{"id":7660,"date":"2017-12-06T12:02:02","date_gmt":"2017-12-06T14:02:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=7660"},"modified":"2017-12-06T12:02:02","modified_gmt":"2017-12-06T14:02:02","slug":"71-dos-brasileiros-querem-que-os-muito-ricos-paguem-mais-impostos-para-financiar-educacao-saude-e-moradia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/71-dos-brasileiros-querem-que-os-muito-ricos-paguem-mais-impostos-para-financiar-educacao-saude-e-moradia\/","title":{"rendered":"71% dos brasileiros querem que os muito ricos paguem mais impostos para financiar educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia"},"content":{"rendered":"<p><em>A maior parte dos brasileiros se declara favor\u00e1vel ao aumento de impostos no pa\u00eds desde que seja aplicado apenas aos \u201cmuito ricos\u201d para financiar melhorias nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia, segundo dados da <a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/sites\/default\/files\/arquivos\/pesquisa_Oxfam_Datafolha_Nos_desigualdades.pdf\"> pesquisa Oxfam Brasil\/Datafolha<\/a>, lan\u00e7ada nesta quarta-feira (6\/12).<\/em><\/p>\n<p>Para 71% dos entrevistados, \u00e9 preciso desonerar a classe m\u00e9dia e os mais pobres em prol de uma maior tributa\u00e7\u00e3o da renda dos \u201cmuito ricos\u201d. Al\u00e9m disso, 72% apoiam a redu\u00e7\u00e3o da carga indireta de impostos (aqueles cobrados sobre o consumo) e aumento da carga direta (sobre renda) para as pessoas de alt\u00edssima renda.<\/p>\n<p>A forma de desigualdade mais percebida pela popula\u00e7\u00e3o \u00e9 a de renda: 91% dos entrevistados concordam que, no Brasil, \u201cpoucas pessoas ganham muito dinheiro enquanto muitos ganham pouco\u201d.<\/p>\n<p>A Oxfam Brasil considera os \u201cmuito ricos\u201d como aqueles pertencentes ao 0,1% da popula\u00e7\u00e3o, com ganhos a partir de 80 sal\u00e1rios m\u00ednimos mensais.<\/p>\n<p>A pesquisa do Oxfam Brasil\/Datafolha ouviu 2.025 pessoas em todo o pa\u00eds, em agosto de 2017.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.oxfam.org.br\/sites\/default\/files\/arquivos\/pesquisa_Oxfam_Datafolha_Nos_desigualdades.pdf\">Leia aqui nossa nota informativa &#8220;N\u00f3s e as Desigualdades&#8221;<\/a> sobre os resultados da pesquisa Oxfam Brasil\/Datafolha.<\/p>\n<p>E tamb\u00e9m:<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/opiniao\/2017\/12\/1940925-desigualdade-no-brasil-onde-voce-esta.shtml\">Artigo Desigualdades no Brasil, onde voc\u00ea est\u00e1?<\/a>, assinado por Katia Maia, diretora executiva da Oxfam Brasil, e Oded Grajew, presidente do Conselho Deliberativo da Oxfam Brasil, publicado nesta quarta-feira (6\/12) na Folha de S. Paulo.<\/p>\n<p><a href=\"http:\/\/www1.folha.uol.com.br\/mercado\/2017\/12\/1940971-9-em-cada-10-brasileiros-acham-que-estao-entre-metade-mais-pobre-do-pais.shtml?utm_source=twitter&amp;utm_medium=social&amp;utm_campaign=twfolha\">Reportagem 9 em cada 10 brasileiros acham que est\u00e3o entre metade mais pobre do pa\u00eds<\/a>, publicada nesta quarta-feira (6\/12) na Folha de S. Paulo, sobre os resultados da pesquisa N\u00f3s e as Desigualdades, da Oxfam Brasil\/Datafolha.<\/p>\n<p>O resultado do levantamento Oxfam Brasil\/Datafolha ganha ainda mais for\u00e7a \u00e0 luz de dados como os da Receita Federal, que apontam que os muito ricos brasileiros t\u00eam grande isen\u00e7\u00e3o de impostos. O grupo que comp\u00f5e o 0,1% da popula\u00e7\u00e3o brasileira tem 66% de isen\u00e7\u00e3o de impostos. J\u00e1 a classe m\u00e9dia (que recebe entre 3 e 20 sal\u00e1rios m\u00ednimos), tem apenas 17% de isen\u00e7\u00e3o, em m\u00e9dia.<\/p>\n<p>Dados do relat\u00f3rio A Dist\u00e2ncia Que Nos Une, lan\u00e7ado pela Oxfam Brasil em setembro passado, d\u00e3o ainda maior peso aos resultados da pesquisa Oxfam Brasil\/Datafolha. De acordo com o relat\u00f3rio, um trabalhador que vive com um sal\u00e1rio m\u00ednimo mensal no Brasil levaria 19 anos para ganhar o que um muito rico ganha em um m\u00eas. E mais: 5% da popula\u00e7\u00e3o tem a mesma fatia da renda nacional que os demais 95%.