{"id":21048,"date":"2021-11-02T17:09:47","date_gmt":"2021-11-02T20:09:47","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=21048"},"modified":"2021-11-02T17:09:47","modified_gmt":"2021-11-02T20:09:47","slug":"portaria-do-ministerio-do-trabalho-que-libera-trabalhadores-da-vacina-e-inconstitucional-dizem-especialistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/portaria-do-ministerio-do-trabalho-que-libera-trabalhadores-da-vacina-e-inconstitucional-dizem-especialistas\/","title":{"rendered":"Portaria do Minist\u00e9rio do Trabalho que libera trabalhadores da vacina \u00e9 inconstitucional, dizem especialistas"},"content":{"rendered":"<p><em><strong>Direito individual de escolher tomar ou n\u00e3o o imunizante n\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0 garantia de sa\u00fade da coletividade.\u00a0\u00c9 ilegal a portaria 620\/2021 do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia que pro\u00edbe empresas de exigir dos funcion\u00e1rios comprovantes de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 e demiti-los caso se recusem \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o. Especialistas em direito do trabalho consideram a medida como inconstitucional e contr\u00e1ria \u00e0s decis\u00f5es mais recentes da Justi\u00e7a brasileira<\/strong><\/em><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright size-full wp-image-19194\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/03\/corona_app_minsaude.png\" alt=\"\" width=\"512\" height=\"512\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/03\/corona_app_minsaude.png 512w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/03\/corona_app_minsaude-150x150.png 150w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/03\/corona_app_minsaude-300x300.png 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/03\/corona_app_minsaude-230x230.png 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 512px) 100vw, 512px\" \/><\/p>\n<p>A portaria considera discriminat\u00f3ria a exig\u00eancia do comprovante de vacina\u00e7\u00e3o para a contrata\u00e7\u00e3o de funcion\u00e1rios ou manuten\u00e7\u00e3o do v\u00ednculo empregat\u00edcio. Para o governo Bolsonaro, a pr\u00e1tica viola a Consolida\u00e7\u00e3o das Leis Trabalhistas (CLT), al\u00e9m de v\u00e1rios artigos da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, dentre eles o 5\u00b0, pois nenhum cidad\u00e3o ou trabalhador deve ser obrigado a fazer ou deixar de fazer alguma coisa sen\u00e3o em virtude de lei.<\/p>\n<p>Advogados, entretanto, discordam. Avaliam que a sa\u00fade da coletividade se sobrep\u00f5e ao direito individual de optar por tomar ou n\u00e3o a vacina contra a covid-19.<\/p>\n<p>\u201cA nosso ver, o Minist\u00e9rio do Trabalho vai contra a Constitui\u00e7\u00e3o Federal na edi\u00e7\u00e3o da Portaria 620\/21, especialmente porque impede os empregadores de constatar a plena vacina\u00e7\u00e3o daqueles que pretendem contratar ou daqueles que pretendem manter a rela\u00e7\u00e3o contratual j\u00e1 existente&#8221;, avalia Luis Fernando Riskalla, especialista em Direito do Trabalho e s\u00f3cio do Leite, Tosto e Barros Advogados.<\/p>\n<p>As fundamenta\u00e7\u00f5es para a edi\u00e7\u00e3o da portaria se contradizem ao verificamos que o inciso XXII, do artigo 7, da Constitui\u00e7\u00e3o, garante aos empregados a seguran\u00e7a e sa\u00fade em suas atividades empregat\u00edcias, afirma ele.\u00a0Al\u00e9m disso, j\u00e1 se tornou quase que un\u00e2nime, perante os tribunais do trabalho, perante o Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho e perante o pr\u00f3prio Tribunal Superior do Trabalho, que a sa\u00fade e a seguran\u00e7a da coletividade se sobrep\u00f5em \u00e0 do indiv\u00edduo.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, e considerando a efic\u00e1cia da\u00a0 portaria, questiona-se: como poder\u00e3o os empregadores, al\u00e9m das a\u00e7\u00f5es que j\u00e1 lhes competem, garantir a sa\u00fade e integridade de seus empregados se n\u00e3o podem, ao menos, ter o controle de quem est\u00e1, de fato, imunizado?\u201d, questiona Riskalla.<\/p>\n<p>Carlos Eduardo Dantas Costa, especialista em Direito do Trabalho e s\u00f3cio do Peixoto &amp; Cury Advogados, rrefor\u00e7a que &#8220;a portaria vai na contram\u00e3o das decis\u00f5es judiciais e, inclusive, do posicionamento do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho\u201d. Para ele, a Portaria 620\/2021, que pro\u00edbe que as empresas exijam de seus empregados comprovantes de vacina\u00e7\u00e3o, \u00e9 discriminat\u00f3ria.&#8221;At\u00e9 porque prev\u00ea, como poss\u00edveis consequ\u00eancias para demiss\u00f5es de empregados (pela falta de comprova\u00e7\u00e3o da vacina) a reintegra\u00e7\u00e3o ao trabalho; o pagamento de sal\u00e1rios e danos morais&#8221;.