{"id":1911,"date":"2016-06-15T11:30:14","date_gmt":"2016-06-15T14:30:14","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=1911"},"modified":"2016-06-15T11:30:14","modified_gmt":"2016-06-15T14:30:14","slug":"as-trapalhadas-do-planejamento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/as-trapalhadas-do-planejamento\/","title":{"rendered":"As trapalhadas do Planejamento"},"content":{"rendered":"<p><em>Governo admite erro no impacto do reajuste dos servidores at\u00e9 2018. Pelas contas do minist\u00e9rio, valor foi subestimado em R$ 14,8 bilh\u00f5es. Apesar da negativa da pasta, aumentos ultrapassam a infla\u00e7\u00e3o estimada para o per\u00edodo<\/em><\/p>\n<p><strong>ROSANA HESSEL<\/strong><\/p>\n<p><strong>VERA BATISTA<\/strong><\/p>\n<p>O vai e vem de n\u00fameros do Minist\u00e9rio do Planejamento sobre o impacto do reajuste dos servidores aprovado pelo Congresso Nacional aumentou a desconfian\u00e7a e a insatisfa\u00e7\u00e3o sobre os custos da medida para os cofres do governo. Al\u00e9m de admitir que errou para menos nas proje\u00e7\u00f5es de gastos at\u00e9 2018 em R$ 14,8 bilh\u00f5es, a pasta tenta esconder que esses aumentos v\u00e3o superar a infla\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Ontem, o Planejamento divulgou uma nota informando que a previs\u00e3o das despesas extras na folha de pagamentos depois do reajustes passou de R$ 52,9 bilh\u00f5es para R$ 67,7 bilh\u00f5es, at\u00e9 2018, devido a um \u201cerro t\u00e9cnico\u201d. O \u00f3rg\u00e3o avisou que deixou de computar na tabela o efeito cumulativo dos reajustes concedidos em anos anteriores e que incidem em 2017 e em 2018. Pelas novas contas, o impacto dos reajustes ser\u00e1 de R$ 7 bilh\u00f5es, neste ano; de R$ 25,2 bilh\u00f5es, no ano que vem; e de R$ 35,6 bilh\u00f5es, no seguinte, como mostra o quadro ao lado.<\/p>\n<p>No entanto, o Planejamento utilizou n\u00fameros bem menores quando tenta mostrar que o aumento ser\u00e1 menor do que a infla\u00e7\u00e3o projetada. Pela tabela apresentada, a massas salarial passa de R$ 252,4 bilh\u00f5es para R$ 256,2 bilh\u00f5es entre 2016 e 2017 (alta de 5,1%) e para R$ 267,2 bilh\u00f5es em 2018 (mais 4,1%). O \u00f3rg\u00e3o prev\u00ea varia\u00e7\u00e3o na infla\u00e7\u00e3o de 5,5%, em 2017, e de 5,0%, em 2018.<\/p>\n<p>No entanto, se forem considerados os aumentos da nova tabela, a folha do funcionalismo federal teria aumentos superiores. Passaria de R$ 258,8 bilh\u00f5es, conforme est\u00e1 previsto no Decreto n\u00ba 8.784, de 7 de junho deste ano, para R$ 284,0 bilh\u00f5es, em 2017, aumento de 10%. E, em 2018, subiria para R$ 319,6 bilh\u00f5es, registrando alta de 12,8%. Procurado, o Planejamento informou que \u201cs\u00e3o os par\u00e2metros com os quais ele trabalha\u201d e manteve as contas divulgadas.<\/p>\n<p>A economista Monica de Bolle, pesquisadora do Peterson Institute for International Economics, em Washington, conferiu os n\u00fameros e constatou que houve erro tamb\u00e9m nas proje\u00e7\u00f5es da folha. \u201cAo mostrar contas erradas, a equipe econ\u00f4mica passa a impress\u00e3o de que n\u00e3o sabe o que est\u00e1 fazendo para quem n\u00e3o entende e que precisa ser convencido\u201d, disse.