{"id":5075,"date":"2017-04-18T20:20:06","date_gmt":"2017-04-18T23:20:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=5075"},"modified":"2017-04-18T20:20:06","modified_gmt":"2017-04-18T23:20:06","slug":"mulher-presa-nao-pode-estar-algemada-durante-o-periodo-do-parto","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/mulher-presa-nao-pode-estar-algemada-durante-o-periodo-do-parto\/","title":{"rendered":"Mulher presa n\u00e3o pode estar algemada durante o per\u00edodo do parto"},"content":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em vigor, desde quinta-feira (13\/4), a lei que pro\u00edbe uso de algemas em presas gr\u00e1vidas durante o trabalho de parto. A medida deve contribuir para aproximar a realidade das normas jur\u00eddicas criadas \u00a0que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o s\u00e3o adotadas nos estados.<\/p>\n<p>A lei tamb\u00e9m pode ser considerada resultado das chamadas <a href=\"http:\/\/www.cnj.jus.br\/files\/conteudo\/arquivo\/2016\/03\/27fa43cd9998bf5b43aa2cb3e0f53c44.pdf\" target=\"_blank\">Regras de Bangkok<\/a>, voltadas ao tratamento de mulheres presas, e que no ano passado foram traduzidas e publicadas no site do Conselho Nacional de Justi\u00e7a\u00a0(CNJ) com o objetivo de democratizar o acesso \u00e0 informa\u00e7\u00e3o da popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a uma lei da qual o Brasil \u00e9 signat\u00e1rio.<\/p>\n<p>A lei 13.434 alterou o artigo 292, do C\u00f3digo de Processo Penal (CPC) proibindo o uso de algemas em mulheres gr\u00e1vidas durante atos m\u00e9dico-hospitalares preparat\u00f3rios para a realiza\u00e7\u00e3o do parto e durante o trabalho de parto, bem como em mulheres durante o per\u00edodo de puerp\u00e9rio imediato.<\/p>\n<p>O Brasil participou da elabora\u00e7\u00e3o e da aprova\u00e7\u00e3o das Regras de Bangkok (estabelecida pelas Na\u00e7\u00f5es Unidas), ainda em 2010. O tratado \u00e9 considerado marco normativo internacional sobre essa quest\u00e3o. Dentre as 70 medidas, a norma de n\u00famero 24 estabelece a n\u00e3o utiliza\u00e7\u00e3o de instrumentos de conten\u00e7\u00e3o em mulheres em trabalho de parto, durante o parto e nem no per\u00edodo imediatamente posterior. No entanto, essa, \u00a0assim como outras leis, com o entendimento, seguiram sem cumprimento.<\/p>\n<p>Somente no Rio de Janeiro, pesquisa de 2015 da Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz revelou que, de um universo de 200 presas gr\u00e1vidas, 35% estavam algemadas durante o trabalho de parto, apesar dessas condi\u00e7\u00f5es serem vedadas, desde 2008, por resolu\u00e7\u00e3o do Conselho Nacional de Pol\u00edtica Criminal e Penitenci\u00e1ria (CNPCP) e por s\u00famula vinculante do Supremo Tribunal Federal (STF).<\/p>\n<p>A S\u00famula Vinculante n\u00ba 11 foi, editada pelo STF em 2008 e determinou que as algemas s\u00f3 poderiam ser usadas em casos de resist\u00eancia, fundado receio de fuga ou perigo \u00e0 integridade f\u00edsica de algu\u00e9m. J\u00e1 a resolu\u00e7\u00e3o do CNPCP foi mais espec\u00edfico e proibiu, em 2012, o uso de algemas em presas em trabalho de parto e no per\u00edodo de descanso seguinte ao nascimento do beb\u00ea. O pr\u00f3prio artigo 292 do CPC tamb\u00e9m ponderava que o uso de conten\u00e7\u00e3o deveria ser feito diante de resist\u00eancia \u00e0 pris\u00e3o ou determina\u00e7\u00e3o de autoridade competente e sua necessidade deve ser testemunhada por, pelo menos, duas pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Est\u00e1 em vigor, desde quinta-feira (13\/4), a lei que pro\u00edbe uso de algemas em presas gr\u00e1vidas durante o trabalho de parto. A medida deve contribuir para aproximar a realidade das normas jur\u00eddicas criadas \u00a0que, na pr\u00e1tica, n\u00e3o s\u00e3o adotadas nos estados. 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