{"id":2002,"date":"2016-06-22T14:36:14","date_gmt":"2016-06-22T17:36:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=2002"},"modified":"2016-06-22T14:36:14","modified_gmt":"2016-06-22T17:36:14","slug":"interfarma-denuncia-que-governo-paga-ate-330-mais-por-medicamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/interfarma-denuncia-que-governo-paga-ate-330-mais-por-medicamento\/","title":{"rendered":"Interfarma denuncia que governo paga at\u00e9 330% a mais por medicamento"},"content":{"rendered":"<p><em>Desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos acontece, segundo a Interfarma, devido ao crescimento da modalidade \u201cdep\u00f3sito em conta judicial\u201d, em que o governo d\u00e1 ao paciente o dinheiro para a compra do medicamento. Interfarma lan\u00e7a cartilha sobre judicializa\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n<p>O financiamento p\u00fablico da sa\u00fade, j\u00e1 insuficiente para garantir o atendimento adequado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 ficando ainda mais comprometido pelo crescimento das a\u00e7\u00f5es judiciais. Um modelo de pagamento chamado \u201cdep\u00f3sito em conta judicial\u201d cresceu 227% entre 2012 e 2015, gerando mais de R$ 440 milh\u00f5es em despesas, denunciou a Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Farmac\u00eautica de Pesquisa (Interfarma).<\/p>\n<p>Essa modalidade de pagamento consiste na transfer\u00eancia de recursos p\u00fablicos para que o pr\u00f3prio paciente compre os medicamentos que necessita, nos casos de a\u00e7\u00f5es ganhas na Justi\u00e7a contra o governo federal. O grande problema \u00e9 que n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel aplicar os descontos nos pre\u00e7os dos medicamentos, obrigatoriamente praticados em outras situa\u00e7\u00f5es de compras p\u00fablicas.<\/p>\n<p>Dessa forma, o governo deposita para o paciente um valor que pode ser at\u00e9 170% superior ao que pagaria, se o medicamento fosse adquirido via a\u00e7\u00e3o judicial pela modalidade \u201ccompras\u201d (governo negocia diretamente com o fornecedor). O desperd\u00edcio \u00e9 ainda maior se comparado ao valor pago por medicamentos incorporados ao SUS. Recentemente, o governo incorporou tr\u00eas medicamentos novos para hepatite C cr\u00f4nica, gerando uma economia que variou entre 352% e 607% por unidade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>(R$ milh\u00f5es)<\/em><\/p>\n<table width=\"628\">\n<tbody>\n<tr>\n<td rowspan=\"2\">Modalidade de pagamento<\/td>\n<td>2012<\/td>\n<td rowspan=\"2\">2012%<\/td>\n<td>2013<\/td>\n<td rowspan=\"2\">2013%<\/td>\n<td>2014<\/td>\n<td rowspan=\"2\">2014%<\/td>\n<td>2015<\/td>\n<td rowspan=\"2\">2015%<\/td>\n<td>Var. 2015 \/2014<\/td>\n<td>Var. 2015 \/2012<\/td>\n<td>Acum. 2012 a 2015<\/td>\n<td rowspan=\"2\" width=\"55\">% Acum. 2012 a 2014<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>(Mi R$)<\/td>\n<td>(Mi R$)<\/td>\n<td>(Mi R$)<\/td>\n<td>(Mi R$)<\/td>\n<td>%<\/td>\n<td>%<\/td>\n<td>(Mi R$)<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Compra (DELOG)<\/td>\n<td>324,45<\/td>\n<td>88,19%<\/td>\n<td>438,82<\/td>\n<td>79,37%<\/td>\n<td>703,39<\/td>\n<td>83,32%<\/td>\n<td>618,58<\/td>\n<td>81,33%<\/td>\n<td>-12,06%<\/td>\n<td>90,66%<\/td>\n<td>2.085,24<\/td>\n<td width=\"55\">82,57%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Dep\u00f3sito em conta judicial (FNS)<\/td>\n<td>43,44<\/td>\n<td>11,81%<\/td>\n<td>114,05<\/td>\n<td>20,63%<\/td>\n<td>140,82<\/td>\n<td>16,68%<\/td>\n<td>141,98<\/td>\n<td>18,67%<\/td>\n<td>0,82%<\/td>\n<td>226,83%<\/td>\n<td>440,29<\/td>\n<td width=\"55\">17,43%<\/td>\n<\/tr>\n<tr>\n<td>Total<\/td>\n<td>367,89<\/td>\n<td>100,00%<\/td>\n<td>552,87<\/td>\n<td>100,00%<\/td>\n<td>844,21<\/td>\n<td>100,00%<\/td>\n<td>760,56<\/td>\n<td>100,00%<\/td>\n<td>-9,91%<\/td>\n<td>106,73%<\/td>\n<td>2.525,53<\/td>\n<td