{"id":4363,"date":"2017-02-17T15:28:42","date_gmt":"2017-02-17T17:28:42","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=4363"},"modified":"2017-02-17T15:28:42","modified_gmt":"2017-02-17T17:28:42","slug":"transexual-pode-remover-barba-pelo-sus-diz-decisao-premiada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/transexual-pode-remover-barba-pelo-sus-diz-decisao-premiada\/","title":{"rendered":"Transexual pode remover barba pelo SUS, diz decis\u00e3o premiada"},"content":{"rendered":"<p>Com base em pareceres m\u00e9dicos, um transexual garantiu, na Justi\u00e7a, o direito de fazer depila\u00e7\u00e3o a laser de pelos da face na rede p\u00fablica de sa\u00fade. A decis\u00e3o, da Justi\u00e7a Federal mineira, recebeu men\u00e7\u00e3o honrosa no I Concurso Nacional de Decis\u00f5es Judiciais e Ac\u00f3rd\u00e3os em Direitos Humanos, do Conselho Nacional de Justi\u00e7a (CNJ) em parceira com Secretaria de Direitos Humanos (SDH).<\/p>\n<p>Ao entrar com a a\u00e7\u00e3o, o transexual se preparava para a cirurgia de mudan\u00e7a de sexo. Relat\u00f3rios de um psiquiatra e de uma dermatologista atestaram que ele possu\u00eda condi\u00e7\u00e3o similar ao hirsutismo, que causa pelos em excesso no rosto de mulheres. De baixa renda, o paciente pediu atendimento pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS), que oferece depila\u00e7\u00e3o a laser em casos do tipo.<\/p>\n<p>No primeiro grau, o Juizado Especial Federal de Juiz de Fora (MG) atendeu o pleito e determinou que o tratamento fosse feito na rede p\u00fablica. O governo local, contudo, recorreu. Para o munic\u00edpio, n\u00e3o foi comprovado dano irrepar\u00e1vel ou de dif\u00edcil repara\u00e7\u00e3o. Tamb\u00e9m foi questionada a alega\u00e7\u00e3o de hirsutismo, doen\u00e7a exclusiva de mulheres, pois o autor ainda n\u00e3o havia mudado de sexo.<\/p>\n<p>A ordem para o tratamento foi mantida pelo juiz federal Gl\u00e1ucio Maciel Gon\u00e7alves. Em 18 de junho de 2012, ele rejeitou a tese de que o autor n\u00e3o podia ser considerado uma mulher para todos os direitos. &#8220;Tal l\u00f3gica soa perversa e se afasta do irrepar\u00e1vel car\u00e1ter humanista que permeou a decis\u00e3o (em primeiro grau)&#8221;, definiu o magistrado, ao relatar o caso no Tribunal Regional Federal da 1\u00aa Regi\u00e3o (TRF1). No texto, o juiz assinala que a necessidade de mudan\u00e7a de sexo foi reconhecida pelo pr\u00f3prio SUS, que apoiou a cirurgia.<\/p>\n<p>O tratamento foi acompanhado pela equipe multidisciplinar que atende o autor desde o in\u00edcio da readequa\u00e7\u00e3o. Pesou na decis\u00e3o o diagn\u00f3stico de desvio permanente de identidade sexual, com rejei\u00e7\u00e3o de fen\u00f3tipo, previsto pelo Conselho Federal de Medicina (CFM). &#8220;O autor \u00e9 uma mulher no que se refere aos desejos, sentimentos, objetivos de vida, aprisionada num corpo masculino&#8221;, resumiu o juiz.<\/p>\n<p><strong>Garantia de direitos humanos<\/strong><\/p>\n<p>A decis\u00e3o recebeu men\u00e7\u00e3o honrosa no concurso do CNJ, na categoria Direitos da Popula\u00e7\u00e3o LGBT, entregue na \u00faltima ter\u00e7a-feira (14), na sede do conselho. \u201cEsse indiv\u00edduo foi ao SUS e tentou obter o tratamento, que lhe foi negado, porque n\u00e3o era mulher. A portaria era s\u00f3 para elas\u201d, detalha Gl\u00e1ucio Maciel. \u201cO aspecto de maior dificuldade foi saber pontuar a diferen\u00e7a entre um homem que pede o mesmo tratamento de uma mulher e outro em vias de fazer a cirurgia de redesigna\u00e7\u00e3o sexual\u201d, diz Maciel.<\/p>\n<p>O concurso destaca o papel de ju\u00edzes na defesa dos direitos humanos. A premia\u00e7\u00e3o avaliou decis\u00f5es em 14 temas: garantia dos direitos da crian\u00e7a e do adolescente, da pessoa idosa e das mulheres; da popula\u00e7\u00e3o negra; dos povos e comunidades tradicionais; dos imigrantes e refugiados; da popula\u00e7\u00e3o de l\u00e9sbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais; da popula\u00e7\u00e3o em priva\u00e7\u00e3o de liberdade e em situa\u00e7\u00e3o de rua; da pessoa com defici\u00eancia e da pessoa com transtornos e altas habilidades\/superdotadas; promo\u00e7\u00e3o e respeito \u00e0 diversidade religiosa; preven\u00e7\u00e3o e combate \u00e0 tortura; combate e erradica\u00e7\u00e3o ao trabalho escravo e tr\u00e1fico de pessoas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com base em pareceres m\u00e9dicos, um transexual garantiu, na Justi\u00e7a, o direito de fazer depila\u00e7\u00e3o a laser de pelos da face na rede p\u00fablica de sa\u00fade. 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