{"id":1439,"date":"2016-04-07T18:56:02","date_gmt":"2016-04-07T21:56:02","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=1439"},"modified":"2016-04-07T18:56:02","modified_gmt":"2016-04-07T21:56:02","slug":"plp-2572016-transforma-uniao-em-seguradora-internacional-para-investidores","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/plp-2572016-transforma-uniao-em-seguradora-internacional-para-investidores\/","title":{"rendered":"PLP 257\/2016 TRANSFORMA A UNI\u00c3O EM SEGURADORA INTERNACIONAL PARA INVESTIDORES"},"content":{"rendered":"<p><em>E tamb\u00e9m garante a remunera\u00e7\u00e3o da sobra de bancos, no entender da coordenadora Nacional da Auditoria da D\u00edvida Cidad\u00e3. Veja, na \u00edntegra, o artigo:<\/em><\/p>\n<p><em><strong>Maria Lucia Fatorelli* <\/strong><\/em><\/p>\n<p>Importantes setores da sociedade civil e entidades representantes de trabalhadores t\u00eam levantado a voz contra o PLP 257\/2016, por seu intenso ataque \u00e0 estrutura de Estado: referido projeto imp\u00f5e rigoroso ajuste fiscal que inclui exig\u00eancia de privatiza\u00e7\u00f5es, reforma da previd\u00eancia nos estados, congelamento de sal\u00e1rios e corte de dezenas de direitos sociais.<br \/>\nVisando contar com o apoio de entes federados para a r\u00e1pida aprova\u00e7\u00e3o desse indesej\u00e1vel ato, o governo federal incluiu no projeto um al\u00edvio para os atuais governadores, por meio se alongamento para o pagamento das question\u00e1veis d\u00edvidas p\u00fablicas dos respectivos estados que, se fossem submetidas a uma auditoria, estariam fadadas a anula\u00e7\u00e3o.<br \/>\nO que ainda n\u00e3o est\u00e1 sendo devidamente denunciado \u00e9 mais um par de aberra\u00e7\u00f5es inclu\u00eddas no referido PLP 257\/2016:<br \/>\n1) Transforma\u00e7\u00e3o da Uni\u00e3o em uma seguradora internacional para investimentos de empresas nacionais ou multinacionais no exterior:<br \/>\nSegundo consta do referido projeto 257, a Uni\u00e3o poder\u00e1 dar garantias financeiras, sem a necessidade de detalhar \u201ca rela\u00e7\u00e3o custo benef\u00edcio e o interesse econ\u00f4mico-social da opera\u00e7\u00e3o\u201d, a \u201centidades privadas nacionais e estrangeiras, estados estrangeiros, ag\u00eancias oficiais de cr\u00e9dito \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o e organismos financeiros multilaterais quanto \u00e0s opera\u00e7\u00f5es de garantia de cr\u00e9dito \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, de seguro de cr\u00e9dito \u00e0 exporta\u00e7\u00e3o, e de seguro de investimento, hip\u00f3teses nas quais a Uni\u00e3o est\u00e1 autorizada a efetuar o pagamento de indeniza\u00e7\u00f5es de acordo com o cronograma de pagamento da opera\u00e7\u00e3o coberta.\u201d<br \/>\nEssa injustificada benesse est\u00e1 inclu\u00edda no art. 14 do PLP 257, na parte em que altera o art. 40 da Lei de Responsabilidade Fiscal.<br \/>\n2) Garantia de remunera\u00e7\u00e3o da sobra de caixa de bancos:<\/p>\n<p>Tal benesse est\u00e1 colocada de forma muito sutil, quase impercept\u00edvel, no art. 16 do PLP 257:<br \/>\nArt. 16. A Lei n\u00ba 4.595, de 31 de dezembro de 1964, passa a vigorar com as seguintes altera\u00e7\u00f5es:<br \/>\n\u201cArt. 10.<br \/>\n(&#8230;)<br \/>\nXII &#8211; Efetuar, como instrumento de pol\u00edtica monet\u00e1ria, opera\u00e7\u00f5es de compra e venda de t\u00edtulos p\u00fablicos federais e o recebimento de dep\u00f3sitos remunerados; (&#8230;)\u201d<br \/>\n(Grifo nosso)<\/p>\n<p>Mediante essa singela altera\u00e7\u00e3o da Lei 4.595\/64, o Banco Central (BC) poder\u00e1 efetuar \u201co recebimento de dep\u00f3sitos remunerados\u201d, que, na pr\u00e1tica, significa a garantia de remunera\u00e7\u00e3o de toda a sobra de caixa, que os bancos poder\u00e3o simplesmente depositar no BC e, sem risco algum, receber a remunera\u00e7\u00e3o desejada.