{"id":777,"date":"2016-01-15T15:12:50","date_gmt":"2016-01-15T17:12:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=777"},"modified":"2016-01-15T15:12:50","modified_gmt":"2016-01-15T17:12:50","slug":"souza-cruz-e-proibida-de-atuar-no-rn-por-suspeita-de-trabalho-escravo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/souza-cruz-e-proibida-de-atuar-no-rn-por-suspeita-de-trabalho-escravo\/","title":{"rendered":"SOUZA CRUZ \u00c9 PROIBIDA DE ATUAR NO RN POR SUSPEITA DE TRABALHO ESCRAVO"},"content":{"rendered":"<p><em>Liminar concedida resulta de a\u00e7\u00e3o do MPT\/RN, motivada por den\u00fancias de fraude trabalhista\u00a0 em Brejinho<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>L\u00edder nacional na produ\u00e7\u00e3o de cigarros, a Souza Cruz est\u00e1 impedida de firmar novos contratos de compra e venda de tabaco no Rio Grande do Norte, sob pena de multa di\u00e1ria de R$ 10 mil. A decis\u00e3o liminar da 4\u00aa Vara do Trabalho de Natal resulta de a\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho (MPT\/RN), motivada por den\u00fancia sigilosa que revela fraude trabalhista e situa\u00e7\u00e3o de trabalho an\u00e1logo \u00e0 escravid\u00e3o, na regi\u00e3o de Brejinho (RN), envolvendo tais contratos.<\/p>\n<p>Para o procurador do Trabalho Jos\u00e9 Diniz de Moraes, que assina a a\u00e7\u00e3o, \u201co contrato acabava por transferir todos os riscos e custos da produ\u00e7\u00e3o ao agricultor, al\u00e9m de tratar-se de um esquema utilizado pela Souza Cruz com intuito de ocultar rela\u00e7\u00e3o econ\u00f4mica equiparada \u00e0 empregat\u00edcia e se furtar das obriga\u00e7\u00f5es trabalhistas e previdenci\u00e1rias\u201d, conta.<\/p>\n<p>Com a decis\u00e3o, assinada pela ju\u00edza do Trabalho Anne de Carvalho Cavalcanti, foi reconhecida a fraude na rela\u00e7\u00e3o de trabalho, realizada atrav\u00e9s de contrato bilateral fict\u00edcio de compra e venda de folhas de tabaco, que na realidade beneficiava apenas a Souza Cruz e dava margem a condi\u00e7\u00f5es de trabalho semelhantes \u00e0 escravid\u00e3o. Esse tipo de contrato agora est\u00e1 proibido de ser firmado pela empresa no estado.<\/p>\n<p><strong>Esquema<\/strong> &#8211; Fiscaliza\u00e7\u00e3o da Superintend\u00eancia Regional do Trabalho e Emprego constatou que a empresa aliciava agricultores, em Brejinho (RN), para que firmassem os contratos, iludindo-os com promessas de vantagens econ\u00f4micas imposs\u00edveis de concretiza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Eles eram obrigados a contrair financiamento banc\u00e1rio no valor de R$ 11.700,00, destinado \u00e0 aquisi\u00e7\u00e3o de equipamento de secagem, que custava R$ 8.700,00, e constru\u00e7\u00e3o de estufa de alvenaria. Como o financiamento n\u00e3o era bastante para iniciar a planta\u00e7\u00e3o, uma segunda d\u00edvida era contra\u00edda, diretamente com a Souza Cruz, para custear os insumos da produ\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Dessa forma, a empresa fornecia tudo, de sementes at\u00e9 fertilizantes e agrot\u00f3xicos, para pagamento na colheita. \u201cTais d\u00edvidas asseguravam a depend\u00eancia econ\u00f4mica do agricultor por muitos anos, chegando a sujeitar os trabalhadores rurais \u00e0s condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas a de escravos, pr\u00e1tica conhecida como servid\u00e3o por d\u00edvida\u201d, explica o procurador do Trabalho.<\/p>\n<p>Conforme apurado, al\u00e9m de intermediar o financiamento, a pr\u00f3pria Souza Cruz vende os insumos, fiscaliza a produ\u00e7\u00e3o, \u00e9 tamb\u00e9m quem classifica o produto e determina o pre\u00e7o final, para seu fornecimento exclusivo.