Piloto de Watchmen tem qualidade, mas entrega pouco da história

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Com o importante papel de conquistar os órfãos fãs de Game of thrones, Watchmen ganha nova adaptação

Quadrinhos, cinema e agora TV. Poucos são os enredos que conseguem quebrar tantas “barreiras midiáticas” quanto Watchmen conseguiu. Desde que foi para as HQs, em 1986 — e depois para os cinemas em 2009 —, a produção ganhou uma multidão de fãs, e uma história cheia de ramificações e autorreferências. Mas e na TV, será que a produção deu certo?

O primeiro passo para tentar entender esse piloto — que estreou na HBO no último domingo (20/10) —, deve ser compreendendo o papel fundamental de Damon Lindelof. O showrunner, criador e desenvolvedor da série imprime uma assinatura forte e imponente da própria linha de trabalho na TV. Se no cinema a produção era mais voltada para a violência e para os super-heróis, na telinha, o piloto foi recheado de mistério e um entendo que ainda tem muito para se entregar no futuro.

Na estreia, a história faz uma eficaz introdução ao mundo alternativo de Watchmen. A tensão racial norte-americana dita o ritmo do piloto. O grande foco neste primeiro momento é a “ressurreição” do grupo conhecido como a Sétima Kavalaria. Já bem conhecido como favorável à supremacia branca nos Estados Unidos, o grupo é um dos maiores inimigos da polícia, que neste universo, usa máscaras para “proteção” e também para praticar alguns abusos.

Crédito: Mark Hill/HBO – A detetive Angela foi a grande protagonista deste piloto

Elementos já vistos em outras produções em que que Lindelof se envolveu, como Lost e — especialmente — The leftovers, marcam forte presença aqui. Em alguns momentos, o enredo caminha a passos largos sem se importar nenhum pouco se o público está acompanhando, ou não. E o próprio Lindelof já deixou claro que não pretende ser 100% fiel ao enredo original de Watchmen. Isso o piloto parece deixar claro.

Tecnicamente, toda a produção do primeiro episódio foi trabalhada na tangência da excelência. A direção é bem calibrada, a fotografia impressiona, e a história anda sem problemas, sem travas. Os easter eggs (ou as referências) do piloto em relação às HQs existem, mas não chegam a ser incomodas.

O que, particularmente, incomoda é a paciência que o piloto exige do público. A sensação de assistir a algo que você não está entendendo muito bem para onde vai — especialmente se não conhece todo o universo da história — é forte. De qualquer forma, a imprensa norte-americana, que já teve contato com o segundo episódio da série, assegura que um enredo mais sólido se apresentará.

Watchmen, com os elementos de fantasia que apresenta, se torna uma clara opção para os fãs de Game of thrones — que, como já ficou claro, podem ditar o sucesso de uma produção. Resta a nós acompanhar.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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