{"id":1200,"date":"2020-07-22T15:26:05","date_gmt":"2020-07-22T18:26:05","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1200"},"modified":"2020-07-22T15:26:05","modified_gmt":"2020-07-22T18:26:05","slug":"conversa-com-clarice-2","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/conversa-com-clarice-2\/","title":{"rendered":"Conversa com Clarice 2"},"content":{"rendered":"<figure id=\"attachment_327\" aria-describedby=\"caption-attachment-327\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-327\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/08\/CBNFOT040820170836.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1171\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/08\/CBNFOT040820170836.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/08\/CBNFOT040820170836-205x300.jpg 205w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/08\/CBNFOT040820170836-768x1124.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/08\/CBNFOT040820170836-700x1024.jpg 700w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/08\/CBNFOT040820170836-550x805.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2017\/08\/CBNFOT040820170836-230x337.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-327\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Edusp\/Reprodu\u00e7\u00e3o. Clarice Lispector, imagem do livro<em> Clarice: Uma vida que se conta,<\/em> de N\u00e1dia Battella Gotlib.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Na passagem dos 100 anos de Clarice Lispector, esta coluna conseguiu nova entrevista medi\u00fanica com a autora de A paix\u00e3o segundo G.H. Fala, Clarice!<\/p>\n<p><b>Clarice, como voc\u00ea se definiria?<\/b><\/p>\n<p>Sou uma t\u00edmida audaz. Tudo que consegui na vida foi \u00e0 custa de ousadias, embora pequenas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Escrever \u00e9 destino?<\/b><\/p>\n<p>Escrever \u00e9 tamb\u00e9m aben\u00e7oar uma vida que n\u00e3o foi aben\u00e7oada. Escolhi escrever talvez porque para as outras voca\u00e7\u00f5es eu precisasse um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado \u00e9 a pr\u00f3pria vida se vivendo em n\u00f3s e ao redor de n\u00f3s.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Qual o lugar do amor em sua vida?<\/b><\/p>\n<p>Amar os outros \u00e9 a \u00fanica salva\u00e7\u00e3o individual que conhe\u00e7o: ningu\u00e9m estar\u00e1 perdido se der amor e \u00e0s vezes receber amor em troca. Amar n\u00e3o acaba.<\/p>\n<p><b>A vida te tratou bem?<\/b><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Oh! Deus, eu j\u00e1 fui muito ferida. Mas a quanta gente tenho de agradecer. Tenho recebido olhares que valem por uma reza.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>O que mais a inquieta?<\/b><\/p>\n<p>Ah, como me inquieta n\u00e3o conseguir viver o melhor, e assim poder enfim morrer o melhor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea passou a imagem de ser<\/b> <b>uma mulher enigm\u00e1tica&#8230;<\/b><\/p>\n<p>Eu s\u00f3 sei ser \u00edntima em todas as circunst\u00e2ncias da minha vida. Por isso, sou t\u00e3o calada.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Como foi o seu encontro com a esfinge no Egito?<\/b><\/p>\n<p>Olhei, n\u00e3o a decifrei, mas, tamb\u00e9m, ela n\u00e3o me decifrou.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Ao mesmo tempo, voc\u00ea dedicou import\u00e2ncia a atos considerados fr\u00edvolos, tais como o de perfumar-se&#8230;<\/b><\/p>\n<p>Eu me perfumo para intensificar o que sou. Por isso, n\u00e3o posso usar perfumes que me contrariem. Perfumar-se \u00e9 uma sabedoria instintiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea nasceu na Ucr\u00e2nia, mas veio para o Brasil quando tinha poucos meses de vida. Afinal, voc\u00ea se considera russa ou brasileira?<\/b><\/p>\n<p>Evidentemente, sou uma brasileira. E n\u00e3o admito que se pense o contr\u00e1rio. Fiz da l\u00edngua portuguesa a minha vida interior, o pensamento mais \u00edntimo, usei-a para palavras de amor.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Por que sabemos t\u00e3o pouco de Deus?<\/b><\/p>\n<p>Se s\u00f3 sabemos muito pouco de Deus, \u00e9 porque precisamos pouco: s\u00f3 temos Dele o que fatalmente nos basta. Venha, Deus, venha. Mesmo que eu n\u00e3o mere\u00e7a, venha.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea passou, rapidamente, por Bras\u00edlia. O que foi Bras\u00edlia em sua vida?<\/b><\/p>\n<p>Bras\u00edlia \u00e9 o inferno paradis\u00edaco. A luz de Bras\u00edlia fere meu pudor feminino.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><b>Voc\u00ea se tornou famosa e at\u00e9 cultivada nas redes sociais. \u00c9 bom ser t\u00e3o famosa?<\/b><\/p>\n<p>Tantos querem a proje\u00e7\u00e3o. Sem saber como esta limita a vida. O anonimato \u00e9 suave como um sonho. Eu estou precisando desse sonho.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Severino Francisco &nbsp; Na passagem dos 100 anos de Clarice Lispector, esta coluna conseguiu nova entrevista medi\u00fanica com a autora de A paix\u00e3o segundo G.H. Fala, Clarice! Clarice, como voc\u00ea se definiria? Sou uma t\u00edmida audaz. Tudo que consegui na vida foi \u00e0 custa de ousadias, embora pequenas. &nbsp; Escrever \u00e9 destino? 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