{"id":1495,"date":"2021-02-08T15:20:19","date_gmt":"2021-02-08T18:20:19","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1495"},"modified":"2021-02-08T15:20:19","modified_gmt":"2021-02-08T18:20:19","slug":"sopro-de-alegria","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/sopro-de-alegria\/","title":{"rendered":"Sopro de alegria"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1496\" aria-describedby=\"caption-attachment-1496\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1496\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Saltimbancos.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"640\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Saltimbancos.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Saltimbancos-300x240.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Saltimbancos-768x614.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Saltimbancos-550x440.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/02\/Saltimbancos-230x184.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1496\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Credito: Diego Bresani\/Divulga\u00e7\u00e3o. Espet\u00e1culo Saltimbancos de Hugo Rodas: atores que cantam, cantores que dan\u00e7am.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Uma das coisas das quais mais senti falta no isolamento social imposto pela pandemia foi de ir at\u00e9 o Espa\u00e7o Renato Russo da 508 Sul para de assistir pe\u00e7as de teatro. Certa noite, dirigi-me a bilheteria e pedi um ingresso. A funcion\u00e1ria perguntou: \u201cPara qual pe\u00e7a? Tem quatro pe\u00e7as em cartaz.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>As artes presenciais foram as que mais sofreram com a pandemia. Elas s\u00e3o, simultaneamente, as mais intensas e as mais fugazes. Ficam na mem\u00f3ria com a mat\u00e9ria t\u00eanue dos sonhos, que nos deixa na d\u00favida se vivemos ou n\u00e3o aquela experi\u00eancia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Umas das pe\u00e7as de teatro que mais me tocaram, nos \u00faltimos tempos, foi a remontagem de <i>Os saltimbancos<\/i>, dirigida por Hugo Rodas, com a Agrupa\u00e7\u00e3o Amacaca, no Teatro Galp\u00e3o. Levei os meus dois netos, Jud\u00e1, de 3 anos, e Aurora, de 7, para assistir. \u00c9 um privil\u00e9gio nosso sermos contempor\u00e2neos de um artista que se tornou um dos maiores diretores de teatro do pa\u00eds ao fazer de Bras\u00edlia o palco de suas experimenta\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ele \u00e9 nosso bruxo em\u00e9rito do teatro. Utiliza <i>Os saltimbancos<\/i> para propor um ritual de comunh\u00e3o para todas as idades. Na f\u00e1bula, a trupe de bichos m\u00fasicos se une para desbancar os bar\u00f5es donos da cidade, do pa\u00eds, das florestas e da liberdade. Hugo construiu um espet\u00e1culo para nos lembrar que somos animais alegres, animais imaginosos, animais brincantes. N\u00e3o importa o que acontecer, todos juntos somos fortes.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o bebo nada de \u00e1lcool, mas, depois de assistir a <i>Saltimbancos<\/i>, confesso que sa\u00ed do teatro meio alterado, com a sensa\u00e7\u00e3o de ter bebido um bom vinho. \u00c9 o sopro dionis\u00edaco do nosso bruxo do teatro. Sempre monta espet\u00e1culos experimentais e essenciais para cada momento, que transmitem jatos de dramaticidade, de energia, de alegria e de humor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Fiquei com saudades dos teatrinhos da 508 Sul e de Saltimbancos, mas, insolitamente, nos \u00faltimos dias, vi a pe\u00e7a se desdobrar e se estender para dentro do carro durante a pandemia. \u00c9 que conseguimos um CD com as can\u00e7\u00f5es do espet\u00e1culo e, toda vez que sa\u00edmos com Jud\u00e1 e Aurora, eles pedem para tocar. Ent\u00e3o, o teatro e a festa se instalam no carro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>E n\u00e3o \u00e9 apenas para escutar. Aurora puxa o coro, todos t\u00eam de cantar e coreografar, nos limites estreitos do carro e do cinto de seguran\u00e7a. Aurora parece uma reencarna\u00e7\u00e3o de Em\u00edlia, a boneca rebelde do S\u00edtio do Picapau Amarelo, de Monteiro Lobato. Fazia muitas atividades antes da pandemia e ficou indignada com o coronav\u00edrus: \u201cEste v\u00edrus \u00e9 um idiota!\u201d, disparou. Ponderei a ela: \u201cExistem outras pessoas mais idiotas\u201d. Ela quis saber: \u201cQuem?\u201d. Repliquei: \u201cDeixa pra l\u00e1, vamos cantar os saltimbancos\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Os partidos pol\u00edticos n\u00e3o nos representam; representam apenas os pr\u00f3prios interesses pessoais mesquinhos e baixos de seus dirigentes e integrantes. N\u00f3s precisamos nos representar a n\u00f3s mesmos. Conquistar voz para dizer que queremos vacina, sa\u00fade, democracia, preserva\u00e7\u00e3o das nossas florestas, respeito ao nosso voto e ao Brasil.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Estamos fracos porque a m\u00e1quina da mentira e os pol\u00edticos tra\u00edras nos desunem. <i>Os Saltimbancos<\/i> \u00e9 uma f\u00e1bula para todas as idades. Mostra que, n\u00e3o importa o que acontecer, todos juntos somos fortes. A arte \u00e9 oxig\u00eanio para quem vive tempos t\u00e3o dif\u00edceis. Em meio ao per\u00edodo mais dist\u00f3pico da hist\u00f3ria do Brasil e de Bras\u00edlia, aquele canto dos animais saltimbancos puxado pelas crian\u00e7as no carro \u00e9 um sopro de alegria e de utopia.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; Uma das coisas das quais mais senti falta no isolamento social imposto pela pandemia foi de ir at\u00e9 o Espa\u00e7o Renato Russo da 508 Sul para de assistir pe\u00e7as de teatro. 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