<\/p>\n<p>A pesquisa Oxfam Brasil\/Datafolha tamb\u00e9m revela que a maioria das pessoas desconhece seu lugar na pir\u00e2mide social, subestimando a classifica\u00e7\u00e3o da sua renda no conjunto de todos os brasileiros. Metade dos entrevistados (47%) acredita que \u00e9 necess\u00e1ria uma renda mensal superior a R$ 20 mil para compor o grupo dos 10% mais ricos do Pa\u00eds.<\/p>\n<p>Contudo, a \u00faltima Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio (PNAD\/IBGE, 2015) mostra que as pessoas que recebem R$ 20 mil representa apenas 1% da popula\u00e7\u00e3o. Curioso notar que a falsa premissa \u00e9 repetida mais vezes pelos que ganham mais do que 5 sal\u00e1rios m\u00ednimos (68%). \u201cPara a popula\u00e7\u00e3o de alta renda, os ricos s\u00e3o os outros\u201d, diz o estudo da Oxfam Brasil.<\/p>\n<p>Numa escala de renda que varia de 0 a 100 \u2013 sendo 0 o mais pobre e 100 o mais rico \u2013, o estudo revela que 40% dos entrevistados acreditam que fazem parte do pior grupo de renda do pa\u00eds, de 0 a 25. Se somarmos essas pessoas aos que imaginam estar no segundo quartil da escala de pobreza (25-50), veremos que 88% da popula\u00e7\u00e3o imagina pertencer \u00e0 metade mais pobre do Brasil. Apenas 10% da popula\u00e7\u00e3o se enxerga no patamar acima (50-75) e 2% afirmam fazer parte do topo da pir\u00e2mide social (grupo 75-100).<\/p>\n<p>Essa percep\u00e7\u00e3o tamb\u00e9m contrasta com as estat\u00edsticas reais. A faixa dos 20% mais ricos tem in\u00edcio numa renda familiar per capita (isto \u00e9, a soma de todos os ganhos da fam\u00edlia divididos pelo seu n\u00famero de membros) a partir de R$ 1.433, de acordo com a mesma PNAD.<\/p>\n<p>\u201cEsse imenso contingente de brasileiros com baixa renda esconde a dimens\u00e3o da desigualdade existente no Pa\u00eds\u201d, afirma Katia Maia, diretora-executiva da Oxfam Brasil. \u201cAs pessoas t\u00eam a impress\u00e3o de que est\u00e3o numa situa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil, quando na verdade h\u00e1 camadas muito mais pobres do que ela\u201d, explica. Para Katia, quando a sociedade n\u00e3o consegue se localizar na pir\u00e2mide social, a luta contra a desigualdade perde a for\u00e7a.<\/p>\n<p>A pesquisa do Oxfam Brasil\/Datafolha ouviu 2.025 pessoas em todo o pa\u00eds, em agosto de 2017. A seguir, alguns resultados do estudo:<\/p>\n<ul>\n<li>Apesar de avan\u00e7os nos indicadores sociais nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas, 58% da popula\u00e7\u00e3o consultada acredita que nada ou pouco mudou no quesito desigualdade entre ricos e pobres.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Dois ter\u00e7os dos entrevistados acham que a diferen\u00e7a entre ricos e pobres n\u00e3o vai diminuir. O grupo formado por negros e pessoas de baixa renda revelou-se mais otimista.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>No geral, destacam-se como solu\u00e7\u00f5es para a desigualdade a oferta de empregos (71%), os investimentos p\u00fablicos em educa\u00e7\u00e3o (67%) e a reforma do sistema pol\u00edtico (61%). A faixa de alta renda defende mais a educa\u00e7\u00e3o (79%) e reforma no sistema pol\u00edtico (66%). J\u00e1 os que recebem at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo quer, relativamente, mais emprego (74%) e sa\u00fade (51%).<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Diante da afirma\u00e7\u00e3o de que \u201cos pobres, com muito esfor\u00e7o de trabalho, t\u00eam chances equivalentes aos ricos de alcan\u00e7ar uma vida bem-sucedida, 60% das pessoas discordam (ou discordam em parte) dessa premissa. Mas ainda h\u00e1 38% que acreditam na meritocracia plena (totalmente ou em parte).<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Para 50% dos entrevistados, \u00e9 falsa a afirma\u00e7\u00e3o de que \u201cos negros ganham menos do que os brancos por causa do racismo no Brasil\u201d. Dos que concordam com a frase, 56% eram negros.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>J\u00e1 na compara\u00e7\u00e3o salarial entre g\u00eaneros, houve um consenso maior: 57% concordam que \u201cas mulheres ganham menos pelo fato de serem mulheres\u201d, contra 41% de respostas contr\u00e1rias.