{"id":5957,"date":"2017-07-17T08:00:55","date_gmt":"2017-07-17T11:00:55","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=5957"},"modified":"2017-07-15T16:32:35","modified_gmt":"2017-07-15T19:32:35","slug":"brasil-nao-consegue-reter-melhores-estudantes-no-ensino-superior","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/brasil-nao-consegue-reter-melhores-estudantes-no-ensino-superior\/","title":{"rendered":"Brasil n\u00e3o consegue reter melhores estudantes no Ensino Superior"},"content":{"rendered":"<p><i>Fuga de talentos \u00e9 resultado da recess\u00e3o, desemprego e infla\u00e7\u00e3o, sugerem especialistas<\/i><\/p>\n<div>\n<p>O n\u00famero de brasileiros que deixaram o pa\u00eds no \u00faltimo ano mais que dobrou, em rela\u00e7\u00e3o a 2011. Segundo dados da Receita Federal, mais de 18,5 mil pessoas deixaram o pa\u00eds com bilhete s\u00f3 de ida, em busca de melhores oportunidades e melhor qualidade de vida. &#8220;Com o aumento do desemprego, a economia em recess\u00e3o, a crise \u00e9tica e a dificuldade em se empreender, o Brasil voltou a ser sin\u00f4nimo de decep\u00e7\u00e3o&#8221;, afirma o consultor financeiro Raphael Cordeiro, s\u00f3cio da Inva Capital. Mas o especialista alerta ainda para um problema maior, resultante dessa decep\u00e7\u00e3o: &#8220;h\u00e1 uma potencial perda de talentos em curso&#8221;, diz.<\/p>\n<p>Uma pesquisa realizada ano passado revelou que o n\u00famero de alunos brasileiros aprovados em universidades nos Estados Unidos cresceu 34,8% em 2015. Seja pela busca de melhores experi\u00eancias, novas culturas ou a realiza\u00e7\u00e3o de um sonho, esse n\u00famero tende a crescer cada vez mais. &#8220;As universidades americanas querem alunos que se destaquem, n\u00e3o apenas academicamente, mas que fa\u00e7am algo que gostem e tenham grandes perspectivas de futuro. Al\u00e9m disso, a maior parte delas tem programas de bolsas para estrangeiros, fazendo com que seu sonho de estudar em uma das melhores universidades do mundo dependa apenas dos seus m\u00e9ritos. <span id=\"OBJ_PREFIX_DWT2409_com_zimbra_date\" class=\"Object\"><span id=\"OBJ_PREFIX_DWT2425_com_zimbra_date\" class=\"Object\">Hoje<\/span><\/span>, entendo que a educa\u00e7\u00e3o \u00e9 a chave para o desenvolvimento do Brasil, e a educa\u00e7\u00e3o de ponta pode nos ajudar a fazer a diferen\u00e7a no nosso pr\u00f3prio pa\u00eds&#8221;, afirma Lepca. Mas a grande pergunta \u00e9: ser\u00e1 que esses talentos voltam?<\/p>\n<p>Para Raphael Cordeiro, o efeito dessa &#8220;fuga de talentos&#8221; \u00e9 ruim para o pa\u00eds, que perde trabalhadores. &#8220;Os c\u00e9rebros s\u00e3o os motores do ganho de produtividade de uma na\u00e7\u00e3o, e apenas com ganho de produtividade \u00e9 poss\u00edvel aumentar a renda da popula\u00e7\u00e3o.&#8221;, revela o consultor. Mas os problemas n\u00e3o param por a\u00ed. Essa &#8220;fuga de talentos&#8221; tamb\u00e9m acaba gerando ainda mais desigualdade social. De acordo com o diretor da PES School e do Projeto Positivo English Solution da Editora Positivo, professor Luiz Fernando Schibelbain, infelizmente essa chance n\u00e3o est\u00e1 dispon\u00edvel para todos.