{"id":11322,"date":"2018-12-28T14:42:06","date_gmt":"2018-12-28T16:42:06","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=11322"},"modified":"2018-12-28T15:20:13","modified_gmt":"2018-12-28T17:20:13","slug":"quatro-ponderacoes-a-melhora-do-emprego","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/quatro-ponderacoes-a-melhora-do-emprego\/","title":{"rendered":"Quatro pondera\u00e7\u00f5es \u00e0 melhora do emprego"},"content":{"rendered":"<p><em>O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) fez uma an\u00e1lise detalhada da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE)<\/em><\/p>\n<p>O emprego vem dando sinais de alguma rea\u00e7\u00e3o ao longo de 2018. O n\u00famero de ocupados, por exemplo, que voltou a crescer em meados do ano passado, tem permanecido no azul desde ent\u00e3o, contribuindo para a redu\u00e7\u00e3o da taxa de desocupa\u00e7\u00e3o, que atingiu n\u00edveis bastante elevados durante da crise recente. O quadro geral, contudo, \u00e9 menos positivo do que parece \u00e0 primeira vista. Destacaremos quatro aspectos desfavor\u00e1veis que n\u00e3o podem ser ignorados.<\/p>\n<p>O primeiro fator diz respeito \u00e0 intensidade da melhora. Em per\u00edodo de um ano, a taxa de desemprego declinou meramente de 12% para 11,6% no trimestre findo em nov\/18. E essa melhora relativa \u00e9 cada vez menos produto da cria\u00e7\u00e3o de novos postos de trabalho, j\u00e1 que o aumento da popula\u00e7\u00e3o ocupada perdeu for\u00e7a ao longo de 2018: de +2% em out-dez\/17 para +1,3% em set-nov\/18 frente ao mesmo per\u00edodo do ano anterior.<\/p>\n<p>O segundo aspecto a ser destacado \u00e9 a qualidade das ocupa\u00e7\u00f5es que v\u00eam sendo criadas. Tratam-se basicamente de trabalho sem carteira e trabalho por conta pr\u00f3pria, como mostram as varia\u00e7\u00f5es interanuais a seguir.<\/p>\n<p>\u2022 Ocupa\u00e7\u00e3o total: +1,24 milh\u00e3o de pessoas em set-nov18\/set-nov17;<\/p>\n<p>\u2022 Trabalho com carteira assinada: -256 mil pessoas em igual per\u00edodo;<\/p>\n<p>\u2022 Trabalho sem carteira assinada: +521 mil pessoas;<\/p>\n<p>\u2022 Trabalho por conta pr\u00f3pria: +772 mil pessoas;<\/p>\n<p>\u2022 Setor p\u00fablico: +216 mil pessoas;<\/p>\n<p>\u2022 Empregador: +75 mil pessoas, em igual per\u00edodo.<\/p>\n<p>Em termos absolutos, o n\u00famero total de ocupados teve aumento de 1,24 milh\u00e3o de pessoas em set-nov\/18 contra set-nov\/17, enquanto trabalho sem carteira e por conta pr\u00f3pria somados cresceram 1,29 milh\u00e3o em igual per\u00edodo. J\u00e1 o emprego com carteira assinada permaneceu em retra\u00e7\u00e3o (-256 mil ocupados), embora de maneira menos intensa do que em trimestres anteriores.<\/p>\n<p>Este perfil de cria\u00e7\u00e3o de vagas n\u00e3o seria um problema se as ocupa\u00e7\u00f5es em posi\u00e7\u00e3o de lideran\u00e7a n\u00e3o contassem com rendimentos menores e mais irregulares, comprometendo o acesso dessas pessoas ao mercado de cr\u00e9dito e restringindo seu poder de compra, o que, consequentemente, dificulta a rea\u00e7\u00e3o mais vigorosa dos mercados dom\u00e9sticos de produtos e servi\u00e7os.<\/p>\n<p>O terceiro fator desfavor\u00e1vel \u00e9 que, a despeito da queda da desocupa\u00e7\u00e3o, a subutiliza\u00e7\u00e3o do fator trabalho n\u00e3o tem ca\u00eddo. Enquanto o n\u00famero de desocupados recuou -2,9% entre set-nov\/17 e set-nov\/18, quando atingiu 12,2 milh\u00f5es de pessoas, subiram +8,8% o n\u00famero dos que trabalham menos do que poderiam ou gostariam (subocupados por insufici\u00eancia de horas trabalhadas) e +3,7% a for\u00e7a de trabalho potencial, sobretudo devido ao avan\u00e7o de +9,9% do desalento, isto \u00e9, de pessoas que pararam de procurar uma ocupa\u00e7\u00e3o pelo recorrente insucesso nas tentativas anteriores.