{"id":1451,"date":"2021-01-04T09:52:40","date_gmt":"2021-01-04T12:52:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1451"},"modified":"2021-01-04T09:52:40","modified_gmt":"2021-01-04T12:52:40","slug":"maria-duarte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/maria-duarte\/","title":{"rendered":"Maria Duarte"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1452\" aria-describedby=\"caption-attachment-1452\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1452\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/01\/Maria-Duarte.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"531\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/01\/Maria-Duarte.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/01\/Maria-Duarte-300x199.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/01\/Maria-Duarte-768x510.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/01\/Maria-Duarte-550x365.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2021\/01\/Maria-Duarte-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1452\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Ed Alves\/Esp. CB\/D.A Press.\u00a0 Maria de Souza Duarte:animadora da cultura brasiliense<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Existem pessoas no mundo da cultura que n\u00e3o t\u00eam a pretens\u00e3o se colocar no primeiro plano da cena. Mas elas s\u00e3o importantes para fazerem a cultura acontecer. Maria Duarte, que nos deixou na semana passada, aos 85 anos, integrava esse grupo. Era uma animadora cultural, insuflava alma na cultura por onde passou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Foi diretora do Sesc da 913 Sul, secret\u00e1ria de Cultura do DF e uma das criadoras do Festival da Am\u00e9rica Latina. Em todos esses lugares, ela fez a cultura acontecer. Tinha a voca\u00e7\u00e3o de agregar, mediar, propiciar e viabilizar. Acreditava que a arte pode criar cidad\u00e3os e seres humanos melhores. Sob a sua lideran\u00e7a, o Sesc da 913 Sul tornou-se um ponto de refer\u00eancia e um n\u00facleo de irradia\u00e7\u00e3o da cultura na d\u00e9cada de 1980.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u00c9 poss\u00edvel imaginar que ela dispusesse de um arsenal de recursos econ\u00f4micos e de espa\u00e7os. Mas, n\u00e3o. S\u00f3 dispunha de bom \u00e2nimo, vontade de fazer e capacidade de agregar. O Sesc da 913 Sul tinha uma garagem subterr\u00e2nea que era uma armadilha perigosa para os motoristas. A rampa com inclina\u00e7\u00e3o muito elevada tornava as avarias na lataria dos carros quase que inapel\u00e1veis, a ponto de o local ser abandonado.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mas, com a mira em ampliar as atividades do Sesc, Maria vislumbrou a possibilidade de transformar o espa\u00e7o em teatro. E, assim, em 1979, nasceria o Teatro Garagem, que parece ter sido concebido deliberadamente para ser um espa\u00e7o underground da cultura. Daquela garagem sairiam experimenta\u00e7\u00f5es que fariam hist\u00f3ria na cultura da cidade.\u201dVoc\u00ea entra com a cara e com a coragem. N\u00f3s, com o Garagem\u201d, convidava o poeta TT Catal\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Hugo Rodas s\u00f3 decidiu ficar em Bras\u00edlia porque recebeu um convite para ministrar aulas e oficinas no Sesc da 913. Trabalhava, simultaneamente, com grupos de jovens e de idosos. Foram cinco anos de experimenta\u00e7\u00f5es com a fus\u00e3o entre teatro e dan\u00e7a, que impactaria a hist\u00f3ria das artes c\u00eanicas em Bras\u00edlia.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>A garagem tremeu com a onda do rock dos anos 80 em seus espa\u00e7os: Raimundos, Aborto El\u00e9trico e C\u00e1ssia \u00c9ller passaram por l\u00e1. E, com o fechamento dos teatros Galp\u00e3o e Galp\u00e3ozinho, no in\u00edcio da d\u00e9cada de 1980, o movimento cultural foi transferido para o Sesc da 913 Sul. A Feira de M\u00fasica e o Jogo de Cena, apresentado por H\u00e9lder e Pipo, se mudaram para l\u00e1.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>N\u00e3o era preciso ter um curr\u00edculo consolidado para se apresentar no Garagem. Bastava a aud\u00e1cia e a vontade de fazer. Assisti com uma pequena plateia a um show muito inventivo do grupo M\u00fasica-\u00c0-Tentativa, liderado por Jo\u00e3o Rochael, que aliava artes c\u00eanicas e experimentalismo sonoro, com instrumentos de material reciclado criados por M\u00e1rcio Vieira. Na plateia, estavam Marcelo Ber\u00e9 e Luciano Porto, do Udigrudi.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais tarde, as duas experi\u00eancias se fundiriam no Udigrudi, que decolaria em carreira internacional, depois de ganhar o <span style=\"font-family: Times New Roman, serif\"><span style=\"font-size: medium\">Herald Angel, pr\u00eamio principal do Festival de Fringe de Edimburgo, na Esc\u00f3cia, o mais importante evento de teatro do mundo.<\/span><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Maria Duarte est\u00e1 nos bastidores de todas essas experi\u00eancias da cultura brasiliense na d\u00e9cada de 1980. Tinha alma coletiva. Ela era s\u00e9ria, mas amiga da cultura, da experimenta\u00e7\u00e3o e da festa.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; Existem pessoas no mundo da cultura que n\u00e3o t\u00eam a pretens\u00e3o se colocar no primeiro plano da cena. Mas elas s\u00e3o importantes para fazerem a cultura acontecer. Maria Duarte, que nos deixou na semana passada, aos 85 anos, integrava esse grupo. 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