<\/p>\n<p>Donne Pisco, s\u00f3cio fundador do Pisco &amp; Rodrigues Advogados, afirma que a portaria nitidamente infringe o art. 87, inciso II, da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, \u201cpois a compet\u00eancia do ministro de Estado se limita a instrumentalizar o cumprimento das leis de sua al\u00e7ada, n\u00e3o podendo, a pretexto de faz\u00ea-lo, criar normas em usurpa\u00e7\u00e3o da compet\u00eancia do Poder Legislativo, sobretudo com conte\u00fado que pretenda impor interpreta\u00e7\u00e3o da Pasta sobre situa\u00e7\u00f5es de fato que representem justa causa&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;Assim, o ato normativo do Minist\u00e9rio do Trabalho e Emprego n\u00e3o tem o efeito de vincular a livre aprecia\u00e7\u00e3o do tema pelos ju\u00edzes: a restri\u00e7\u00e3o imposta, que busca impedir a demiss\u00e3o por justa causa de pessoas que se recusem \u00e0 vacina\u00e7\u00e3o, n\u00e3o tem fundamento legal \u2013 inclusive, porque a resist\u00eancia imotivada \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o atenta contra o esfor\u00e7o coletivo para a conten\u00e7\u00e3o da pandemia, pondo em risco a sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o&#8221;, lembra Pisco.<\/p>\n<p>De acordo com Mariana Machado Pedroso, especialista em Direito do Trabalho e s\u00f3cia do escrit\u00f3rio Chenut Oliveira Santiago Advogados, essa portaria poder\u00e1 &#8220;gerar uma movimenta\u00e7\u00e3o que ainda n\u00e3o se tinha visto no Congresso Nacional a favor da regula\u00e7\u00e3o sobre a vacina\u00e7\u00e3o. E pela hierarquia das normas no Direito brasileiro, eventual lei estar\u00e1 hierarquicamente acima da portaria ministerial.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, Mariana Pedroso alerta que essa portaria certamente ser\u00e1 objeto de discuss\u00e3o perante o Judici\u00e1rio, quando ser\u00e3o avaliados os requisitos formais e limites poss\u00edveis de regula\u00e7\u00e3o de tal mat\u00e9ria por ato normativo do Executivo. &#8220;A Justi\u00e7a poder\u00e1 invalid\u00e1-la ou, ainda, estando regular, declarar tal norma v\u00e1lida.&#8221;<\/p>\n<p>Para o advogado Matheus Gon\u00e7alves Amorim, s\u00f3cio do SGMP Advogados, diz que, mesmo, desconsiderando os aspectos sociais controversos sobre o passaporte de vacina\u00e7\u00e3o e tratando somente da an\u00e1lise jur\u00eddica da quest\u00e3o, e a Portaria MTP n\u00ba 620\/2021 \u00e9 parcialmente inconstitucional, &#8220;especialmente quando classifica a exig\u00eancia de prova da vacina\u00e7\u00e3o como conduta discriminat\u00f3ria, uma vez que vai de encontro com o disposto no inciso XXII do artigo 7\u00ba da Constitui\u00e7\u00e3o Federal, que garante aos trabalhadores a redu\u00e7\u00e3o dos riscos ocupacionais por meio de normas de sa\u00fade, higiene e seguran\u00e7a e, ainda porque trata de mat\u00e9ria que a Constitui\u00e7\u00e3o reservou a Lei&#8221;.<\/p>\n<p>&#8220;N\u00e3o podemos ignorar tamb\u00e9m que alguns \u00f3rg\u00e3os p\u00fablicos exigem o comprovante de vacina\u00e7\u00e3o para que qualquer pessoa possa ingressar nas suas instala\u00e7\u00f5es e h\u00e1 empresas que prestam servi\u00e7os no mesmo local, o que tornaria imposs\u00edvel a pr\u00f3pria execu\u00e7\u00e3o dos contratos. Ademais, as Portarias publicadas pelo Minist\u00e9rio do Trabalho, em que pese a sua relev\u00e2ncia, tem efeito vinculante, em tese, apenas para o Poder Executivo, n\u00e3o vinculando a atua\u00e7\u00e3o da Justi\u00e7a do Trabalho e do Minist\u00e9rio P\u00fablico do Trabalho, quem tem apresentado posicionamento bastante distinto, que deve nortear os julgamentos desta mat\u00e9ria perante os Tribunais&#8221;, insiste Amorim.<\/p>\n<p>Ele diz, ainda, que, vale lembrar ainda que, no final do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu, no julgamento da ADIn n\u00ba 6.586\/DF, que a vacina\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria \u00e9 constitucional, inclusive firmando tese sobre a possibilidade de imposi\u00e7\u00e3o de medidas indiretas para sua efetiva\u00e7\u00e3o, &#8220;como por exemplo, a restri\u00e7\u00e3o ao exerc\u00edcio de determinadas atividades, o que vai na contram\u00e3o do que restou definido na Portaria\u201d, conclui Amorim.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Direito individual de escolher tomar ou n\u00e3o o imunizante n\u00e3o se sobrep\u00f5e \u00e0 garantia de sa\u00fade da coletividade.\u00a0\u00c9 ilegal a portaria 620\/2021 do Minist\u00e9rio do Trabalho e Previd\u00eancia que pro\u00edbe empresas de exigir dos funcion\u00e1rios comprovantes de vacina\u00e7\u00e3o contra a covid-19 e demiti-los caso se recusem \u00e0 imuniza\u00e7\u00e3o. Especialistas em direito do trabalho consideram a medida como inconstitucional e contr\u00e1ria [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2719],"tags":[6400,2272,9315,2195,2584,17256,390,10959,19464,19465,2841,19463,34,19,6104,1946],"class_list":["post-21048","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-servidor","tag-bolsonaro","tag-clt","tag-coletividade","tag-comprovante","tag-constituicao","tag-covid-19","tag-empresas","tag-imunizacao","tag-imunizanante","tag-incconstitucional","tag-ministerio-do-trabalho","tag-portaria-620-2021","tag-stf","tag-trabalhadores","tag-vacina","tag-vinculo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21048","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=21048"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21048\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":21049,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/21048\/revisions\/21049"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=21048"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=21048"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=21048"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}