{"id":20595,"date":"2021-09-02T16:25:50","date_gmt":"2021-09-02T19:25:50","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=20595"},"modified":"2021-09-02T16:25:50","modified_gmt":"2021-09-02T19:25:50","slug":"ministerio-da-saude-cria-diferenciacao-entre-pacientes-do-sus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/ministerio-da-saude-cria-diferenciacao-entre-pacientes-do-sus\/","title":{"rendered":"Minist\u00e9rio da Sa\u00fade cria diferencia\u00e7\u00e3o entre pacientes do SUS"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;O ser humano n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina, cada um tem suas carater\u00edsticas e carece de cuidado. O\u00a0mais grave \u00e9 que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade chegou ao ponto de dividir os pacientes brasileiros em duas classes: aqueles que t\u00eam acesso \u00e0s tecnologias mais atuais, e os que s\u00f3 podem ser atendidos por produtos com tecnologia mais antiga, defasada, que ainda continuam sendo fornecidos&#8221;<\/em><\/p>\n<p><strong>Paulo Henrique Fraccaro*<\/strong><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-20596 alignleft\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/09\/PAULO-HENRIQUE-FRACCARO.jpg\" alt=\"\" width=\"200\" height=\"200\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/09\/PAULO-HENRIQUE-FRACCARO.jpg 200w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-content\/uploads\/sites\/10\/2021\/09\/PAULO-HENRIQUE-FRACCARO-150x150.jpg 150w\" sizes=\"auto, (max-width: 200px) 100vw, 200px\" \/><\/p>\n<p>Os procedimentos de sa\u00fade feitos pelo Sistema \u00danico de Sa\u00fade (SUS) seguem uma tabela de valores para o pagamento dos profissionais, das a\u00e7\u00f5es hospitalares e dos materiais especiais utilizados. E para os dispositivos m\u00e9dicos implant\u00e1veis, existe a tabela de \u00d3rteses, Pr\u00f3teses e Materiais Especiais (OPME), sendo que sua \u00faltima atualiza\u00e7\u00e3o foi em 2012 e, ainda assim, n\u00e3o cobriu toda a defasagem existente nos custos dos produtos.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade continua recusando qualquer atualiza\u00e7\u00e3o nessa tabela, mesmo os fabricantes tendo, atualmente, que conviver com uma infla\u00e7\u00e3o acelerada, desvaloriza\u00e7\u00e3o cambial e aumentos de insumos e materiais, o que torna a situa\u00e7\u00e3o ainda mais cr\u00edtica.<\/p>\n<p>Qualquer solicita\u00e7\u00e3o do setor para atualiza\u00e7\u00e3o dos valores \u00e9 sempre recusada pelo Governo com o argumento de que n\u00e3o est\u00e1 faltando material no mercado, embora j\u00e1 estejam acontecendo diversos processos licitat\u00f3rios sem aparecerem poss\u00edveis fornecedores interessados em participar.<\/p>\n<p>Contudo, o mais grave \u00e9 que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade chegou ao ponto de dividir os pacientes brasileiros em duas classes: aqueles que t\u00eam acesso \u00e0s tecnologias mais atuais, e os que s\u00f3 podem ser atendidos por produtos com tecnologia mais antiga, defasada, que ainda continuam sendo fornecidos.<\/p>\n<p>E ent\u00e3o nos perguntamos: esses produtos proporcionam seguran\u00e7a para as pessoas? \u00a0Sim, se forem atendidos todos os requisitos de boas pr\u00e1ticas m\u00e9dicas. E tem a mesma efic\u00e1cia? N\u00e3o, pois n\u00e3o incorporaram os recursos mais modernos. Possuem a mesma longevidade? Nem sempre, porque n\u00e3o contam com as instrumenta\u00e7\u00f5es mais avan\u00e7adas.<\/p>\n<p>O Minist\u00e9rio da Sa\u00fade, que deveria oferecer o que existe de melhor \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, se esquece que produtos m\u00e9dicos implant\u00e1veis n\u00e3o s\u00e3o somente materiais e m\u00e1quinas. Sistemas e <em>design<\/em> fazem parte disso e precisam ser atualizados constantemente, para melhor integra\u00e7\u00e3o e, principalmente, oferecerem menos riscos aos pacientes.