{"id":11229,"date":"2018-12-06T19:02:40","date_gmt":"2018-12-06T21:02:40","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/?p=11229"},"modified":"2018-12-06T19:02:40","modified_gmt":"2018-12-06T21:02:40","slug":"cesta-basica-mais-salgada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/cesta-basica-mais-salgada\/","title":{"rendered":"Cesta b\u00e1sica mais salgada"},"content":{"rendered":"<p><em>Apesar das estimativas de institui\u00e7\u00f5es financeiras para a infla\u00e7\u00e3o ter ca\u00eddo pela sexta vez consecutiva, para 3,89% ao ano, o custo da cesta b\u00e1sica &#8211; conjunto de alimentos considerados essenciais \u2013 aumentou, pelo segundo m\u00eas seguido<\/em><\/p>\n<p>Em novembro, o pre\u00e7o subiu em 16 das 18 cidades estudadas pela Pesquisa Nacional da Cesta B\u00e1sica de Alimentos, do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica e Estudos Socioecon\u00f4micos (Dieese). Diante dessa realidade, o valor do sal\u00e1rio m\u00ednimo suficiente para o trabalhador suprir todas as suas despesas e as da fam\u00edlia chegou a R$ 3.959,98 ou 4,15 vezes o m\u00ednimo em vigor (R$ 954,00). Em outubro, tinha sido estimado em R$ 3.783,39, ou 3,97 vezes o piso do pa\u00eds. Em novembro de 2017, eram R$ 3.731,39 &#8211; 3,98 vezes o sal\u00e1rio da \u00e9poca, de R$ 937,00.<\/p>\n<p>O levantamento do Dieese apontou que as altas mais expressivas foram em Belo Horizonte (7,81%), S\u00e3o Lu\u00eds (6,44%), Campo Grande (6,05%) e S\u00e3o Paulo (5,68%). As retra\u00e7\u00f5es aconteceram em Vit\u00f3ria (-2,65%) e Salvador (-0,26%). A cesta mais cara foi a de S\u00e3o Paulo (R$ 471,37), seguida pela de Porto Alegre (R$ 463,09), Rio de Janeiro (R$ 460,24) e Florian\u00f3polis (R$ 454,87). Em 2018, todas as capitais acumularam alta, com destaque para Campo Grande (14,89%), Bras\u00edlia (13,44%) e Fortaleza (12,03%). Patr\u00edcia Lino Costa, supervisora de pre\u00e7os do Dieese, informou que o destaque ficou com os produtos in natura, principalmente tomate, batata e carne, devido \u00e0s fortes chuvas que ca\u00edram no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cA infla\u00e7\u00e3o oficial vem caindo porque artigos que dependem da renda, como roupas e eletrodom\u00e9sticos, tiveram redu\u00e7\u00e3o de pre\u00e7o, j\u00e1 que as pessoas est\u00e3o sem dinheiro para comprar. Quanto aos alimentos, em 2018, ao contr\u00e1rio de 2017, n\u00e3o tivemos uma supersafra. O dilema da popula\u00e7\u00e3o, agora, \u00e9 o que consumir dentro de uma renda limitada. O esfor\u00e7o \u00e9 grande, porque alguns artigos n\u00e3o t\u00eam um substituto de igual pre\u00e7o\u201d, destacou a t\u00e9cnica. A pesquisa destacou ainda que, em novembro, o tempo m\u00e9dio necess\u00e1rio de trabalho para comprar a cesta foi de 91 horas e 13 minutos. Maior que em outubro (88 horas e 30 minutos) e novembro de 2017 (85 horas e 58 minutos). \u201cAp\u00f3s o desconto da Previd\u00eancia, verifica-se que o trabalhador comprometeu, em novembro, 45,07% do sal\u00e1rio l\u00edquido. Em outubro, eram 43,73% e, em novembro de 2017, 42,47%\u201d, aponta a pesquisa.<\/p>\n<p><strong>Comportamento dos pre\u00e7os<\/strong><\/p>\n<p>Entre outubro e novembro de 2018, os pre\u00e7os do tomate, batata (coletada na regi\u00e3o Centro-Sul), \u00f3leo de soja, p\u00e3o franc\u00eas e carne bovina de primeira apresentaram alta na maior parte das capitais pesquisadas, enquanto o leite integral teve o pre\u00e7o m\u00e9dio reduzido. Os valores do tomate subiram em quase todas as cidades. Em 12 meses, o produto apresentou alta em todas as capitais: em Bras\u00edlia, ficou 116,93% mais caro. A baixa oferta, devido \u00e0 chuva e \u00e0s mudan\u00e7as de temperatura, foi respons\u00e1vel pela eleva\u00e7\u00e3o do pre\u00e7o. A batata, no Centro-Sul, teve alta em quase todas as cidades, com destaque para Bras\u00edlia (45,70%). Em 12 meses, oito cidades tiveram redu\u00e7\u00e3o no pre\u00e7o m\u00e9dio e apenas Florian\u00f3polis (31,25%) e Bras\u00edlia (3,83%) apresentaram alta. A chuva e o final da safra causaram as eleva\u00e7\u00f5es da batata no varejo.