor transmitiu a Sampaio o pedido para que compusesse uma can\u00e7\u00e3o no estilo do <i>bloco <\/i>para que Roberto cantasse. Mas Sampaio n\u00e3o aguentou conviver com o sucesso e n\u00e3o conseguiu produzir a encomenda.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E, para descarregar a ang\u00fastia e a frustra\u00e7\u00e3o, ele comp\u00f4s <i>Meu pobre blues<\/i>, uma can\u00e7\u00e3o singela, visceral e dram\u00e1tica: \u201cMeu amigo, um dia eu ouvi maravilhado\/no radinho do meu vizinho seu rockzinho antigo\/foi como se alguma bomba houvesse explodido no ar\/todo o povo brasileiro nunca mais deixou de dan\u00e7ar\/e desde aquele instante eu nunca mais parei de tentar\/mostrar meu blues pra voc\u00ea cantar\u201d.<\/p>\n<p>Sampaio optou por um caminho independente, mas queria experimentar o prazer de escutar a can\u00e7\u00e3o na voz de Roberto Carlos: \u201ceu n\u00e3o preciso de sucesso\/s\u00f3 quero ouvi-lo cantar\/meu pobre blues e nada mais\/\u00e9 t\u00e3o simples&#8230;\u201d Roberto bem que podia ter gravado <i>Meu pobre blues<\/i>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Z\u00e9 Ramalho apresentou, pessoalmente, a can\u00e7\u00e3o <i>Ondas<\/i>, para Roberto Carlos no Iate Lady Laura. Mesmo assim, Roberto nunca gravou. <i>Ondas <\/i>se tornou um sucesso na voz rascante de Fagner e foi gravada por Ray Coniff. Mas eu prefiro a interpreta\u00e7\u00e3o apocal\u00edptica do pr\u00f3prio Z\u00e9 Ramalho: \u201cQuanto tempo temos antes de voltarem\/Aquelas ondas\/Que vieram como gotas de sil\u00eancio t\u00e3o furioso\/E se teu amigo vento n\u00e3o te procurar\/\u00c9 porque multid\u00f5es ele foi arrastar.\u201d Esse rico di\u00e1logo com Roberto Carlos foi interrompido pela m\u00fasica breganeja, que gira em torno de si mesma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; A passagem dos 80 anos de Roberto Carlos reavivou-me a lembran\u00e7a de uma s\u00e9rie de can\u00e7\u00f5es inspiradas ou em homenagem ao rei do i\u00ea-i\u00ea-i\u00ea. E, confesso, que as cria\u00e7\u00f5es mobilizaram artistas que admiro mais do que Roberto Carlos. 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