{"id":14594,"date":"2019-12-06T06:25:59","date_gmt":"2019-12-06T09:25:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=14594"},"modified":"2019-12-05T20:30:37","modified_gmt":"2019-12-05T23:30:37","slug":"discussao-sobre-o-minimo-ainda-e-tabu-no-brasil","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/discussao-sobre-o-minimo-ainda-e-tabu-no-brasil\/","title":{"rendered":"Discuss\u00e3o sobre o m\u00ednimo ainda \u00e9 tabu no Brasil"},"content":{"rendered":"<p><em>O Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) divulgou o custo da cesta b\u00e1sica (conjunto de alimentos essenciais) no pa\u00eds, que teve aumento em 17 capitais do pa\u00eds. Mas alguns especialistas sequer aceitam falar sobre ele ou indicar o ponto de equil\u00edbrio para a sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda<\/em><\/p>\n<p>E para fazer frente aos gastos das fam\u00edlias (de quatro pessoas) com os produtos, em novembro de 2019, o sal\u00e1rio m\u00ednimo necess\u00e1rio deveria equivaler a R$ 4.021,39, ou 4,03 vezes o atual (R$ 998,00), apontou o Dieese. O valor \u00e9 maior que o de outubro de 2019, de R$ 3.978,63, ou 3,99 vezes, e ao de novembro de 2018, quando foi de R$ 3.959,98, ou 4,15 vezes o m\u00ednimo, na \u00e9poca em R$ 954,00. O estudo mostrou, mais uma vez, que o debate sobre sal\u00e1rio ainda \u00e9 tabu no Brasil. Alguns especialistas sequer aceitam falar sobre ele ou indicar o ponto de equil\u00edbrio para a sobreviv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o de baixa renda.<\/p>\n<p>Para a maioria dos analistas, o valor de R$ 4 mil mensais \u00e9 irreal. N\u00e3o cabe no Produto Interno Bruto (PIB, soma das riquezas do pa\u00eds) brasileiro que, em 2018, ficou em R$ 6,9 trilh\u00f5es (ou US$ 1,8 trilh\u00e3o). Segundo o secret\u00e1rio de Or\u00e7amento Federal do Minist\u00e9rio da Economia, George Soares, cada R$ 1 de diferen\u00e7a no m\u00ednimo tem impacto de R$ 320 milh\u00f5es. Com base nesse c\u00e1lculo, quando se subtrai os R$ 4,021 dos R$ 998, o resultado \u00e9 R$ 3,023,39. O que significa que, caso o m\u00ednimo do pelo Dieese fosse aplicado, o impacto total na economia seria de R$ 967,4 bilh\u00f5es. O dilema, ent\u00e3o, \u00e9 chegar a um valor que seja suport\u00e1vel e, ao mesmo tempo, que evite que as pessoas passem por dificuldades.<\/p>\n<p>Na an\u00e1lise de F\u00e1bio Bentes, economista-chefe da Confedera\u00e7\u00e3o Nacional do Com\u00e9rcio (CNC), o m\u00ednimo est\u00e1 aqu\u00e9m das necessidades, reflexo da m\u00e1 distribui\u00e7\u00e3o de renda no pa\u00eds. Mas aument\u00e1-lo para R$ 4 mil, significaria for\u00e7ar o governo a fazer nova reforma da Previd\u00eancia. \u201cO brasileiro ganha mal, porque a produtividade dele \u00e9 baixa. Para o pa\u00eds absorver todos os atuais desempregados e os que entrar\u00e3o no mercado de trabalho, a economia teria que crescer pelo menos 3,5% ao ano\u201d, disse. Para melhora a produtividade, o governo deveria investir mais em educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, as empresas, em tecnologia, e as fam\u00edlias, em qualifica\u00e7\u00e3o. \u201cUma equa\u00e7\u00e3o dif\u00edcil\u201d, admite Bentes. J\u00e1 que o governo passa por severo ajuste fiscal, as empresas s\u00f3 agora come\u00e7am a abrir vagas e as fam\u00edlias, sem emprego e sem oportunidades, n\u00e3o t\u00eam acesso a cursos de treinamento.<\/p>\n<p>\u201cUma sequ\u00eancia de erros. Por isso, as reformas \u2013 tribut\u00e1ria e administrativa \u2013 s\u00e3o importantes. Com elas o governo abre espa\u00e7o (no or\u00e7amento) para investimentos em \u00e1reas essenciais\u201d, refor\u00e7ou Bentes. Para Eduardo Velho, economista e s\u00f3cio da GO Associados, \u201ctemos que olhar para frente\u201d. A recess\u00e3o profunda, principalmente entre 2014 e 2017, elevou as desigualdades e o endividamento das fam\u00edlias. \u201cEstamos em processo de ajuste gradual. Se infla\u00e7\u00e3o e juros permanecerem baixos, com o aumento da massa de sal\u00e1rios, talvez se concretize uma melhora no poder de compra e consequentemente nas condi\u00e7\u00f5es de vida da popula\u00e7\u00e3o\u201d, destacou.<\/p>\n<p><strong>Dignidade<\/strong><\/p>\n<p>O c\u00e1lculo do sal\u00e1rio necess\u00e1rio do Dieese tem como base o suficiente para suprir as despesas do trabalhador e de sua fam\u00edlia com alimenta\u00e7\u00e3o, moradia, sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, vestu\u00e1rio, higiene, transporte, lazer e previd\u00eancia. Quando se compara o custo da cesta e o m\u00ednimo l\u00edquido (ap\u00f3s o desconto da Previd\u00eancia Social), o trabalhador remunerado pelo piso nacional comprometeu, em novembro, 44,05% da renda para comprar os produtos (43,80%, em outubro, e 45,07%, em novembro de 2018). Com o valor fixado em janeiro de 2019, o m\u00ednimo acumula, desde maio de 2004, aumento real de 74,33%. Por\u00e9m, considerando-se a s\u00e9rie hist\u00f3rica, o valor de R$ 998,00, embora seja o maior da s\u00e9rie, se mant\u00e9m em patamar pr\u00f3ximo ao registrado nos \u00faltimos tr\u00eas anos.<\/p>\n<p>Nas estimativas do \u00f3rg\u00e3o, 48 milh\u00f5es de pessoas t\u00eam rendimento referenciado no m\u00ednimo; R$ 27,1 bilh\u00f5es \u00e9 o incremento de renda na economia; e a arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria sobre o consumo cresce em R$ 14,6 bilh\u00f5es com o reajuste. Na Previd\u00eancia, o peso da massa de benef\u00edcios de at\u00e9 um sal\u00e1rio m\u00ednimo \u00e9 de 46,1% (66,6% do total de benefici\u00e1rios). Diferentemente do governo, o Dieese estimou que o acr\u00e9scimo de cada R$ 1,00 no m\u00ednimo tinha impacto estimado de R$ 302,723 milh\u00f5es ao ano sobre a folha de benef\u00edcios da Previd\u00eancia. \u201cAssim, o aumento para R$ 998,00 (varia\u00e7\u00e3o de R$ 44,00) significar\u00e1 custo adicional ao ano de cerca de R$ 13,3 bilh\u00f5es. Este custo \u00e9 totalmente compensado pelo aumento da arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria\u201d, concluiu o Dieese.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese) divulgou o custo da cesta b\u00e1sica (conjunto de alimentos essenciais) no pa\u00eds, que teve aumento em 17 capitais do pa\u00eds. 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