<\/li>\n<\/ul>\n<ul>\n<li>Enquanto 84% das pessoas no Sudeste concordam que o Estado precisa promover maior igualdade entre as regi\u00f5es brasileiras, com essa afirma\u00e7\u00e3o, no Nordeste esse percentual cai para 78%.<\/li>\n<\/ul>\n<p>Solu\u00e7\u00f5es \u2013 Com base nesta pesquisa, a Oxfam Brasil reitera sua agenda de combate \u00e0s desigualdades, com foco em seis os eixos:<\/p>\n<p>1) TRIBUTA\u00c7\u00c3O &#8211; diminui\u00e7\u00e3o da incid\u00eancia de tributos indiretos; aumento dos tributos diretos; aumento do peso da tributa\u00e7\u00e3o sobre patrim\u00f4nio na arrecada\u00e7\u00e3o total; aumento da progressividade do IRPF para as camadas de rendas mais altas, criando faixas e respectivas al\u00edquotas; elimina\u00e7\u00e3o dos juros sobre capital pr\u00f3prio; fim da isen\u00e7\u00e3o sobre lucros e dividendos distribu\u00eddos; avan\u00e7o no combate a mecanismos de evas\u00e3o e elis\u00e3o fiscal; e fim de para\u00edsos fiscais;<\/p>\n<p>2) GASTOS SOCIAIS &#8211; or\u00e7amentos p\u00fablicos das esferas federal, estadual e municipal com recursos adequados para pol\u00edticas sociais, e que governos os executem; expans\u00e3o de gastos p\u00fablicos em educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade, assist\u00eancia social, saneamento, habita\u00e7\u00e3o e transporte p\u00fablico; revis\u00e3o do teto de gastos imposto pela Emenda Constitucional 95; e medidas que melhorem a qualidade do gasto p\u00fablico, tornando-o mais transparente, mais eficiente, mais progressivo e com efetiva participa\u00e7\u00e3o social;<\/p>\n<p>3) EDUCA\u00c7\u00c3O &#8211; dr\u00e1stico aumento na oferta de vagas em creches e escolas infantis, tanto pelo efeito educacional na crian\u00e7a quanto pelo papel de inclus\u00e3o da mulher no mercado de trabalho; prioriza\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas sobre a preocupante evas\u00e3o escolar \u2013 sobretudo de jovens negros \u2013 e a baixa qualidade do ensino p\u00fablico no Pa\u00eds; aumento do alcance do ensino superior, sobretudo para jovens negros e de baixa renda; e implementa\u00e7\u00e3o do Plano Nacional de Educa\u00e7\u00e3o, o PNE;<\/p>\n<p>4) COMBATE \u00c0 DISCRIMINA\u00c7\u00c3O &#8211; pol\u00edticas afirmativas para reverter o quadro de discrimina\u00e7\u00e3o e viol\u00eancia; maior inser\u00e7\u00e3o em ambientes excludentes, como universidades, servi\u00e7o p\u00fablico, mercado de trabalho, entre outros; combate \u00e0 viol\u00eancia institucional, sobretudo \u00e0 viol\u00eancia de policiais contra jovens negros e no atendimento \u00e0 sa\u00fade da mulher negra; e inclus\u00e3o da igualdade de g\u00eanero e valoriza\u00e7\u00e3o das diversidades nas pol\u00edticas p\u00fablicas como base fundamental para a supera\u00e7\u00e3o da discrimina\u00e7\u00e3o racial, de g\u00eanero e outras;<\/p>\n<p>5) MERCADO DE TRABALHO &#8211; direito ao exerc\u00edcio do trabalho decente no Brasil; revis\u00e3o da reforma trabalhista aprovada recentemente, nos pontos em que ocorreu perda de direitos; sal\u00e1rio m\u00ednimo em aumento cont\u00ednuo em termos reais;<\/p>\n<p>6) DEMOCRACIA &#8211; mecanismos de presta\u00e7\u00e3o de contas e transpar\u00eancia, incluindo uma efetiva regula\u00e7\u00e3o da atividade de lobby e o fortalecimento das inst\u00e2ncias de participa\u00e7\u00e3o da sociedade civil; combate \u00e0 corrup\u00e7\u00e3o, algo central para o fortalecimento do poder p\u00fablico como agente de redistribui\u00e7\u00e3o de renda, riqueza e servi\u00e7os; mudan\u00e7as no sistema pol\u00edtico, em debate amplo com a sociedade, no sentido de aprofundar nossa democracia, possibilitando a concretiza\u00e7\u00e3o das suas tr\u00eas dimens\u00f5es, representativa, participativa e direta.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A maior parte dos brasileiros se declara favor\u00e1vel ao aumento de impostos no pa\u00eds desde que seja aplicado apenas aos \u201cmuito ricos\u201d para financiar melhorias nas \u00e1reas de educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade e moradia, segundo dados da pesquisa Oxfam Brasil\/Datafolha, lan\u00e7ada nesta quarta-feira (6\/12). 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