{"id":7226,"date":"2017-10-30T15:15:02","date_gmt":"2017-10-30T17:15:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=7226"},"modified":"2017-10-30T15:15:02","modified_gmt":"2017-10-30T17:15:02","slug":"novas-regras-para-acoes-na-justica-partir-de-novembro-trabalhador-podera-ter-que-indenizar-empresa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/novas-regras-para-acoes-na-justica-partir-de-novembro-trabalhador-podera-ter-que-indenizar-empresa\/","title":{"rendered":"Novas regras para a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a &#8211; a partir de novembro, trabalhador poder\u00e1 ter que indenizar empresa"},"content":{"rendered":"<p><em>No pr\u00f3ximo m\u00eas de novembro, passam a vigorar as regras da reforma das leis trabalhistas. Entre os pontos mais pol\u00eamicos est\u00e1 a altera\u00e7\u00e3o para as a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a do Trabalho. Especialistas apontam as novidades como restri\u00e7\u00e3o, outros acreditam que as mudan\u00e7as s\u00e3o positivas para barrar o alto n\u00famero de processos que travam os tribunais, com pedidos exorbitantes e sem sentido<\/em><\/p>\n<p>Entre as principais altera\u00e7\u00f5es est\u00e1 sobre \u00e0s custas das a\u00e7\u00f5es. A nova lei estabelece, por exemplo, que o trabalhador que ingressar com uma a\u00e7\u00e3o na Justi\u00e7a do Trabalho ter\u00e1 de pagar os honor\u00e1rios da per\u00edcia se o resultado dela for desfavor\u00e1vel ao seu pedido, ainda que seja benefici\u00e1rio de Justi\u00e7a Gratuita. Atualmente, a Uni\u00e3o \u00e9 quem paga esta despesa.<\/p>\n<p>Outro ponto relevante \u00e9 sobre os honor\u00e1rios do advogado. Caso o trabalhador seja o perdedor da a\u00e7\u00e3o, ele dever\u00e1 pagar valores que podem variar at\u00e9 15% do valor da senten\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cCom rela\u00e7\u00e3o aos honor\u00e1rios advocat\u00edcios ou de sucumb\u00eancia, a nova lei diz que eles dever\u00e3o ser pagos pela parte perdedora, inclusive o trabalhador. Essa \u00e9 uma novidade. N\u00e3o existia no Direito do Trabalho\u201d, alerta o diretor do Instituto Mundo do Trabalho e professor da Funda\u00e7\u00e3o Santo Andr\u00e9, Antonio Carlos Aguiar.<\/p>\n<p>A advogada trabalhista Joelma Elias dos Santos, do escrit\u00f3rio Stuchi Advogados, explica que \u201cos honor\u00e1rios ser\u00e3o calculados com base no que a parte ganhou ou perdeu na a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u201cSe em uma reclama\u00e7\u00e3o trabalhista o trabalhador perder tudo aquilo que pediu ele ter\u00e1 que arcar com a totalidade dos honor\u00e1rios, estando a empresa isenta de qualquer pagamento e o mesmo ocorre em caso o empregado ganhe tudo o que foi pedido, a empresa arcara com a totalidade dos honor\u00e1rios e o empregado ficara isento. Tamb\u00e9m podem ocorrer casos em que tanto a empresa quanto o empregado ter\u00e3o que pagar honor\u00e1rios\u201d, informa a advogada.<\/p>\n<p>Joelma dos Santos tamb\u00e9m observa que, a partir de novembro, o advogado ter\u00e1 que produzir um pedido de forma apurada e detalhada. \u201cPor exemplo, o advogado ao realizar um pedido de horas extras, al\u00e9m de calcular o valor das horas extras propriamente ditas, ter\u00e1 que apurar individualmente cada um dos seus reflexos (DSR&#8217;s, 13\u00ba sal\u00e1rio, f\u00e9rias, FGTS, etc.), sob pena do pedido n\u00e3o ser julgado, caso os pedido n\u00e3o seja detalhado\u201d.<\/p>\n<p>O professor explica que foi aprovado na reforma que os honor\u00e1rios ser\u00e3o calculados conforme os pedidos perdidos na a\u00e7\u00e3o. \u201cOu seja: se o reclamante na sua inicial faz cinco pedidos (por exemplo, recebimento de horas extras, FGTS, adicional de insalubridade, etc.), mas ganha tr\u00eas e perde outros dois, ele ter\u00e1 de pagar os honor\u00e1rios da outra parte pelos dois pedidos perdidos, e n\u00e3o h\u00e1 compensa\u00e7\u00e3o. Os pedidos agora t\u00eam de ter valores expressos, o que significa dizer que dependendo do que se ganha e se perde, o processo pode custar caro para o trabalhador\u201d, revela<\/p>\n<p>Aguiar acredita que a nova lei tem esse ponto positivo, pois inibe uma enxurrada de pedidos sem proced\u00eancia. \u201cO processo fica mais s\u00e9rio e respons\u00e1vel. Somente aquilo que efetivamente acredita-se ter direito ir\u00e1 ser pleiteado judicialmente\u201d, crava.