{"id":1064,"date":"2020-06-02T10:29:13","date_gmt":"2020-06-02T13:29:13","guid":{"rendered":"http:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/?p=1064"},"modified":"2020-06-02T10:29:13","modified_gmt":"2020-06-02T13:29:13","slug":"diario-da-alma","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/diario-da-alma\/","title":{"rendered":"Di\u00e1rio da alma"},"content":{"rendered":"<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_1065\" aria-describedby=\"caption-attachment-1065\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1065\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-2.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"1203\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-2.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-2-200x300.jpg 200w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-2-768x1155.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-2-681x1024.jpg 681w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-2-550x827.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-2-230x346.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1065\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Let\u00edcia Verdi\/Divulga\u00e7\u00e3o. Maria L\u00facia Verdi: poesia que toca no amor, na finitude, no sil\u00eancio, na fragilidade e no mist\u00e9rio.<\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Severino Francisco<\/strong><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cPoesia como di\u00e1rio\/n\u00e3o escrito\u201d, escreve Maria L\u00facia em um dos poemas do \u00faltimo livro, <i>Em voz baixa<\/i> (Iluminuras). \u00c9 quase uma senha para ler a sua poesia. Ela escreve uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio da alma, numa montagem de versos fragmentados, cr\u00f4nicas po\u00e9ticas e frases soltas, no limiar da prosa: \u201cComo dizem os \u00edndios Krenak, \u00e9 preciso segurar o c\u00e9u\/atrav\u00e9s da conex\u00e3o do corpo e da mente com a natureza em\/torno e com o cosmos \u2014 se nos desconectamos, ele cai\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Mais do que nunca, neste momento, precisamos, dramaticamente, de ilumina\u00e7\u00f5es, de transcend\u00eancias e de beleza para manter a nossa sanidade mental. A poesia de Maria L\u00facia Verdi parte de situa\u00e7\u00f5es triviais, mas toca no amor, na finitude, no sil\u00eancio, na fragilidade e no mist\u00e9rio.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1066\" aria-describedby=\"caption-attachment-1066\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1066\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Pitanga-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"524\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Pitanga-1-1.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Pitanga-1-1-300x197.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Pitanga-1-1-768x503.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Pitanga-1-1-550x360.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Pitanga-1-1-230x151.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1066\" class=\"wp-caption-text\"><strong>Cr\u00e9dito: Iano Andrade\/CB. Pitangueira no Sudoeste: presen\u00e7a cotidiana em Bras\u00edlia.<br \/><\/strong><\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O ato prosaico de catar pitangas (minha fruta predileta) \u00e9 ritualizado em um lindo poema: \u201ccatar pitangas, mais que colher\/catar primeiro com o olhar o tom certo do maduro\/buscar a que se desprender\u00e1 ao mais leve toque, quase sopro\/n\u00e3o ser enganado pela luz \u2013 a madurez, \u00e0s vezes\/quest\u00e3o de \u00e2ngulo\/buscar o rubi pleno a\/forma j\u00e1 plena.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>O prazer das pitangas come\u00e7a na contempla\u00e7\u00e3o, passa aos dedos e chega \u00e0 boca, em uma escala de sensorialidade, delicadeza e fugacidade. \u00c9 prazer multiplicado pela poesia. Os versos dela t\u00eam algo da essencialidade oriental: \u201capenas as que se soltam\/desmaiadas entre os dedos leves, est\u00e3o prontas para a boca\/a l\u00edngua, o nem mastigar\/mant\u00ea-las na boca por um tempo, ainda que brev\u00edssimo\/catar pitangas como as catadoras de ch\u00e1 na China\/as infinitamente delicadas\u201d.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Nascida em Porto Alegre, Maria L\u00facia aterrissou em Bras\u00edlia aos 16 anos. Mas \u00e9 uma ga\u00facha brasiliense e cidad\u00e3 do mundo. Em raz\u00e3o do trabalho de oficial de chancelaria do Itamaraty, viveu em Roma, em Pequim e em Buenos Aires. Isso tamb\u00e9m \u00e9 muito brasiliense. Est\u00e1 sempre atenta, sempre fazendo conex\u00f5es e promovendo encontros.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Depois de retornar a Bras\u00edlia, Verdi criou o projeto Poesia do Mundo, uma esp\u00e9cie de sarau para a leitura de poetas universais, na l\u00edngua de origem e em tradu\u00e7\u00f5es. O projeto caminha para a s\u00e9tima edi\u00e7\u00e3o. Ela tem verdadeira devo\u00e7\u00e3o pela poesia e n\u00e3o permite que ningu\u00e9m bata palmas durante a sess\u00e3o de leitura. A maior homenagem \u00e9 a escuta atenta e silenciosa.<\/p>\n<p>Os poetas Cacaso e Francisco Alvim, a contista e cr\u00edtica Vilma Areias e o cr\u00edtico Oswaldino Marques Alvim saudaram a poesia existencial, meditativa e epif\u00e2nica de Verdi: \u201cCertamente os longos per\u00edodos vividos no exterior contribu\u00edram para esse relativo desconhecimento de sua obra entre n\u00f3s\u201d, escreve Vilma, no posf\u00e1cio do livro <i>Em voz baixa<\/i>. Maria L\u00facia Verdi \u00e9 uma poeta de Bras\u00edlia e do Brasil.<\/p>\n<figure id=\"attachment_1068\" aria-describedby=\"caption-attachment-1068\" style=\"width: 800px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-1068\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"800\" height=\"598\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-1-1.jpg 800w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-1-1-300x224.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-1-1-768x574.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-1-1-550x411.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-content\/uploads\/sites\/29\/2020\/05\/Maria-L\u00facia-Verdi-1-1-230x172.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 800px) 100vw, 800px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-1068\" class=\"wp-caption-text\">Credito: Arquivo Pessoal. Colagens do artista pl\u00e1stico Yuri Hermusche para o livro <em>Em voz baixa,<\/em> de Maria L\u00facia Verdi.<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ela escava a pr\u00f3pria voz na poesia em um paciente e duro embate. Escreve e reescreve incessantemente em busca da forma mais decantada. Cenas triviais ganham dramaticidade e se revestem de um novo sentido sob a luz da poesia: \u201cSempre que eu te pedir \u00e1gua\/me traga um copo bem cheio\/estenda a m\u00e3o devagar\/olhe nos meus olhos\/naquele lugar seco\/que pede \u00e1gua\/Tenha, mas n\u00e3o demonstre\/a terna compaix\u00e3o\/dos amigos\/Estenda a m\u00e3o em sil\u00eancio\/aguarde que a minha\/atravesse o deserto\/alcance o copo\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&nbsp; &nbsp; Severino Francisco &nbsp; \u201cPoesia como di\u00e1rio\/n\u00e3o escrito\u201d, escreve Maria L\u00facia em um dos poemas do \u00faltimo livro, Em voz baixa (Iluminuras). \u00c9 quase uma senha para ler a sua poesia. Ela escreve uma esp\u00e9cie de di\u00e1rio da alma, numa montagem de versos fragmentados, cr\u00f4nicas po\u00e9ticas e frases soltas, no limiar da prosa: \u201cComo dizem os \u00edndios Krenak, \u00e9 [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":73,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2],"tags":[],"class_list":["post-1064","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-cronicas"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1064","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/users\/73"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=1064"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/1064\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=1064"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=1064"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/severino\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=1064"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}