<\/p>\n<p>Outro erro da equipe econ\u00f4mica de Temer pode ser ainda mais grave, a despesa com a folha, prevista no decreto que reviu a meta para rombo de R$ 170,5 bilh\u00f5es neste ano era de R$ 258,8 bilh\u00f5es e n\u00e3o os R$ 252,4 bilh\u00f5es divulgados pelo \u00f3rg\u00e3o, lembrou o economista F\u00e1bio Klein, especialista em Finan\u00e7as P\u00fablicas da Tend\u00eancias Consultoria. \u201cN\u00e3o ficou claro como o Planejamento fez essa soma. H\u00e1 s\u00e9rias inconsist\u00eancia entre a tabela que aponta os valores anuais e o acumulado e a que projeta o crescimento da folha\u201d, enfatizou.<\/p>\n<p><b>Dificuldades<\/b><\/p>\n<p>Para Monica, esse aumento nos custos com os reajustes s\u00f3 mostra uma coisa: est\u00e1 cada vez mais dif\u00edcil para o governo reverter o deficit fiscal antes de 2019, ano em que a conta do reajuste salarial dos servidores dever\u00e1 crescer mais de R$ 40 bilh\u00f5es, pelas estimativas antecipadas pelo Blog do Vicente. \u201cAt\u00e9 l\u00e1, o governo continuar\u00e1 fechando as contas no vermelho\u201d, pontuou a economista.<\/p>\n<p>Ao apresentar uma conta maior do que a prevista anteriormente para o reajuste de servidores em um ano em que o deficit fiscal dever\u00e1 ser recorde n\u00e3o mostra um controle no contexto da gest\u00e3o das contas p\u00fablicas como o esperado, na avalia\u00e7\u00e3o do professor de administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica da Universidade de Bras\u00edlia (UnB) Jos\u00e9 Matias-Pereira. \u201cNum momento em que o governo est\u00e1 buscando reorganizar as contas p\u00fablicas e reduzir as despesas, n\u00e3o estou discutindo o m\u00e9rito da quest\u00e3o, mas uma fatura desse tamanho que est\u00e1 sendo mandada ao contribuinte mostra contradi\u00e7\u00e3o\u201d, comentou ele.<\/p>\n<p>O economista Carlos Eduardo de Freitas, ex-diretor do Banco Central, lembrou que at\u00e9 mesmo os novos valores continuam subestimados, independentemente de n\u00e3o contemplarem o crescimento vegetativo das despesas com pessoal \u2014 quando n\u00e3o se considera promo\u00e7\u00f5es, contrata\u00e7\u00f5es ou convoca\u00e7\u00e3o de aprovados em concursos. \u201cO governo se contradiz a toda hora. Os n\u00fameros n\u00e3o batem\u201d, afirmou ele.<\/p>\n<p>Freitas demonstrou preocupa\u00e7\u00e3o com o <b>crescimento<\/b> dos gastos neste ano, que passou de R$ 74 bilh\u00f5es, nos primeiros meses de 2015, para R$ 79,1 bilh\u00f5es. \u201cIsso aconteceu sem estripulias, apenas com o crescimento vegetativo. Agora, caso os reajustes negociados pelo Executivo sejam aprovados pelo Legislativo, o impacto entre 2017 e 2018 n\u00e3o ser\u00e1 menor que 12%\u201d, avisou.<\/p>\n<p><b>\u00d4nus e b\u00f4nus<\/b><\/p>\n<p>O economista-chefe da Austin Rating, Alex Agostini, refor\u00e7ou que a os reajustes salariais dos servidores sempre ficou acima da infla\u00e7\u00e3o nos governo Dilma e Lula e, neste ano, n\u00e3o foi diferente. \u201cTemer abriu m\u00e3o do \u00f4nus financeiro para ter o b\u00f4nus pol\u00edtico para aprovar as reformas\u201d, resumiu. Para ele, esses c\u00e1lculos errados s\u00e3o resultados de um \u201cequ\u00edvoco\u201d dos t\u00e9cnicos, que subestimaram o impacto. \u201cMas esse reajuste n\u00e3o interfere no compromisso do novo governo em fazer um ajuste fiscal\u201d, completou.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Governo admite erro no impacto do reajuste dos servidores at\u00e9 2018. Pelas contas do minist\u00e9rio, valor foi subestimado em R$ 14,8 bilh\u00f5es. 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