<\/p>\n<p>Na \u00f3tica do professor da p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o da PUC-SP e doutor em Direito do Trabalho, Ricardo Pereira de Freitas Guimar\u00e3es, essa nova regra inibir\u00e1 os advogados irrespons\u00e1veis que aproveitam a fragilidade do trabalhador para entrar com a\u00e7\u00f5es em pedidos sem sentido. \u201cSem d\u00favidas, a nova regulamenta\u00e7\u00e3o tornar\u00e1 o processo mais enxuto e sem pedidos mirabolantes e que n\u00e3o fazem parte da realidade do trabalhador na rela\u00e7\u00e3o com a empresa. Por este aspecto foi positivo\u201d.<\/p>\n<p>Entretanto, Freitas Guimar\u00e3es tamb\u00e9m ressalta que esta nova regra que onera o trabalhador em cada pedido n\u00e3o considerado pelos ju\u00edzes trabalhista um risco para o desenvolvimento da Justi\u00e7a. \u201cLogicamente, s\u00f3 saberemos os efeitos destas novas regras na pr\u00e1tica, mas, inicialmente, este tipo de regra cria um obst\u00e1culo para a jurisprud\u00eancia trabalhista. Isso porque o advogado pensar\u00e1 duas vezes antes de propor uma nova tese, pois, se perder, prejudicar\u00e1 o seu cliente, o trabalhador\u201d, analisa.<\/p>\n<p><strong>M\u00e1-f\u00e9<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m da quest\u00e3o do pagamento relativo perdidos, o trabalhador tamb\u00e9m poder\u00e1 ser condenado, a partir de novembro, pela chamada litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9. Trata-se de uma san\u00e7\u00e3o que estar\u00e1 expressa na Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT) que penalizar\u00e1 o trabalhador que propuser ou realizar em sua a\u00e7\u00e3o qualquer pedido<\/p>\n<p>\u201cA condena\u00e7\u00e3o em litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9 est\u00e1 prevista no C\u00f3digo de Processo Civil, mas, agora, ela ser\u00e1 inserida explicitamente na CLT. O juiz condenar\u00e1 o litigante de m\u00e1-f\u00e9 a pagar multa, que dever\u00e1 ser superior a 1% e inferior a 10% do valor corrigido da causa, a indenizar a parte contr\u00e1ria pelos preju\u00edzos que esta sofreu e a arcar com os honor\u00e1rios advocat\u00edcios e com todas as despesas\u201d, observa Danilo Pieri Pereira, especialista em Direito e Processo do Trabalho e s\u00f3cio do escrit\u00f3rio Baraldi M\u00e9lega Advogados.<\/p>\n<p>De acordo com o advogado Roberto Hadid, do escrit\u00f3rio Yamazaki, Calazans e Vieira Dias Advogados, haver\u00e1 puni\u00e7\u00f5es para quem agir com m\u00e1-f\u00e9, com multa de 1% a 10% da causa, al\u00e9m de indeniza\u00e7\u00e3o para a parte contr\u00e1ria. \u201cO juiz poder\u00e1 aplicar as multas com mais rigor, al\u00e9m de indenizar a parte contraria por abuso nos pedidos sem comprova\u00e7\u00e3o documental ou testemunhal\u201d.<\/p>\n<p>De acordo com a nova lei, ser\u00e1 considerado como litigante de m\u00e1-f\u00e9 aquele que em ju\u00edzo praticar os seguintes atos:<\/p>\n<ol>\n<li>a)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 apresentar pedido (reclama\u00e7\u00e3o trabalhista) ou defesa (contesta\u00e7\u00e3o) contra texto expresso de lei ou fato incontroverso;<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>b)\u00a0\u00a0\u00a0 alterar a verdade dos fatos;<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>c)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 usar do processo para conseguir objetivo ilegal;<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>d)\u00a0\u00a0\u00a0 opuser resist\u00eancia injustificada ao andamento do processo;<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>e)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 proceder de modo temer\u00e1rio em qualquer incidente ou ato do processo;<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>f)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 provocar incidente manifestamente infundado;<\/li>\n<\/ol>\n<ol>\n<li>g)\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0 interpuser recurso com intuito manifestamente protelat\u00f3rio.