{"id":25463,"date":"2026-10-24T08:00:00","date_gmt":"2026-10-24T11:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=25463"},"modified":"2026-10-22T13:54:17","modified_gmt":"2026-10-22T16:54:17","slug":"alem-de-sangue-carrie-e-ensopada-em-pop","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/alem-de-sangue-carrie-e-ensopada-em-pop\/","title":{"rendered":"Al\u00e9m de sangue, \u2018Carrie\u2019 \u00e9 ensopada em pop"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A primeira coisa que chama a aten\u00e7\u00e3o ao assistir a <em>Carrie<\/em>, vers\u00e3o revista do cl\u00e1ssico pelo Prime Video, foi a trilha sonora. Geralmente, as produ\u00e7\u00f5es de terror s\u00e3o embaladas por notas graves e barulhos met\u00e1licos em um tom j\u00e1 conhecido que remete ao medo e \u00e0 tens\u00e3o. A miniss\u00e9rie criada, roteirizada e dirigida por Mike Flanagan, contudo, foge \u00e0 regra. Lana Del Rey, Conan Gray e Haute &amp; Freddy embalam os traumas banhados a sangue e a vingan\u00e7a que fizeram a adolescente ganhar fama mundo afora.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Mas, antes sequer de assistir a <em>Carrie<\/em>, chamou a aten\u00e7\u00e3o a presen\u00e7a de Flanagan como showrunner. Respons\u00e1vel por cl\u00e1ssicos do terror na Netflix (como <em>A maldi\u00e7\u00e3o da resid\u00eancia Hill, A maldi\u00e7\u00e3o da mans\u00e3o Bly e Missa da meia-noite<\/em>), o produtor \u2014 que tamb\u00e9m escreveu os oito epis\u00f3dios e dirigiu o piloto \u2014 tem um curr\u00edculo de respeito, especialmente na adapta\u00e7\u00e3o de obras de Stephen King.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Di\u00e1logos, religi\u00e3o e o sobrenatural<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quem conhece o trabalho de Flanagan sabe das marcas registradas. Talvez a principal delas seja a for\u00e7a do di\u00e1logo. Muitas vezes rotuladas como \u201cverborr\u00e1gicas\u201d, as mensagens que Flanagan transmite envolvem muitas palavras. Algo, sim, incomum, especialmente no mundo p\u00f3s-Aaron Sorkin e da cultura do lacre na internet, onde as falas s\u00e3o atropeladas na tela sob o pretexto de agilidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Outra caracter\u00edstica marcante \u00e9 a presen\u00e7a da religi\u00e3o e do sobrenatural \u2014 elementos bem pr\u00f3ximos do p\u00fablico habitual de <em>Carrie<\/em> e muito bem aproveitados nesta nova produ\u00e7\u00e3o do Prime Video.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Vale contextualizar a premissa: tudo come\u00e7a quando Carrie, uma jovem de 15 anos completamente isolada do mundo pela m\u00e3e, passa a frequentar a escola. Summer H. Howell entrega uma Carrie satisfat\u00f3ria \u2014 um pouco mais caipira do que inocente, mas ainda assim convincente. A protagonista navega entre adolescentes frustrados e cru\u00e9is, e o resultado n\u00e3o poderia ser outro: a perversidade transborda.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Coadjuvantes<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Desde a vers\u00e3o original, <em>Carrie<\/em> \u00e9 cercada por uma horda de coadjuvantes marcantes, tra\u00e7o t\u00edpico nas obras de King. Nesta adapta\u00e7\u00e3o, a m\u00e3e (brilhantemente interpretada por Samantha Sloyan) divide o protagonismo com Alison Thornton, que d\u00e1 vida \u00e0 detest\u00e1vel Chris, a principal vil\u00e3. Embora existam vers\u00f5es em que a verdadeira antagonista seja a m\u00e3e (como no livro), no Prime Video o papel cabe definitivamente a Chris \u2014 talvez uma forma de simplificar o enredo e ampliar a ades\u00e3o do p\u00fablico. De qualquer forma, Alison entrega uma atua\u00e7\u00e3o \u00e0 altura de tanto drama.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Ainda na seara dos coadjuvantes, vale citar a figurante Sue (Siena Agudong), personagem apagada que n\u00e3o marca durante a hist\u00f3ria. A men\u00e7\u00e3o honrosa fica com Tina (Josie Totah), a melhor surpresa do elenco secund\u00e1rio. Engra\u00e7ada e cruel, Josie navega com maestria pelos altos e baixos da personagem, personificando a din\u00e2mica escolar e os equ\u00edvocos t\u00edpicos da juventude.<\/p>\n\n\n\n<h2 class=\"wp-block-heading\">Moderna e eficaz<\/h2>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A miniss\u00e9rie avan\u00e7a ao incorporar elementos contempor\u00e2neos: as redes sociais assumem papel central na trama. Agora, a jovem n\u00e3o \u00e9 apenas humilhada ao menstruar na aula de educa\u00e7\u00e3o f\u00edsica; o massacre se estende para perfis falsos no Instagram. O cyberbullying ganha contornos que Stephen King n\u00e3o previu em 1974, em um caso raro de atualiza\u00e7\u00e3o bem-sucedida de um cl\u00e1ssico liter\u00e1rio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A nova vers\u00e3o de <em>Carrie<\/em> prova que \u00e9 poss\u00edvel evoluir uma hist\u00f3ria consagrada, seja pela energia da m\u00fasica pop ou pelo retrato do assustador universo das redes sociais.<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-embed is-type-video is-provider-youtube wp-block-embed-youtube wp-embed-aspect-16-9 wp-has-aspect-ratio\"><div class=\"wp-block-embed__wrapper\">\n<iframe loading=\"lazy\" title=\"Carrie: A Estranha \u2013 Trailer Oficial | Prime Video\" width=\"1440\" height=\"810\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/OL1SKztQWjg?feature=oembed\" frameborder=\"0\" allow=\"accelerometer; autoplay; clipboard-write; encrypted-media; gyroscope; picture-in-picture; web-share\" referrerpolicy=\"strict-origin-when-cross-origin\" allowfullscreen><\/iframe>\n<\/div><\/figure>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Cl\u00e1ssico do terror norte-americano ganha vers\u00e3o que abrange redes sociais e cyberbullying (tudo embalado por muita m\u00fasica pop)<\/p>\n","protected":false},"author":74,"featured_media":25464,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[1],"tags":[],"class_list":["post-25463","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-sem-categoria"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25463","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/74"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=25463"}],"version-history":[{"count":2,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25463\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":25466,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/25463\/revisions\/25466"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/25464"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=25463"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=25463"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=25463"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}