{"id":11345,"date":"2018-12-31T13:01:43","date_gmt":"2018-12-31T15:01:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=11345"},"modified":"2018-12-31T13:01:43","modified_gmt":"2018-12-31T15:01:43","slug":"desafios-para-o-comercio-exterior-do-brasil-em-2019","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/desafios-para-o-comercio-exterior-do-brasil-em-2019\/","title":{"rendered":"Desafios para o Com\u00e9rcio Exterior do Brasil em 2019"},"content":{"rendered":"<p><em>&#8220;Ao que parece, a palavra de ordem ser\u00e1 abertura. E, desde que acompanhada das reformas dom\u00e9sticas que tanto impactam nosso desenvolvimento, ser\u00e1 muito bem-vinda. Hoje, a presen\u00e7a do Brasil no com\u00e9rcio exterior mundial \u00e9 inexpressiva, algo em torno de 1%. Somos um gigante t\u00edmido. Timidez, essa, tamb\u00e9m fruto da burocracia, da infraestrutura deficit\u00e1ria e da m\u00e3o-de-obra, em geral, improdutiva&#8221;<\/em><\/p>\n<p><strong><em>Kaio Cezar de Melo*<\/em><\/strong><\/p>\n<p>A despeito de uma pol\u00edtica externa que, pelo que tudo indica, ser\u00e1 pouco convencional, a comunidade empresarial tem boas expectativas com o novo governo. O momento econ\u00f4mico do Brasil levou empreendedores a pensarem a venda de seus produtos e servi\u00e7os no exterior. Isso porque historicamente, as exporta\u00e7\u00f5es crescem durante as crises, sobretudo em pa\u00edses emergentes. Para 2019, a aposta \u00e9 pela continuidade do foco nas exporta\u00e7\u00f5es como estrat\u00e9gia de neg\u00f3cio e n\u00e3o mais como alternativa emergencial.<\/p>\n<p>Ao que parece, a palavra de ordem ser\u00e1 abertura. E, desde que acompanhada das reformas dom\u00e9sticas que tanto impactam nosso desenvolvimento, ser\u00e1 muito bem-vinda. Hoje, a presen\u00e7a do Brasil no com\u00e9rcio exterior mundial \u00e9 inexpressiva, algo em torno de 1%. Somos um gigante t\u00edmido. Timidez, essa, tamb\u00e9m fruto da burocracia, da infraestrutura deficit\u00e1ria e da m\u00e3o-de-obra, em geral, improdutiva.<\/p>\n<p>No quesito macroecon\u00f4mico internacional, precisamos olhar para al\u00e9m da Am\u00e9rica Latina, e assumir um papel mais relevante entre os BRICS (grupo de pa\u00edses de economias emergentes formado por Brasil, R\u00fassia, \u00cdndia, China e \u00c1frica do Sul), enquanto houver contexto para isso, e avan\u00e7armos rumo \u00e0 OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico).<\/p>\n<p>Quando a pauta \u00e9 o BRICS, a instabilidade pol\u00edtica pela qual o Brasil passou nos \u00faltimos anos nos deixou em p\u00e9 de desigualdade em rela\u00e7\u00e3o aos demais pa\u00edses do grupo. A China, por exemplo, est\u00e1 a um passo de se tornar a maior economia do mundo. Fora isso, deveria haver facilita\u00e7\u00e3o no tr\u00e2nsito de pessoas entre essas pot\u00eancias. Nesse sentido, o \u00fanico movimento que registramos, ainda insuficiente, foi no tocante \u00e0 \u00cdndia, com o e-Visa. Precisamos simplificar o tr\u00e2nsito de capital intelectual entre esses pa\u00edses e n\u00e3o perder de vista na\u00e7\u00f5es como Canad\u00e1, Estados Unidos, Israel, Jap\u00e3o e Reino Unido, que tanto nos agregariam em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Sobre a OCDE, M\u00e9xico e Chile podem ser bons exemplos. Desde a entrada para esse seleto grupo, ambos t\u00eam registrado crescimentos expressivos no produto interno bruto ano ap\u00f3s ano. Nossos vizinhos: Argentina, que conta com o apoio declarado dos Estados Unidos, e Peru, j\u00e1 se movimentaram nessa dire\u00e7\u00e3o, assim como Cro\u00e1cia, Bulg\u00e1ria e Rom\u00eania. A chancela da organiza\u00e7\u00e3o favorece, entre outros aspectos, a atra\u00e7\u00e3o de investimentos ao pa\u00eds, j\u00e1 que seus membros possuem um alto padr\u00e3o de transpar\u00eancia nas rela\u00e7\u00f5es e na gest\u00e3o p\u00fablica. A longo prazo, fazer parte do grupo pode corroborar a competitividade das empresas brasileiras e posicionar o pa\u00eds em um patamar internacional relevante, mais digno de nossa grandeza.