<\/p>\n<p>\u201cAs folhas n\u00e3o eram pesadas em Brejinho, mas na sede da empresa em Patos (PB), distante e jamais acompanhada pelos trabalhadores, que reclamavam dos pesos verificados, sempre bem menores do que o esperado, mas nada podiam fazer para contest\u00e1-los\u201d, narra a a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Os ganhos eram inferiores aos apontados em materiais promocionais da companhia, sendo a produtividade superdimensionada e nunca alcan\u00e7ada na regi\u00e3o. De acordo com o procurador, \u201cos agricultores praticamente pagavam para trabalhar, com gastos muito mais altos do que os valores irris\u00f3rios recebidos pela venda, fazendo com que trabalhassem apenas para pagar a d\u00edvida contra\u00edda e ainda assim sem conseguir nunca o suficiente para quitar\u201d.<\/p>\n<p>Ao relatar o preju\u00edzo sofrido com o cultivo do fumo, uma das testemunhas contou que deve a agiota, que precisou vender o boi da carro\u00e7a e trabalhar por fora, pois faltou dinheiro para pagar os trabalhadores e garantir o sustento da fam\u00edlia, a ponto de passar necessidade, sendo acolhido pelos pais, enquanto era pressionado pela Souza Cruz.<\/p>\n<p><strong>Preju\u00edzos &#8211; <\/strong><strong>D<\/strong>epoimentos confirmam, ainda, que a aplica\u00e7\u00e3o de agrot\u00f3xicos era realizada sem treinamento devido e sem uso adequado de Equipamento de Prote\u00e7\u00e3o Individual, cuja distribui\u00e7\u00e3o era insuficiente. &#8220;Ao todo, cerca de 10 agricultores trabalhavam no cultivo de um lote, mas era distribu\u00eddo apenas um conjunto individual de EPI, e descart\u00e1vel, portanto, quantitativamente insatisfat\u00f3rio e absolutamente inadequado ao reuso&#8221;, argumenta o procurador.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, durante a planta\u00e7\u00e3o, manuseio e coleta, as folhas soltavam uma esp\u00e9cie de musgo (seiva), que em contato com a pele causava irrita\u00e7\u00e3o e mal-estar, sintomas caracter\u00edsticos da doen\u00e7a da \u201cfolha verde\u201d. No processo da secagem, a empresa exigia que a estufa fosse alimentada com lenha 24h por dia, por aproximadamente 3 dias ininterruptos, para manter a temperatura elevada est\u00e1vel e garantir a qualidade do produto.<\/p>\n<p>Segundo relatos, as altas temperaturas somadas aos vapores do fumo e dos agrot\u00f3xicos, resultavam em adoecimentos constantes dos agricultores, v\u00edtimas de doen\u00e7as de pele, g\u00e1stricas, diarreias e doen\u00e7as respirat\u00f3rias, que repercutem at\u00e9 os dias atuais, bem como de intoxica\u00e7\u00e3o, n\u00e1useas, v\u00f4mito, c\u00f3lica abdominal, fraqueza, tontura e dores de cabe\u00e7a.<\/p>\n<p>A a\u00e7\u00e3o alerta que em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 produ\u00e7\u00e3o e \u00e0 qualidade do produto, as exig\u00eancias eram criteriosas, mas, quando se tratou de resguardar a sa\u00fade e seguran\u00e7a do trabalhador, a Souza Cruz negligenciou aten\u00e7\u00e3o ao treinamento e uso dos EPIs. \u201cMais uma vez observa-se o desprezo com a dignidade do trabalhador, exposto a agentes nocivos do cultivo da folha de fumo sem prote\u00e7\u00e3o, o que exige uma repara\u00e7\u00e3o\u201d, defende o procurador do Trabalho.<\/p>\n<p>A empresa denunciada foi intimada v\u00e1rias vezes para comparecer a audi\u00eancias na sede do MPT\/RN, mas n\u00e3o compareceu, nem apresentou manifesta\u00e7\u00e3o, apesar de devidamente notificada.<\/p>\n<p><b>A\u00e7\u00e3o<\/b> &#8211; Diante das irregularidades cometidas, o MPT\/RN ajuizou a a\u00e7\u00e3o que pede uma condena\u00e7\u00e3o final da Souza Cruz no valor de R$ 5 milh\u00f5es pelo dano moral coletivo causado. Tamb\u00e9m \u00e9 requerido o ressarcimento de R$ 100 mil por trabalhador envolvido, \u201ca t\u00edtulo de horas trabalhadas, uso da terra, plantio, secagem, empr\u00e9stimos, vendas casadas de produtos agr\u00edcolas e fraudes nas rela\u00e7\u00f5es de trabalho\u201d, destaca.<\/p>\n<p>N\u00ba ACP: 0001425-21.2015.5.21.0004<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Liminar concedida resulta de a\u00e7\u00e3o do MPT\/RN, motivada por den\u00fancias de fraude trabalhista\u00a0 em Brejinho &nbsp; L\u00edder nacional na produ\u00e7\u00e3o de cigarros, a Souza Cruz est\u00e1 impedida de firmar novos contratos de compra e venda de tabaco no Rio Grande do Norte, sob pena de multa di\u00e1ria de R$ 10 mil. 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