{"id":25367,"date":"2026-07-17T20:59:13","date_gmt":"2026-07-17T23:59:13","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/?p=25367"},"modified":"2026-07-17T20:59:13","modified_gmt":"2026-07-17T23:59:13","slug":"o-campo-como-protagonista-conheca-o-legado-rural-de-benedito-ruy-barbosa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/proximocapitulo\/o-campo-como-protagonista-conheca-o-legado-rural-de-benedito-ruy-barbosa\/","title":{"rendered":"O campo como protagonista: conhe\u00e7a o legado rural de Benedito Ruy Barbosa"},"content":{"rendered":"<p><strong>Texto por Let\u00edcia Passos \u2014<\/strong> Com a <a href=\"http:\/\/Pa\u00eds se despede do rei da dramaturgia brasileira, Benedito Ruy Barbosa\">morte de Benedito Ruy Barbosa<\/a>, aos 95 anos, a teledramaturgia brasileira encerra um cap\u00edtulo marcado por berrantes, disputas de terra e sagas que atravessaram gera\u00e7\u00f5es. Para quem cresceu ouvindo o som do interior invadir a sala de casa, a obra do autor permanece como um retrato de um Brasil que poucas novelas conseguiram contar.<\/p>\n<p>Enquanto boa parte da dramaturgia voltava os olhos para os grandes centros urbanos, Benedito preferiu o interior. Foi ali que encontrou mat\u00e9ria-prima para discutir imigra\u00e7\u00e3o, reforma agr\u00e1ria, coronelismo e escravid\u00e3o, inspirado pelas pr\u00f3prias origens em Vera Cruz e Glic\u00e9rio, no interior paulista, onde cresceu cercado por cafezais e fam\u00edlias de imigrantes.<\/p>\n<h2>Revisitando as sagas que pararam o pa\u00eds<\/h2>\n<p>Benedito gostava de contar hist\u00f3rias grandes. Fam\u00edlias rivais, heran\u00e7as disputadas, transforma\u00e7\u00f5es sociais e conflitos que atravessavam d\u00e9cadas davam o tom de suas novelas. No meio de tudo isso, sempre havia espa\u00e7o para um romance capaz de conquistar o p\u00fablico. Foi assim com Bruno Mezenga e Luana, de <em>O Rei do Gado<\/em> (1996), Matteo e Giuliana, de <em>Terra Nostra<\/em> (1999), e Zuca e Lu\u00eds Jer\u00f4nimo, de <em>Cabocla<\/em> (2004).<\/p>\n<p>Os romances, por\u00e9m, eram apenas uma das camadas dessas hist\u00f3rias. Enquanto o p\u00fablico torcia pelos casais, Benedito aproveitava para colocar quest\u00f5es sociais no centro da narrativa. Em <em>O Rei do Gado<\/em>, por exemplo, a rivalidade entre Mezenga e Berdinazi abriu espa\u00e7o para uma das discuss\u00f5es mais diretas sobre a posse da terra j\u00e1 vistas na televis\u00e3o brasileira. J\u00e1 <em>Terra Nostra<\/em> e, antes dela, <em>Os Imigrantes<\/em> (1981), da Band, levaram para a dramaturgia a experi\u00eancia da imigra\u00e7\u00e3o italiana, inspirada na pr\u00f3pria hist\u00f3ria familiar do autor.<\/p>\n<p><em>Cabocla, O Rei do Gado, Terra Nostra<\/em> e o remake de <em>Meu Pedacinho de Ch\u00e3o<\/em> (2014) est\u00e3o dispon\u00edveis no Globoplay. Os Imigrantes, exibida originalmente pela Band, segue fora do cat\u00e1logo do streaming.<\/p>\n<p>Outros t\u00edtulos indispens\u00e1veis para conhecer a obra de Benedito incluem <em>Pantanal<\/em> (1990), que revolucionou a televis\u00e3o ao apostar em loca\u00e7\u00f5es externas e transformar o pr\u00f3prio bioma em personagem; <em>Renascer<\/em> (1993), com a saga de Jos\u00e9 Inoc\u00eancio na zona cacaueira baiana; e as adapta\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias<em> Sinh\u00e1 Mo\u00e7a<\/em> (1986) e<em> Cabocla<\/em> (1979), que abordaram desde a luta abolicionista at\u00e9 as disputas coronelistas.<\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/shorts\/HmVdPN7EVIY\">https:\/\/www.youtube.com\/shorts\/HmVdPN7EVIY<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Texto por Let\u00edcia Passos \u2014 Com a morte de Benedito Ruy Barbosa, aos 95 anos, a teledramaturgia brasileira encerra um cap\u00edtulo marcado por berrantes, disputas de terra e sagas que atravessaram gera\u00e7\u00f5es. 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