<\/p>\n<p>Carla Viegas, 42 anos, funcion\u00e1ria p\u00fablica, percebeu que quase tudo no supermercado aumentou. \u201cA alta foi de pelo menos uns 10%. A sa\u00edda foi cortar os sup\u00e9rfluos. Com adolescentes em casa, acabo comprando biscoitos, iogurtes, bolos, que oneravam muito o custo. Decidi que vamos consumir menos e com mais qualidade\u201d, destacou. A aposentada Dijanir Lib\u00f3rio, 79, notou que carnes, gr\u00e3os e hortali\u00e7as ficaram mais salgados. \u201cNo in\u00edcio do ano, eu gastava cerca de R$ 350, inclu\u00eddas as carnes. Agora, gasto R$ 400 e tenho que pesquisar se levo carne ou frango\u201d, disse. Ela passou a observar os h\u00e1bitos de consumo da fam\u00edlia, para enxugar o or\u00e7amento. \u201cEu comprava cerca de 15 quilos de arroz por m\u00eas. Estragava. Agora n\u00e3o levo mais de 10 quilos\u201d, contou Dijanir. Para os aposentados Maria de F\u00e1tima, 57, e Josael Nunes Vieira (64), as compras de m\u00eas est\u00e3o 50% mais caras. \u201cGast\u00e1vamos cerca de R$ 1 mil, agora, n\u00e3o sai por menos de R$ 2 mil\u201d.<\/p>\n<p>Helena Rocha dos Santos, 53, prepara din-din, trufas, p\u00e3es de mel para vender. \u201cChocolate, abacate, lim\u00e3o, goiaba e maracuj\u00e1 ficaram muito caros. At\u00e9 a embalagem teve aumento\u201d, disse. Para n\u00e3o cobrar mais dos clientes \u2013 entre R$ 2,50 a R$ 6,00 -, ela reduziu o tamanho dos produtos. \u201cAvisei a todos que essa era a \u00fanica forma de continuar com o mesmo valor que cobro h\u00e1 um ano\u201d, justificou. Fai\u00e7al de Souza, 45, tem uma barraca de frutas, verduras e legumes, vendidas por R$ 2 a embalagem de 500 gramas. \u201cTodo final de ano o pre\u00e7o sobe. Dessa vez foi melancia, banana, abacaxi, laranja, tomate e batata. Para n\u00e3o perder cliente, ainda fa\u00e7o promo\u00e7\u00e3o de tr\u00eas pacotes por R$ 5\u201d, destacou. Almir Ferreira, 54, perdeu o emprego e resolveu investir em refei\u00e7\u00f5es. Tem uma cozinha industrial no Guar\u00e1 e distribui para tr\u00eas bancas pratos feitos de R$ 10 (500g) e R$ 12 (R$ 800g). \u201cNo in\u00edcio do ano, eu gastava por dia R$ 600. Atualmente, R$ 800 \u00e0s vezes n\u00e3o d\u00e3o. Al\u00e9m de arroz, frutas, verduras, farinhas, verduras e carnes terem aumentado, houve alta no buj\u00e3o de g\u00e1s e na gasolina\u201d. Ferreira, no entanto, espera que, em 2019, a situa\u00e7\u00e3o melhore e os pre\u00e7os caiam.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Apesar das estimativas de institui\u00e7\u00f5es financeiras para a infla\u00e7\u00e3o ter ca\u00eddo pela sexta vez consecutiva, para 3,89% ao ano, o custo da cesta b\u00e1sica &#8211; conjunto de alimentos considerados essenciais \u2013 aumentou, pelo segundo m\u00eas seguido Em novembro, o pre\u00e7o subiu em 16 das 18 cidades estudadas pela Pesquisa Nacional da Cesta B\u00e1sica de Alimentos, do Departamento Intersindical de Estat\u00edstica [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":27,"featured_media":0,"comment_status":"open","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[2719],"tags":[4537,10553,2026,3348,2118,240,10244,2024,187,3911,643,3088],"class_list":["post-11229","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-servidor","tag-alimentos","tag-cesta-basica","tag-dieese","tag-essenciais","tag-estimativas","tag-inflacao","tag-instituicoes-financeiras","tag-minimo","tag-pesquisa","tag-precos","tag-salario","tag-trabalhador"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11229","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/users\/27"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=11229"}],"version-history":[{"count":1,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11229\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":11230,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/11229\/revisions\/11230"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=11229"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=11229"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/servidor\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=11229"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}