<\/p>\n<p>Em outros termos, a crise do emprego no pa\u00eds foi t\u00e3o grave que desestimulou as pessoas de procurarem emprego (desalento) e sua recupera\u00e7\u00e3o t\u00e3o modesta que a obten\u00e7\u00e3o de uma vaga n\u00e3o assegura, no caso de muitas pessoas, a ocupa\u00e7\u00e3o de todas as horas de que disponibilizariam para exercer uma atividade profissional.<\/p>\n<p>Por fim, o \u00faltimo fator para o qual \u00e9 importante chamar aten\u00e7\u00e3o refere-se ao dinamismo do rendimento das fam\u00edlias. Depois de crescer, na compara\u00e7\u00e3o interanual, em torno de +2,5% a cada trimestre m\u00f3vel ao longo de 2017 todo, o rendimento real m\u00e9dio tem ficado praticamente estagnado nos \u00faltimos meses, chegando a +0,1% em set-nov\/18 frente a set-nov\/17. Isso porque a infla\u00e7\u00e3o se manteve baixa, mas n\u00e3o apresentou recuo intenso como em 2017.<\/p>\n<p>Deste modo, a massa de rendimentos reais, que \u00e9 a base do mercado consumidor interno, especialmente para aqueles bens cuja demanda n\u00e3o implica financiamentos, reduziu seu crescimento trimestral m\u00e9dio de +3,7% na segunda metade de 2017 para apenas +1,6% em set-nov\/18 frente ao mesmo per\u00edodo do ano anterior. Este \u00e9 um fator relevante para o baixo dinamismo que vem prevalecendo na economia.<\/p>\n<p><strong>PNAD Cont\u00ednua<\/strong><\/p>\n<div id=\"conteudo\">\n<p>Conforme dados da PNAD Cont\u00ednua Mensal divulgados <span id=\"OBJ_PREFIX_DWT705_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\"><span id=\"OBJ_PREFIX_DWT728_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\">hoje<\/span><\/span> pelo IBGE, a taxa de desocupa\u00e7\u00e3o aferida no trimestre compreendido entre setembro e novembro de 2018 alcan\u00e7ou 11,6%. Em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre imediatamente anterior, junho a agosto de 2018, houve decr\u00e9scimo de 0,5 p.p, e para o mesmo trimestre do ano anterior houve queda de 0,4 p.p, quando registrou 12,0%.<\/p>\n<p>O rendimento real m\u00e9dio de todos os trabalhos habitualmente recebidos registrou R$2.238, apresentando varia\u00e7\u00e3o negativa de 0,2% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre imediatamente anterior (jun-jul-ago), j\u00e1 frente ao mesmo trimestre de refer\u00eancia do ano anterior houve expans\u00e3o de 0,1%.<\/p>\n<p>A massa de rendimentos reais de todos os trabalhos habitualmente recebidos atingiu R$ 203,5 bilh\u00f5es no trimestre que se encerrou em novembro, registrando expans\u00e3o de 1,0% frente ao trimestre imediatamente anterior e varia\u00e7\u00e3o positiva de 1,6% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre do ano anterior (R$200,2 bilh\u00f5es).<\/p>\n<p>Para o trimestre de refer\u00eancia, a popula\u00e7\u00e3o ocupada ficou em 93,1 milh\u00f5es de pessoas, incremento de 1,2% em rela\u00e7\u00e3o ao trimestre imediatamente anterior (jun-jul-ago), e aferiu-se acr\u00e9scimo de 1,3% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre do ano anterior (91,9 milh\u00f5es de pessoas ocupadas).