<\/p>\n<p>Em geral, pa\u00edses desenvolvidos como os Estados Unidos aceitam imigrantes de alto n\u00edvel educacional &#8211; e at\u00e9 os incentivam a migrar -, mas colocam in\u00fameras barreiras ao recebimento de pessoas com n\u00edvel educacional mais baixo. &#8220;Al\u00e9m disso, h\u00e1 um custo consider\u00e1vel na migra\u00e7\u00e3o, a come\u00e7ar pela passagem a\u00e9rea e a instala\u00e7\u00e3o no novo pa\u00eds. Sem falar na barreira da l\u00edngua &#8211; o que torna essa alternativa cada vez mais distante para as classes sem acesso a recursos essenciais&#8221;, afirma o professor. Embora o ingl\u00eas seja <span id=\"OBJ_PREFIX_DWT2410_com_zimbra_date\" class=\"Object\"><span id=\"OBJ_PREFIX_DWT2426_com_zimbra_date\" class=\"Object\">hoje<\/span><\/span> o idioma mais difundido no mundo, apenas 5% dos brasileiros falam a l\u00edngua e menos de 1% apresentam algum grau de flu\u00eancia, segundo pesquisa do <em>British Council.<\/em><\/p>\n<p>Um exemplo desse efeito \u00e9 o caso do curitibano Vin\u00edcius Castagna Lepca, de 18 anos. Primeiro lugar geral hist\u00f3rico no vestibular da Universidade Federal do Paran\u00e1, o estudante registrou, em todo o Ensino M\u00e9dio, no Col\u00e9gio Positivo, tradicional col\u00e9gio particular de Curitiba, m\u00e9dia superior a 9,8. Mas o Brasil ficou pequeno para ele. Em busca de melhores perspectivas, Lepca foi em busca das melhores universidades dos Estados Unidos. Aprovado em tr\u00eas institui\u00e7\u00f5es, o jovem optou por cursar Engenharia El\u00e9trica na <em>Johns Hopkins University<\/em>, considerada a 11\u00aa melhor universidade do mundo pelo<em> US News &amp; World Report<\/em>.<\/p>\n<p>Como Lepca, v\u00e1rios outros estudantes de diversas partes do pa\u00eds est\u00e3o seguindo o mesmo destino. Natural de S\u00e3o Paulo, Carolina Pagnan Guenther estudou no Col\u00e9gio Positivo Joinville, em Santa Catarina, at\u00e9 terminar o Ensino M\u00e9dio, em 2016. Ap\u00f3s in\u00fameros testes de aptid\u00e3o e o exame de profici\u00eancia em ingl\u00eas, Carolina foi aprovada em cinco universidades estrangeiras, sendo quatro americanas e uma canadense. \u201cUm dos principais motivos para estudar no exterior s\u00e3o as oportunidades e diferentes perspectivas que isso ir\u00e1 me proporcionar\u201d, revela. A estudante optou pelo curso de Ci\u00eancias da Computa\u00e7\u00e3o na <em>North Carolina State University<\/em>, nos Estados Unidos<em>.<\/em><\/p>\n<p>Antes de se aventurar em uma universidade americana, a estudante Caroline Vit\u00f3ria Secco Morgenstern terminou o Ensino M\u00e9dio no Col\u00e9gio Positivo, em Curitiba, fez seis meses de curso preparat\u00f3rio no Brasil e partiu para um interc\u00e2mbio, no ano passado, para se adaptar \u00e0 cultura americana e ao sistema de ensino. \u201cEstudar fora \u00e9 um sonho que eu tenho desde que crian\u00e7a. Meus pais sempre viajaram muito e me levava com eles. Ver outros pa\u00edses e outras culturas foi me motivando\u201d, declara a estudante de 18 anos. Caroline foi aprovada em cinco universidades americanas e pretende cursar <em>Business and Management<\/em>, na <em>Ohio State University<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Fuga de talentos \u00e9 resultado da recess\u00e3o, desemprego e infla\u00e7\u00e3o, sugerem especialistas O n\u00famero de brasileiros que deixaram o pa\u00eds no \u00faltimo ano mais que dobrou, em rela\u00e7\u00e3o a 2011. 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