width=\"55\">100,00%<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p><em>Fonte: Comprasnet e Fundo Nacional de Sa\u00fade. Elabora\u00e7\u00e3o: INTERFARMA<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>\u201cEssa \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o grav\u00edssima e absurda. Se faltam recursos para a gest\u00e3o da sa\u00fade, todo investimento deve ser feito da melhor maneira poss\u00edvel e n\u00e3o podemos admitir um desperd\u00edcio desses\u201d, afirma Ant\u00f4nio Britto, presidente-executivo da Interfarma (Associa\u00e7\u00e3o da Ind\u00fastria Farmac\u00eautica de Pesquisa).<\/p>\n<p>A forma mais econ\u00f4mica, considerando a rela\u00e7\u00e3o custo-benef\u00edcio, seria a incorpora\u00e7\u00e3o de mais medicamentos aos SUS. Isso tamb\u00e9m garantiria \u00e0 popula\u00e7\u00e3o mais acesso aos tratamentos recentes e modernos. \u201cQuando o governo fecha a porta da incorpora\u00e7\u00e3o, as pessoas entram pela janela da judicializa\u00e7\u00e3o\u201d, argumenta Britto.<\/p>\n<p><strong>Cartilha de judicializa\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p>A Interfarma acaba de lan\u00e7ar a cartilha \u201cPor que o brasileiro recorre \u00e0 Justi\u00e7a para adquirir medicamentos? Entenda o que \u00e9 a judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade\u201d, dispon\u00edvel para download gratuito <a href=\"http:\/\/www.interfarma.org.br\/uploads\/biblioteca\/101-por-que-o-brasileiro-vai-a-justiaa-em-busca-de-medicamentos-site.pdf\">aqui<\/a>. A publica\u00e7\u00e3o re\u00fane e esclarece as principais causas de a\u00e7\u00f5es judiciais movidas contra o governo, em busca de tratamentos.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, a cartilha contabiliza as despesas do governo federal e mostra que mais de R$ 1,7 bilh\u00e3o foram gastos em tr\u00eas anos por conta de a\u00e7\u00f5es judiciais. Os tipos de medicamentos mais judicializados e a rela\u00e7\u00e3o entre doen\u00e7as raras e judicializa\u00e7\u00e3o da sa\u00fade tamb\u00e9m s\u00e3o quest\u00f5es abordadas.<\/p>\n<p>Em busca de solu\u00e7\u00f5es para o problema, a Interfarma sugere algumas estrat\u00e9gicas que podem ser adotadas para reduzir a necessidade das a\u00e7\u00f5es judiciais, favorecendo assim o equil\u00edbrio das contas p\u00fablicas, o planejamento da iniciativa privada e o acesso de terapias modernas e eficientes \u00e0 popula\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Sobre a Interfarma<\/strong><\/p>\n<p>A Interfarma possui 56 laborat\u00f3rios associados, respons\u00e1veis pela venda de 82% dos medicamentos de refer\u00eancia do mercado e por 33% dos gen\u00e9ricos. As empresas associadas respondem por 43% da produ\u00e7\u00e3o dos medicamentos isentos de prescri\u00e7\u00e3o (MIPs) do mercado brasileiro e por 52% dos medicamentos tarjados &#8211; 50% do total do mercado de varejo. As farmac\u00eauticas associadas \u00e0 Interfarma investem por ano cerca de R$ 38 milh\u00f5es para realizarem 2.200 a\u00e7\u00f5es de responsabilidade socioambiental. O relat\u00f3rio Responsabilidade Social-2015 mostra tamb\u00e9m que 20% dos funcion\u00e1rios se dedicam a atividades volunt\u00e1rias, percentual acima da m\u00e9dia nacional de 11%.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Desperd\u00edcio de recursos p\u00fablicos acontece, segundo a Interfarma, devido ao crescimento da modalidade \u201cdep\u00f3sito em conta judicial\u201d, em que o governo d\u00e1 ao paciente o dinheiro para a compra do medicamento. Interfarma lan\u00e7a cartilha sobre judicializa\u00e7\u00e3o O financiamento p\u00fablico da sa\u00fade, j\u00e1 insuficiente para garantir o atendimento adequado \u00e0 popula\u00e7\u00e3o, est\u00e1 ficando ainda mais comprometido pelo crescimento das a\u00e7\u00f5es judiciais. 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