<\/p>\n<p>Em compara\u00e7\u00e3o com o trimestre imediatamente anterior, o n\u00famero de desocupados retraiu 3,9%, com 12,2 milh\u00f5es de pessoas. J\u00e1 frente ao mesmo trimestre do ano anterior observou-se varia\u00e7\u00e3o negativa de 2,9%. Em rela\u00e7\u00e3o a for\u00e7a de trabalho, computou-se neste trimestre 105,3 milh\u00f5es de pessoas, isto representou acr\u00e9scimo de 0,6% frente ao trimestre imediatamente anterior e expans\u00e3o de 0,8% em rela\u00e7\u00e3o ao mesmo trimestre do ano passado.<\/p>\n<p>Com an\u00e1lise referente ao mesmo trimestre do ano anterior, os grupamentos de atividades que obtiveram expans\u00e3o da ocupa\u00e7\u00e3o foram os seguintes: Outros servi\u00e7os (7,2%), Alojamento e alimenta\u00e7\u00e3o (4,1%), Administra\u00e7\u00e3o p\u00fablica, defesa, seguridade, educa\u00e7\u00e3o, sa\u00fade humana e servi\u00e7os sociais (3,8%), Transporte, armazenagem e correios (2,4%), Informa\u00e7\u00e3o, Comunica\u00e7\u00e3o e atividades financeiras, imobili\u00e1rias, profissionais e administrativas (1,8%), Agricultura, pecu\u00e1ria, produ\u00e7\u00e3o florestal, pesca e aquicultura (0,6%) e Com\u00e9rcio, repara\u00e7\u00e3o de ve\u00edculos automotores e motocicletas (0,4%). De outro lado, os agrupamentos que apresentaram retra\u00e7\u00f5es na ocupa\u00e7\u00e3o foram: Constru\u00e7\u00e3o (-1,8%), Servi\u00e7os <span id=\"OBJ_PREFIX_DWT706_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\"><span id=\"OBJ_PREFIX_DWT729_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\">dom<\/span><\/span>\u00e9sticos (-1,5%) e Ind\u00fastria (-1,1%).<\/p>\n<p>Por fim, analisando a popula\u00e7\u00e3o ocupada por posi\u00e7\u00e3o na ocupa\u00e7\u00e3o, frente ao mesmo trimestre do ano anterior registrou crescimentos nas seguintes categorias: trabalho privado sem carteira (4,6%), trabalhador por conta pr\u00f3pria (3,3%), setor p\u00fablico (1,8%) e empregador (1,7%). Para os demais seguimentos, registraram-se retra\u00e7\u00f5es: trabalho <span id=\"OBJ_PREFIX_DWT707_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\"><span id=\"OBJ_PREFIX_DWT730_com_zimbra_date\" class=\"Object\" role=\"link\">dom<\/span><\/span>\u00e9stico (-1,0%), trabalho familiar auxiliar (-0,9%) e trabalho privado com carteira (-0,7%).<\/p>\n<div class=\"imagem_artigo\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/www.iedi.org.br\/media\/site\/analise\/2018\/12\/28\/a20181228-01.png\" width=\"600\" height=\"auto\" \/><\/div>\n<div class=\"imagem_artigo\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/www.iedi.org.br\/media\/site\/analise\/2018\/12\/28\/a20181228-02.png\" width=\"600\" height=\"auto\" \/><\/div>\n<div class=\"imagem_artigo\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/www.iedi.org.br\/media\/site\/analise\/2018\/12\/28\/a20181228-03.png\" width=\"600\" height=\"auto\" \/><\/div>\n<div class=\"imagem_artigo\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/www.iedi.org.br\/media\/site\/analise\/2018\/12\/28\/a20181228-04.png\" width=\"600\" height=\"auto\" \/><\/div>\n<div class=\"imagem_artigo\" align=\"center\"><img decoding=\"async\" class=\"imagem\" src=\"https:\/\/www.iedi.org.br\/media\/site\/analise\/2018\/12\/28\/a20181228-05.png\" width=\"600\" height=\"auto\" \/><\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>O Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI) fez uma an\u00e1lise detalhada da Pesquisa Nacional por Amostra de Domic\u00edlio Cont\u00ednua (PNAD Cont\u00ednua), divulgada hoje pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estat\u00edstica (IBGE) O emprego vem dando sinais de alguma rea\u00e7\u00e3o ao longo de 2018. 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