<\/p>\n<p>Instrumentos s\u00e3o aperfei\u00e7oados para facilitarem cirurgias, melhorarem a precis\u00e3o e o trabalho dos m\u00e9dicos. Esse mesmo instrumental deve ser continuamente calibrado, revisado e reparado ap\u00f3s o uso, para estar sempre em perfeitas condi\u00e7\u00f5es, j\u00e1 que s\u00e3o imprescind\u00edveis, pois geram mais acertos, menos tempo de cirurgia, menor risco para o paciente, al\u00e9m de proporcionar longevidade ao produto. No entanto, os custos relacionados a esses servi\u00e7os acabam ficando com os fornecedores, sem \u00f4nus para o SUS, que n\u00e3o faz qualquer reembolso desse trabalho.<\/p>\n<p>O ser humano n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina. Cada um tem suas carater\u00edsticas e carece de cuidado, aten\u00e7\u00e3o e precis\u00e3o, afinal, estamos falando de vidas. Para garantir sucesso nos resultados, s\u00e3o necess\u00e1rios treinamentos cont\u00ednuos para a equipe m\u00e9dica e instrumentadores. Novos materiais s\u00e3o continuamente oferecidos ao mercado, com o objetivo de termos melhores produtos e, assim, obtermos \u00eaxito para os pacientes.<\/p>\n<p>Mat\u00e9rias-primas; insumos; componentes; sal\u00e1rios; pesquisas; testes; certifica\u00e7\u00f5es; registros; auditorias; inspe\u00e7\u00f5es e treinamentos, todos s\u00e3o fatores de garantia da qualidade que constantemente sofrem acr\u00e9scimo de custos. O Estado n\u00e3o considera estes valores nem os aumentos de custo. Tudo isso \u00e9 ignorado e negado aos pacientes do SUS pelo Minist\u00e9rio da Sa\u00fade. Por\u00e9m, essa situa\u00e7\u00e3o s\u00f3 vale para os hospitais conveniados, os quais atendem a popula\u00e7\u00e3o mais carente.<\/p>\n<p>Enquanto os hospitais or\u00e7amentados (hospitais p\u00fablicos, autarquias e universit\u00e1rios), que atendem principalmente o funcionalismo, n\u00e3o est\u00e3o limitados por esta tabela. Podem escolher as melhores t\u00e9cnicas dispon\u00edveis no mercado.<\/p>\n<p>Se o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade considera que a tabela atual permite o bom atendimento, por que raz\u00e3o todos os procedimentos dos hospitais or\u00e7amentados que recebem verba p\u00fablica &#8211; Federal, Estaduais e Municipais, autarquias, universit\u00e1rios e funda\u00e7\u00f5es p\u00fablicas &#8211; n\u00e3o seguem, obrigatoriamente, a mesma tabela? Ou a ideia \u00e9 mesmo a de continuar tendo pacientes de 1\u00aa e 2\u00aa classe? O que ser\u00e1 que a popula\u00e7\u00e3o brasileira pensar\u00e1 quando souber dessa situa\u00e7\u00e3o? Ficam os questionamentos.<\/p>\n<p><strong>*Paulo Henrique Fraccaro &#8211; Superintendente da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira da Ind\u00fastria de Dispositivos M\u00e9dicos (ABIMO).<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;O ser humano n\u00e3o \u00e9 uma m\u00e1quina, cada um tem suas carater\u00edsticas e carece de cuidado. O\u00a0mais grave \u00e9 que o Minist\u00e9rio da Sa\u00fade chegou ao ponto de dividir os pacientes brasileiros em duas classes: aqueles que t\u00eam acesso \u00e0s tecnologias mais atuais, e os que s\u00f3 podem ser atendidos por produtos com tecnologia mais antiga, defasada, que ainda continuam [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2719],"tags":[203,1436,14042,7361,8879,3841,7321,19288,482,174,2242,19287,8864,1075,2000,354,3426],"class_list":["post-20595","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-servidor","tag-acoes","tag-classes","tag-defasada","tag-dispositivos","tag-fabricantes","tag-hospitais","tag-hospitalares","tag-implantaveis","tag-materiais","tag-medicos","tag-ministerio-da-saude","tag-opme","tag-pacientes","tag-profissionais","tag-sus","tag-tabela","tag-tecnologias"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20595","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=20595"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20595\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":20597,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/20595\/revisions\/20597"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=20595"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=20595"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=20595"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}