{"id":1257,"date":"2020-08-12T13:41:50","date_gmt":"2020-08-12T16:41:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1257"},"modified":"2020-08-12T13:41:50","modified_gmt":"2020-08-12T16:41:50","slug":"dulcina-resiste","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/dulcina-resiste\/","title":{"rendered":"Dulcina resiste"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_1258\" aria-describedby=\"caption-attachment-1258\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1258\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT161120070291.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"603\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT161120070291.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT161120070291-300x226.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT161120070291-768x579.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT161120070291-550x415.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT161120070291-230x173.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1258\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Arquivo CB\/D.A Press. Dulcina de Moraes: ela encarnava a paix\u00e3o e a resist\u00eancia do teatro.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Como todas as institui\u00e7\u00f5es particulares de ensino, a Faculdade Dulcina viveu (e ainda vive) um momento dram\u00e1tico durante a pandemia. Havia o receio de que os alunos debandassem e, com isso, inviabilizassem o funcionamento da institui\u00e7\u00e3o. Afinal, ela trabalha com as artes c\u00eanicas, que s\u00e3o, essencialmente, presenciais.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O que distingue a arte ancestral do teatro \u00e9 o fato de ser um acontecimento \u00fanico, corpo a corpo, olho no olho. Mas, imbu\u00eddos pela paix\u00e3o do teatro e pelo esp\u00edrito de resist\u00eancia de Dulcina, os professores fizeram da pandemia um tema de aprendizagem sobre a cultura e sobre a vida para os alunos. \u00c9 preciso resistir \u00e0 tormenta e manter a escola funcionando.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Liguei para o diretor e professor Fernando Guimar\u00e3es para saber not\u00edcias da Faculdade Dulcina. A institui\u00e7\u00e3o precisa de ajuda, mas o fato \u00e9 de que, contra todas as previs\u00f5es, sobrevive. V\u00e1rios alunos novos fizeram o vestibular e poucos dos antigos desistiram.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O trabalho de convencimento dos professores funcionou. Eles se empenham, permanentemente, em manter viva a mem\u00f3ria da luta de Dulcina de Moraes para instalar e manter uma faculdade de teatro na capital do pa\u00eds. Dulcina era uma mulher divertida, el\u00e9trica, carism\u00e1tica e magnetizadora. O teatro estava no sangue.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Todos que se aproximaram dela foram tocados por sua paix\u00e3o pelo teatro. Fernanda Montenegro, Mar\u00edlia Pera, Nicete Bruno s\u00e3o algumas atrizes que a tiveram como refer\u00eancia essencial. Somente essa a\u00e7\u00e3o j\u00e1 a distinguiria na hist\u00f3ria do teatro brasileiro.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Quando resolveu vir para Bras\u00edlia, Dulcina estava no \u00e1pice da carreira de atriz e de empres\u00e1ria do teatro que levava o seu nome no Rio de Janeiro. Mas ela trocou a comodidade pela aventura na poeira dos tempos inaugurais de Bras\u00edlia. Nunca se arrependeu, apesar de nunca ser agraciada pelos governantes com o apoio que merecia.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1259\" aria-describedby=\"caption-attachment-1259\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1259\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT080220170849.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"465\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT080220170849.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT080220170849-300x174.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT080220170849-768x446.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT080220170849-550x320.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/08\/CBPFOT080220170849-230x134.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1259\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Arthur Menescal\/Esp.CB\/D.A.Press. A figura carism\u00e1tica de Dulcina mobiliza os jovens.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Dulcina tinha uma f\u00e9 no teatro capaz de abalar montanhas de entraves. E essa f\u00e9 permanece viva nos professores e alunos. Dulcina engrandece e inspira. No semestre passado, Fernando Guimar\u00e3es lan\u00e7ou o projeto do filme <i>N\u00e3o \u00e9 preciso ser feliz para recome\u00e7ar, <\/i>concebido a partir da fic\u00e7\u00e3o A peste, de Albert Camus.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O filme foi exibido na reabertura do Cine Drive-in com a cobran\u00e7a de ingressos e foi muito bem recebido pelo p\u00fablico. Marcou um momento da resist\u00eancia da Faculdade Dulcina. A fita mistura fic\u00e7\u00e3o e realidade, a ponto de o diretor do filme receber in\u00fameras manifesta\u00e7\u00f5es de p\u00easames em raz\u00e3o da suposta perda de entes queridos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>No novo semestre, as aulas continuar\u00e3o a ser ministradas em sistema virtual on-line. Para Fernando, Faculdade Dulcina \u00e9 uma li\u00e7\u00e3o de resist\u00eancia e funciona como exemplo. Nenhuma outra institui\u00e7\u00e3o \u00e9 mais ferrada. Deve ser o esp\u00edrito de Dulcina pairando. Ela \u00e9 a encarna\u00e7\u00e3o da resist\u00eancia e da paix\u00e3o pelo teatro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; Severino Francisco &nbsp; Como todas as institui\u00e7\u00f5es particulares de ensino, a Faculdade Dulcina viveu (e ainda vive) um momento dram\u00e1tico durante a pandemia. Havia o receio de que os alunos debandassem e, com isso, inviabilizassem o funcionamento da institui\u00e7\u00e3o. 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