{"id":14276,"date":"2019-10-30T15:17:27","date_gmt":"2019-10-30T18:17:27","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=14276"},"modified":"2019-10-30T15:17:27","modified_gmt":"2019-10-30T18:17:27","slug":"economistas-e-liderancas-sociais-se-unem-pelo-fortalecimento-dos-bancos-publicos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/economistas-e-liderancas-sociais-se-unem-pelo-fortalecimento-dos-bancos-publicos\/","title":{"rendered":"Economistas e lideran\u00e7as sociais se unem pelo fortalecimento dos bancos p\u00fablicos"},"content":{"rendered":"<p><em>O ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ressaltou que ao longo da hist\u00f3ria do Brasil os bancos p\u00fablicos sempre financiaram o avan\u00e7o da infraestrutura nacional<\/em><\/p>\n<p>Os bancos p\u00fablicos s\u00e3o os principais agentes de desenvolvimento do pa\u00eds e est\u00e3o na mira da pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00f5es do governo federal. Apontar caminhos para deter este desmonte foi o foco do painel que reuniu economistas, lideran\u00e7as sociais e representantes sindicais ontem (29), em Bras\u00edlia, durante o semin\u00e1rio &#8220;O Brasil \u00e9 nosso! \u2013 Em defesa dos bancos p\u00fablicos e da soberania nacional\u201d.<\/p>\n<p>O economista Luciano Coutinho (ex-presidente do BNDES) abriu o di\u00e1logo com um resgate hist\u00f3rico da fun\u00e7\u00e3o socioecon\u00f4mica dessas institui\u00e7\u00f5es. &#8220;Ao olharmos para tr\u00e1s veremos que o Banco do Brasil, por exemplo, \u00e9 fundamental desde o per\u00edodo colonial&#8221;. E de l\u00e1 para c\u00e1, pontuou Coutinho, foram sempre os bancos p\u00fablicos que financiaram o avan\u00e7o da infraestrutura nacional &#8211; notadamente estradas, hidrel\u00e9tricas, portos, telecomunica\u00e7\u00f5es, ferrovias e ind\u00fastria, entre outros.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia do financiamento p\u00fablico para garantir o acesso a direitos como moradia, saneamento b\u00e1sico, educa\u00e7\u00e3o e transporte foi destacada pelo economista-chefe do Banco do Nordeste do Brasil (BNB), Luiz Alberto Esteves, para quem a fun\u00e7\u00e3o social desempenhada por estas entidades s\u00e3o imprescind\u00edveis. &#8220;O setor privado n\u00e3o absorve a demanda da popula\u00e7\u00e3o mais pobre, isso \u00e9 um fato. Se a pessoa que busca cr\u00e9dito n\u00e3o tem forma\u00e7\u00e3o e n\u00e3o tem garantia, o banco n\u00e3o opera&#8221;, argumentou.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do professor Ant\u00f4nio Corr\u00eaa Lacerda (PUC\/SP) os bancos p\u00fablicos corrigem uma distor\u00e7\u00e3o da l\u00f3gica do mercado em que a popula\u00e7\u00e3o de baixa renda n\u00e3o est\u00e1 inclu\u00edda. &#8220;Quando um banco p\u00fablico oferece cr\u00e9dito e financiamento ao setor privado existe um efeito multiplicador destas atividades que v\u00e3o gerar emprego e renda e voltar para o estado na condi\u00e7\u00e3o de impostos. O bom ajuste fiscal n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 aquele feito com o corte de gastos, mas tamb\u00e9m com a gera\u00e7\u00e3o de receitas&#8221;, salientou. Para Lacerda, n\u00e3o existe hoje um cen\u00e1rio em que seja poss\u00edvel criar mecanismos no setor privado para o financiamento de longo prazo e \u00e9 por isso que a venda das institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas amea\u00e7am tanto a soberania nacional.