{"id":1500,"date":"2021-02-11T09:55:14","date_gmt":"2021-02-11T12:55:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1500"},"modified":"2021-02-11T09:55:14","modified_gmt":"2021-02-11T12:55:14","slug":"brasileiros-voadores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/brasileiros-voadores\/","title":{"rendered":"Brasileiros voadores"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1501\" aria-describedby=\"caption-attachment-1501\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1501\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Aeroporto-Juscelino-Kubistchek.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"510\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Aeroporto-Juscelino-Kubistchek.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Aeroporto-Juscelino-Kubistchek-300x191.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Aeroporto-Juscelino-Kubistchek-768x490.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Aeroporto-Juscelino-Kubistchek-550x351.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Aeroporto-Juscelino-Kubistchek-230x147.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1501\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Ed Alves\/CB\/D.A. Press. Brasil.\u00a0 Decolagem no Aeroporto Internacional de Bras\u00edlia Juscelino Kubistchek.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A cr\u00f4nica que escrevi sobre o Aeroporto Glauber Rocha de Vit\u00f3ria da Conquista suscitou v\u00e1rias mensagens dos leitores. Afinal, os brasilienses viajam muito a servi\u00e7o, para estudo ou para cultivar la\u00e7os familiares nos estados de origem. Claro que as viagens f\u00edsicas est\u00e3o restringidas durante a pandemia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas viajar na imagina\u00e7\u00e3o ou na mem\u00f3ria n\u00e3o tem contraindica\u00e7\u00f5es. Por isso, resolvi empreender um p\u00e9riplo por capitais brasileiras para tecer alguns coment\u00e1rios e fazer sugest\u00f5es no sentido de renomear aeroportos nas diversas regi\u00f5es do pa\u00eds.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Antes, pe\u00e7o licen\u00e7a de passar pelo Aeroporto Tom Jobim, no Rio de Janeiro. Existem nomes inspiradores. A simples men\u00e7\u00e3o deles provoca uma s\u00e9rie de associa\u00e7\u00f5es po\u00e9ticas. Todas as vezes que viajo para o Rio de Janeiro e a aeromo\u00e7a anuncia Tom Jobim, o sobrevoo j\u00e1 vem com a trilha sonora pronta na cabe\u00e7a: \u201cRio de Janeiro\/Bra\u00e7os abertos para a Guanabara\/Esse samba \u00e9 s\u00f3 por que\/Rio eu gosto de voc\u00ea\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>De maneira semelhante, eu gostaria de chegar \u00e0 Vit\u00f3ria, no Esp\u00edrito Santo, e sentir a emo\u00e7\u00e3o de ouvir a aeromo\u00e7a avisar: \u201cDentro de cinco minutos pousaremos no Aeroporto Rubem Braga\u201d. O nome m\u00e1gico do ilustre colega ensejaria evoca\u00e7\u00f5es do amor aos passarinhos, \u00e0s matas brasileiras, \u00e0 poesia extra\u00edda da mat\u00e9ria trivial e \u00e0s coisas simples da vida: \u201c\u00c9 gentil ser um passarinho.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m me agradaria muito viajar at\u00e9 Campo Grande e ouvir a aeromo\u00e7a advertir: &#8220;Estamos aterrissando no Aeroporto Manuel de Barros&#8221;. Ele era um poeta voador: &#8220;N\u00e3o era normal o que havia de lagartixa\/Na palavra paredes&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E que tal se aport\u00e1ssemos em Belo Horizonte e escut\u00e1ssemos a voz da aeromo\u00e7a alertando sobre o nosso destino: \u201cEstamos aterrissando no Aeroporto Carlos Drummond de Andrade\u201d. O poeta contribuiu, decisivamente, para revelar ou forjar uma alma para Minas: \u201cMinas \u00e9 palavra abissal\u201d. Como quando abrimos a B\u00edblia, temos uma infinidade de versos de Drummond para este momento: \u201c\u00c9 tempo de partido\/De homens partidos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Bem, vamos subir at\u00e9 Natal, no Rio Grande do Norte, na expectativa de que a aeromo\u00e7a proclame: \u201cEm cinco minutos, aterrissaremos no Aeroporto C\u00e2mara Cascudo\u201d. Ele \u00e9 autor da frase memor\u00e1vel: \u201cO melhor do Brasil \u00e9 o brasileiro\u201d. S\u00f3 faria uma pequena retifica\u00e7\u00e3o, que deixaria a frase assim: \u201cO melhor do Brasil s\u00e3o alguns brasileiros\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Do Rio Grande do Norte voemos para Macei\u00f3, Alagoas, onde a aeromo\u00e7a anunciaria: \u201cO tempo est\u00e1 bom, vamos aterrissar no Aeroporto Graciliano Ramos\u201d. O cabra alagoano sentenciou: \u201cO grande esporte brasileiro \u00e9 a rasteira\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O aeroporto de Jo\u00e3o Pessoa, na Para\u00edba, leva o nome freudianamente aterrador de um pol\u00edtico an\u00f3dino. Quando a aeromo\u00e7a pronuncia o lugar de chegada, os passageiros homens se retorcem na cadeira: \u201cEstamos aterrissando no Aeroporto Castro Pinto\u201d. Ficaria melhor se fosse nomeado Aeroporto Ariano Suassuna ou Aeroporto Augusto dos Anjos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ent\u00e3o, vamos para o Sul at\u00e9 Curitiba, no Paran\u00e1. A aeromo\u00e7a avisa: \u201cDentro de cinco minutos, aterrissaremos no Aeroporto Paulo Leminski\u201d. Ele \u00e9 o poeta de versos r\u00e1pidos e incisivos: \u201cN\u00e3o discuto com o destino\/o que pintar\/eu assino\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nossa \u00faltima parada \u00e9 Porto Alegre, no Rio Grande do Sul: \u201cApertem o cinto para a aterrissagem no Aeroporto Mario Quintana\u201d. O poeta escreveu estes versos alados, pertinentes para o momento que vivemos: \u201cEles passar\u00e3o \/Eu passarinho.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; A cr\u00f4nica que escrevi sobre o Aeroporto Glauber Rocha de Vit\u00f3ria da Conquista suscitou v\u00e1rias mensagens dos leitores. Afinal, os brasilienses viajam muito a servi\u00e7o, para estudo ou para cultivar la\u00e7os familiares nos estados de origem. 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