{"id":6584,"date":"2017-09-04T12:15:12","date_gmt":"2017-09-04T15:15:12","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=6584"},"modified":"2017-09-04T12:15:12","modified_gmt":"2017-09-04T15:15:12","slug":"o-que-o-feminismo-tem-dizer-sobre-os-rumos-da-economia-atual","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/o-que-o-feminismo-tem-dizer-sobre-os-rumos-da-economia-atual\/","title":{"rendered":"O que o feminismo tem a dizer sobre os rumos da economia atual?"},"content":{"rendered":"<p><i>O lado invis\u00edvel da economia<\/i> (Editora Ala\u00fade), da<i> <\/i>jornalista sueca Katrine Mar\u00e7al, questiona o modelo masculino do pensamento econ\u00f4mico e discute como a economia ignora o trabalho duplo das mulheres ao gerir carreira e fam\u00edlia. <i>\u201cOs homens sempre tiveram permiss\u00e3o para agir em nome do interesse pessoal \u2013 tanto na economia quanto no sexo. Para as mulheres, essa liberdade \u00e9 um tabu. [\u2026] As mulheres nunca tiveram permiss\u00e3o para ser t\u00e3o ego\u00edstas como os homens. Se a economia \u00e9 a ci\u00eancia do interesse pessoal, como a mulher se encaixa nela?\u201d<\/i> (Trecho do livro)<\/p>\n<p>Considerado o <em>Freakonomics<\/em> feminista, o livro <em>O lado invis\u00edvel da economia, <\/em>lan\u00e7amento da Editora Ala\u00fade, questiona o modelo masculino do pensamento econ\u00f4mico. Nele, a jornalista econ\u00f4mica sueca Katrine Mar\u00e7al explica como as bases te\u00f3ricas da economia ignoram a mulher, cujo papel era cuidar do lar. S\u00e9culos depois, essa mesma l\u00f3gica continua excluindo a mulher, que precisa fazer jornada dupla ao gerir carreira e fam\u00edlia. Com linguagem envolvente e perspicaz, e recheada de dados, a autora explica o funcionamento do mercado baseado na figura do homem econ\u00f4mico e defende que a \u00fanica solu\u00e7\u00e3o para uma sociedade mais igualit\u00e1ria \u00e9 um pensamento econ\u00f4mico mais feminista.<\/p>\n<p>Para provar seu ponto, a jornalista parte de uma pergunta levantada por Adam Smith, pai da economia moderna: \u201cComo voc\u00ea consegue o seu jantar?\u201d. Ao afirmar que \u00e9 o interesse pessoal do a\u00e7ougueiro \u2013 sua vontade de lucrar \u2013 que faz a carne chegar \u00e0 mesa, Smith se esquece de uma pe\u00e7a-chave na trajet\u00f3ria de seu jantar: era sua m\u00e3e que fritava o bife.<\/p>\n<p>Segundo Katrine, o mercado \u00e9 na verdade constru\u00eddo sobre uma economia invis\u00edvel, j\u00e1 que as mulheres n\u00e3o come\u00e7aram a trabalhar apenas em meados do s\u00e9culo passado, elas s\u00f3 mudaram de emprego.<\/p>\n<p>E \u201cse quisermos um retrato completo da economia, n\u00e3o podemos ignorar o que metade da popula\u00e7\u00e3o faz durante metade do tempo\u201d afirma Katrine. A autora ainda levanta dados como os da ag\u00eancia de estat\u00edsticas nacionais do Canad\u00e1, que descobriu que o valor do trabalho n\u00e3o remunerado no pa\u00eds variava de 30,6 a 41,4% do PIB (dependendo da forma de medi\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p>Mas o livro n\u00e3o explora apenas o problema da m\u00e3o de obra feminina, mas as bases sobre as quais a economia como ci\u00eancia foi fundada e o que o feminismo pode fazer para transform\u00e1-la. Se as mulheres tivessem tido a oportunidade de participar mais ativamente do desenvolvimento dos modelos econ\u00f4micos, a figura do \u201chomem econ\u00f4mico\u201d poderia ser bem diferente, e, para a autora, isso explica por que a economia atual funciona muito mais para os ricos do que para os pobres, e muito mais para os homens do que para as mulheres.<\/p>\n<p>Provocativamente feminista, a obra explora desde o estabelecimento da economia como ci\u00eancia at\u00e9 a mais recente crise financeira mundial para defender a necessidade de uma nova abordagem para os problemas econ\u00f4micos mundiais.<\/p>\n<p><em>O lado invis\u00edvel da economia<\/em> j\u00e1 foi traduzido para mais de 15 idiomas. Foi um dos nomeados para o August Prize em 2012 e em 2013 ganhou o Lagercrantzen Award por seu \u201cestilo provocador e pessoal, que desafia e seduz o leitor com a ousadia e seguran\u00e7a de seu dom\u00ednio intelectual\u201d.<\/p>\n<p><strong>Sobre a autora<\/strong><\/p>\n<p>Katrine Mar\u00e7al \u00e9 jornalista e apresentadora de TV. Ela trabalha para o <em>Dagens Nyheter<\/em>, principal jornal da Su\u00e9cia. Tamb\u00e9m apresenta um programa para o canal EFN, canal de TV sueco sobre finan\u00e7as e pol\u00edtica. O trabalho de Katrine foi descoberto por um editor sueco em um blog alimentado por ela enquanto ainda era estudante da Universidade de Michigan. Ela come\u00e7ou a trabalhar para jornais suecos aos 22 anos. Aos 25, publicou seu primeiro livro, <em>Rape and romance<\/em> [Estupro e romance]. Ela j\u00e1 foi editora-chefe do jornal sueco <em>Aftonbladet<\/em>, no qual escrevia sobre pol\u00edtica, economia e feminismo.<\/p>\n<p><strong>Sobre a Editora<\/strong><\/p>\n<p>Com mais de 10 anos de tradi\u00e7\u00e3o no mercado editorial, a Ala\u00fade vem desenvolvendo um cat\u00e1logo s\u00f3lido e diversificado, com t\u00edtulos de destaque na \u00e1rea de gastronomia, sa\u00fade, filosofia pr\u00e1tica, espiritualidade, automobilismo, desenvolvimento pessoal e profissional. Para mais informa\u00e7\u00f5es, visite o site <a href=\"http:\/\/www.alaude.com.br\">www.alaude.com.br<\/a>.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O lado invis\u00edvel da economia (Editora Ala\u00fade), da jornalista sueca Katrine Mar\u00e7al, questiona o modelo masculino do pensamento econ\u00f4mico e discute como a economia ignora o trabalho duplo das mulheres ao gerir carreira e fam\u00edlia. \u201cOs homens sempre tiveram permiss\u00e3o para agir em nome do interesse pessoal \u2013 tanto na economia quanto no sexo. 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