<\/li>\n<\/ol>\n<p>\u201cEmbora a Justi\u00e7a do Trabalho j\u00e1 aplicasse algumas das penalidades pela litig\u00e2ncia de m\u00e1-f\u00e9, agora elas est\u00e3o expressas\u201d, pontua Danilo Pieri.<\/p>\n<p><strong>Processo em andamento<\/strong><\/p>\n<p>Os especialistas destacam que os processos em andamento n\u00e3o ser\u00e3o afetados quando a reforma entrar em vigor, em novembro.<\/p>\n<p>\u201cA\u00e7\u00f5es e processos j\u00e1 em tramita\u00e7\u00e3o, ingressadas antes da reforma entrar em vigor, n\u00e3o ser\u00e3o afetados pela reforma trabalhista. Entretanto, as a\u00e7\u00f5es ingressadas ap\u00f3s novembro, j\u00e1 seguir\u00e3o as novas regras\u201d, explica o professor Antonio Carlos Aguiar.<\/p>\n<p>Outra regra que n\u00e3o ser\u00e1 afetada \u00e9 com rela\u00e7\u00e3o ao prazo para dar entrada na a\u00e7\u00e3o trabalhista. \u201cO empregado tem at\u00e9 dois anos para entrar com a a\u00e7\u00e3o. Se ele for mandado embora em setembro de 2017, ele poder\u00e1 ingressar com a\u00e7\u00e3o at\u00e9 setembro de 2019. Isso n\u00e3o muda\u201d, explica a advogada Mayra Rodrigues, do escrit\u00f3rio Aith, Badari e Luchin Advogados.<\/p>\n<p><strong>Limites de danos morais<\/strong><\/p>\n<p>Outro ponto pol\u00eamico da reforma foi a previs\u00e3o de valores m\u00e1ximos de indeniza\u00e7\u00e3o em caso de danos morais relativos \u00e0s rela\u00e7\u00f5es trabalhistas. Atualmente n\u00e3o existem estes limites<\/p>\n<p>\u201cA partir de novembro, o c\u00e1lculo dos danos morais, que j\u00e1 tem seus problemas na Justi\u00e7a do Trabalho, ser\u00e1 ainda mais injusto, pois levar\u00e1 em conta a gravidade da ofensa. Como ser\u00e1 que isso ser\u00e1 medido? A ofensa ser\u00e1 de grau leve, grau m\u00e9dio, grav\u00edssima. Quais ser\u00e3o os crit\u00e9rios?. Isso certamente provocar\u00e1 uma grande discuss\u00e3o\u201d, alerta Freitas Guimar\u00e3es.<\/p>\n<p>O texto da reforma prev\u00ea valores m\u00e1ximos de indeniza\u00e7\u00e3o em a\u00e7\u00f5es por danos morais no trabalho:<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 tr\u00eas vezes o \u00faltimo sal\u00e1rio do ofendido, no caso de ofensa de grau leve.<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 cinco vezes o \u00faltimo sal\u00e1rio do ofendido, no caso de ofensa de grau m\u00e9dio.<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 20 vezes o \u00faltimo sal\u00e1rio do ofendido, no caso de ofensa grave.<\/p>\n<p>&#8211; At\u00e9 50 vezes o \u00faltimo sal\u00e1rio do ofendido, no caso de ofensa grav\u00edssima.<\/p>\n<p><strong>Justi\u00e7a Gratuita<\/strong><\/p>\n<p>As regras para gratuidade das custas do processo tamb\u00e9m ser\u00e3o alteradas. O benef\u00edcio da Justi\u00e7a Gratuita, por lei, ser\u00e1 deferido \u00e0queles que recebem sal\u00e1rio igual ou inferior a 40% do limite m\u00e1ximo dos benef\u00edcios do Regime Geral de Previd\u00eancia Social.<\/p>\n<p>&#8220;As custas processuais s\u00e3o devidas ao final do processo, pela parte que perde o processo. O que mudou \u00e9 o fato que n\u00e3o basta mais uma simples declara\u00e7\u00e3o dizendo que o reclamante n\u00e3o tem condi\u00e7\u00f5es financeiras de suportar os custos do processo. \u00c9 preciso comprovar esta condi\u00e7\u00e3o\u201d, afirma Antonio Carlos Aguiar\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>No pr\u00f3ximo m\u00eas de novembro, passam a vigorar as regras da reforma das leis trabalhistas. Entre os pontos mais pol\u00eamicos est\u00e1 a altera\u00e7\u00e3o para as a\u00e7\u00f5es na Justi\u00e7a do Trabalho. 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