<br \/>\nEssa medida vem justamente no momento em que aumentam as den\u00fancias sobre as chamadas \u201copera\u00e7\u00f5es compromissadas\u201d realizadas pelo BC sob a justificativa de controlar a infla\u00e7\u00e3o. O BC retira do sistema financeiro o que considera excesso de moeda, trocando referido excesso por t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica que pagam os juros mais elevados do planeta!<br \/>\nTal opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o tem sido suficiente para controlar a infla\u00e7\u00e3o e, na pr\u00e1tica, garante a remunera\u00e7\u00e3o de toda a sobra de caixa dos bancos, provocando graves danos \u00e0 economia nacional, na medida em que:<br \/>\n&#8211; gera d\u00edvida p\u00fablica sem contrapartida alguma;<br \/>\n&#8211; gera obriga\u00e7\u00e3o de pagamento de juros aos bancos;<br \/>\n&#8211; acirra a eleva\u00e7\u00e3o das taxas de juros de mercado, pois enxuga cerca de R$ 1 trilh\u00e3o dos bancos, instituindo cen\u00e1rio de profunda escassez de recursos, afetando fortemente a ind\u00fastria, o com\u00e9rcio e todas as pessoas que recorrem a cr\u00e9dito banc\u00e1rio;<br \/>\n&#8211; empurra o pa\u00eds para uma profunda crise socioecon\u00f4mica, devido \u00e0 exig\u00eancia de pagamento de elevados juros sobre cerca de R$ 1 trilh\u00e3o.<\/p>\n<p>A altera\u00e7\u00e3o trazida pelo PLP 257 permite que o BC continue remunerando a sobra de caixa dos bancos, por\u00e9m, sem a utiliza\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos da d\u00edvida p\u00fablica, pois insere na \u201clei\u201d a remunera\u00e7\u00e3o dos dep\u00f3sitos feitos pelos bancos como um \u201cinstrumento de pol\u00edtica monet\u00e1ria\u201d.<\/p>\n<p>Embora aparentemente haver\u00e1 uma redu\u00e7\u00e3o no montante da d\u00edvida p\u00fablica em poder do BC, o custo com os juros se manter\u00e1, ou at\u00e9 aumentar\u00e1, pois o BC ir\u00e1 remunerar os dep\u00f3sitos volunt\u00e1rios feitos pelos bancos em patamares sequer declarados. Todos os mesmos graves danos \u00e0 economia nacional que as tais \u201copera\u00e7\u00f5es compromissadas\u201d v\u00eam provocando tamb\u00e9m continuar\u00e3o existindo.<\/p>\n<p>Essas duas aberra\u00e7\u00f5es que beneficiam bancos e grandes empresas nacionais e estrangeiras que investem no exterior, representam um verdadeiro assalto aos cofres p\u00fablicos, e constituem uma tremenda inf\u00e2mia, pois est\u00e3o colocadas no mesmo projeto que subtrai dezenas de direitos de trabalhadores e leva ao sucateamento diversos servi\u00e7os p\u00fablicos essenciais \u00e0 sociedade: sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, seguran\u00e7a, assist\u00eancia etc.<br \/>\nDiante disso, al\u00e9m do rep\u00fadio ao ataque aos servidores e \u00e0 sociedade perpetrado pelo PLP 257\/2016, devem ser tamb\u00e9m repudiados os dispositivos do referido projeto que alteram o art. 40 da LRF e o art. 10, inciso XII, da Lei 4.595\/64, pois tais dispositivos representam um abuso injustific\u00e1vel que transforma a Uni\u00e3o em seguradora internacional para investidores e garante remunera\u00e7\u00e3o da sobra de caixa de bancos.<\/p>\n<p><em><strong>*Coordenadora Nacional da Auditoria Cidad\u00e3 da D\u00edvida<\/strong><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>E tamb\u00e9m garante a remunera\u00e7\u00e3o da sobra de bancos, no entender da coordenadora Nacional da Auditoria da D\u00edvida Cidad\u00e3. 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