<\/p>\n<p><strong>Mobiliza\u00e7\u00e3o por direitos<\/strong><\/p>\n<p>O deputado Assis Carvalho (PT\/PI) destacou a relev\u00e2ncia do semin\u00e1rio diante da atual conjuntura. &#8220;Claro que precisamos fazer o enfrentamento pol\u00edtico, mas \u00e9 fundamental que a gente promova encontros de reflex\u00e3o como este e parta para a\u00e7\u00e3o com mais compreens\u00e3o dos desafios colocados. Nosso papel aqui \u00e9 frear a l\u00f3gica absurda deste liberalismo exagerado de quem controla o mercado, que busca liquidar qualquer regula\u00e7\u00e3o. N\u00f3s estamos mobilizados pela sobreviv\u00eancia dos bancos p\u00fablicos no Congresso Nacional, mas precisamos da rea\u00e7\u00e3o das ruas&#8221;.<\/p>\n<p>O papel dos bancos p\u00fablicos no fomento da gera\u00e7\u00e3o de renda nas comunidades do campo, da floresta e das \u00e1guas foi destacada por Alexandre Concei\u00e7\u00e3o, do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra. &#8220;A pol\u00edtica econ\u00f4mica deste governo est\u00e1 direcionada para desmontar o pa\u00eds e entregar as nossas riquezas naturais, perseguindo as terras ind\u00edgenas e acabando com a for\u00e7a de trabalho de homens e mulheres do campo. Ao mesmo tempo, o que estamos vendo \u00e9 eles fortalecerem uma burguesia entreguista, antidemocr\u00e1tica e antipopular que envenena a terra. A nossa pauta principal, neste momento hist\u00f3rico, \u00e9 a defesa do povo brasileiro. A nossa luta \u00e9 para derrotar este governo e este fascismo e retomar a democracia&#8221;.<\/p>\n<p><strong>Frear o retrocesso<\/strong><\/p>\n<p>Nessa mesma dire\u00e7\u00e3o, o coordenador nacional da Central de Movimentos Populares (CMP) Raimundo Bonfim destacou a import\u00e2ncia da press\u00e3o social para salvaguardar os interesses de quem mais precisa. &#8220;Sem a Caixa Econ\u00f4mica Federal, a gente n\u00e3o teria implementado com \u00eaxito o programa &#8220;Minha casa, Minha Vida&#8221;. Embora a gente tenha avan\u00e7ado desde a Constitui\u00e7\u00e3o Federal, com o cap\u00edtulo da pol\u00edtica urbana, e depois com o Estatuto das Cidades e os planos diretores do territ\u00f3rio, a gente precisava mais do que o arcabou\u00e7o legal para avan\u00e7ar&#8221;, afirmou.<\/p>\n<p>Para Bonfim, os bancos sofrem ataque porque eles s\u00e3o importantes para melhorar a vida da popula\u00e7\u00e3o mais pobre. &#8220;Se n\u00e3o fosse a cria\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio das Cidades, no primeiro governo Lula, &#8220;e sobretudo a Caixa, que \u00e9 a respons\u00e1vel por fazer o di\u00e1logo e o conv\u00eanio, a gente n\u00e3o teria conseguido conquistar tantas moradias populares. E agora, ainda que o programa n\u00e3o tenha sido formalmente encerrado, est\u00e1 tudo parado. Eles est\u00e3o acabando com importantes instrumentos de financiamento para o desenvolvimento nacional e regional&#8221;, lamentou.<\/p>\n<p>Sergio Takemoto, vice-presidente da Fenae, lembrou que de 2009 at\u00e9 2016 o programa &#8220;Minha casa, Minha vida&#8221; contava com um or\u00e7amento de R$ 11 bilh\u00f5es por ano. &#8220;Agora para 2020 est\u00e1 previsto uma quantia de R$ 2,7 bilh\u00f5es. S\u00f3 previsto, n\u00e3o quer dizer que ser\u00e1 executado. Outra not\u00edcia que saiu esta semana \u00e9 que o governo est\u00e1 dando calote de R$ 500 milh\u00f5es nas empreiteiras que financiam justamente a faixa 1. Ou seja, isso significa menos moradia e menos gera\u00e7\u00e3o de emprego para a popula\u00e7\u00e3o&#8221;.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O ex-presidente do BNDES, Luciano Coutinho, ressaltou que ao longo da hist\u00f3ria do Brasil os bancos p\u00fablicos sempre financiaram o avan\u00e7o da infraestrutura nacional Os bancos p\u00fablicos s\u00e3o os principais agentes de desenvolvimento do pa\u00eds e est\u00e3o na mira da pol\u00edtica de privatiza\u00e7\u00f5es do governo federal. 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