<\/p>\n<p>No cen\u00e1rio dom\u00e9stico, s\u00e3o necess\u00e1rios mais bons exemplos como o da Camex (C\u00e2mara de Com\u00e9rcio Exterior do Brasil), que acabou de lan\u00e7ar um guia de Boas Pr\u00e1ticas Regulat\u00f3rias que culminou na elimina\u00e7\u00e3o de 249 burocracias no com\u00e9rcio exterior, estabelecendo um marco regulat\u00f3rio consistente e transparente, bastante alinhado aos padr\u00f5es internacionais.<\/p>\n<p>Outro ponto importante s\u00e3o os obst\u00e1culos para empreender no Brasil. Hoje, ainda perde-se boa parte do tempo preenchendo pap\u00e9is, indo a cart\u00f3rios e\/ou reclamando da telefonia, da internet, dos bancos. O empreendedor deveria concentrar seus esfor\u00e7os exclusivamente no desenvolvimento do seu neg\u00f3cio e o governo, de fato, precisaria ser parceiro das empresas, papel que o Sebrae tem desempenhado muito bem para as micro e pequenas.<\/p>\n<p>Quando o assunto \u00e9 importa\u00e7\u00e3o e exporta\u00e7\u00e3o, precisa haver simplifica\u00e7\u00e3o cambial, nos financiamentos, no recolhimento de impostos, nas adequa\u00e7\u00f5es jur\u00eddicas. Uma alternativa, j\u00e1 aplicada em Hong Kong, seria a tributa\u00e7\u00e3o de empresas com menos de dois anos de opera\u00e7\u00e3o, exclusivamente sobre o lucro auferido, ou a cria\u00e7\u00e3o de um imposto \u00fanico, esp\u00e9cie de VAT, amplamente difundido no exterior, sendo a Uni\u00e3o, a respons\u00e1vel pelo repasse aos estados e munic\u00edpios. N\u00e3o faz muito sentido que o empreendedor domine, tecnicamente, as equa\u00e7\u00f5es tribut\u00e1rias ou tenha despesas administrativas em fun\u00e7\u00e3o delas.<\/p>\n<p>Na infraestrutura, \u00e9 sabido que o fluxo de cargas no Brasil se d\u00e1 majoritariamente pelas rodovias, das quais apenas 13% s\u00e3o pavimentadas. Sem falar da inseguran\u00e7a na malha rodovi\u00e1ria, vide o estado do Rio de Janeiro, cujo roubo de cargas tem levado a preju\u00edzos superiores a R$ 600 milh\u00f5es, e exigido que o setor privado busque contramedidas para minimizar esses impactos.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o da malha ferrovi\u00e1ria, que representa apenas 15% do mapa log\u00edstico do pa\u00eds, facilitaria o transporte agr\u00edcola, carro chefe do Brasil nesse momento, e geraria uma economia de mais de R$ 15 milh\u00f5es ao ano, al\u00e9m de melhorar o tr\u00e2nsito nos grandes centros urbanos, ser menos poluente e mais seguro.<\/p>\n<p>A situa\u00e7\u00e3o nos 37 portos em opera\u00e7\u00e3o no Brasil tamb\u00e9m n\u00e3o \u00e9 f\u00e1cil. Em 2017 foi registrado o menor repasse portu\u00e1rio em 14 anos. Mas, al\u00e9m de recursos incipientes, falta gest\u00e3o. Os portos operam em situa\u00e7\u00e3o ca\u00f3tica. N\u00e3o h\u00e1 padr\u00e3o administrativo, o que abre precedente para corrup\u00e7\u00e3o e diminui o interesse do investidor estrangeiro. Nesse contexto, a licita\u00e7\u00e3o dos portos seria uma alternativa.<\/p>\n<p>Que seja bem-vindo o pragmatismo, a presen\u00e7a de profissionais t\u00e9cnicos em \u00e1reas-chave, e a disposi\u00e7\u00e3o para negocia\u00e7\u00e3o com grandes na\u00e7\u00f5es. E que venham tamb\u00e9m as reformas estruturais que nos permitir\u00e3o crescer para al\u00e9m da subjetividade das expectativas e que tenhamos um projeto de pa\u00eds consistente a longo prazo, com uma pauta de exporta\u00e7\u00e3o de alto valor agregado &#8211; n\u00e3o escorada no agro &#8211; e com pequenos e m\u00e9dios empreendedores que, mais do que ouvir falar, saibam da import\u00e2ncia da internacionaliza\u00e7\u00e3o para a perpetuidade de seus neg\u00f3cios.<\/p>\n<p><em>*Kaio Cezar de Melo<\/em> &#8211; CEO da Braver, empresa especializada em com\u00e9rcio exterior estrat\u00e9gico e rela\u00e7\u00f5es internacionais<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>&#8220;Ao que parece, a palavra de ordem ser\u00e1 abertura. E, desde que acompanhada das reformas dom\u00e9sticas que tanto impactam nosso desenvolvimento, ser\u00e1 muito bem-vinda. Hoje, a presen\u00e7a do Brasil no com\u00e9rcio exterior mundial \u00e9 inexpressiva, algo em torno de 1%. 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