Telas espelhadas: Todas as flores sai do streaming para a tevê aberta

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Assim como Verdades secretas 2, novela de João Emanuel Carneiro foi produzida para a Globoplay

Por Patrick Selvatti

Criado originalmente como uma estante repleta de obras já exibidas na tevê aberta ou por assinatura e no cinema, o serviço de streaming evoluiu, e as empresas — a partir da maior delas, Netflix — passaram a produzir seus próprios conteúdos. Filmes e séries originais e exclusivas foram surgindo e conquistando os telespectadores ao redor do mundo.

Líder de audiência e maior referência na produção desse tipo de conteúdo, a Globo foi pioneira no Brasil. Desde 2015, a Globoplay existe, com a proposta de reunir em um só local todo o acervo da emissora que, de tão extenso, ainda está sendo atualizado. Ainda assim, a plataforma deu um passo à frente. Ao mesmo tempo em que oferece ao público a chance de rever obras antigas e recentes, passou a produzir conteúdo original e exclusivo. Daí a enxergar um campo fértil também para as novelas foi um pulo.

A primeira incursão da Vênus Platinada no folhetim para o streaming veio com Verdades secretas 2, continuação do grande sucesso de Walcyr Carrasco exibido na TV aberta em 2015. Com uma pegada de série, fotografia de cinema e uma overdose de sequências eróticas que não caberiam na tevê aberta, a produção foi um grande sucesso em 2021. Segundo o canal, foram 40 milhões de horas consumidas — 2/3 do que o catálogo inteiro consegue atrair durante um mês normal. E o resultado agradou tanto que os executivos do grupo decidiram apostar alto no formato, remanejando para a plataforma uma novela escrita originalmente para o horário nobre. Assim, Todas as flores, do aclamado autor de Avenida Brasil, João Emanuel Carneiro, foi reformulada e exibida, em duas partes, entre 2022 e 2023. E bingo! Mais um acerto.

Romulo Estrela, em Verdades Secretas 2

A Globo, então, resolveu fazer o serviço inverso. Se deu certo na Globoplay, por que não levar para a tevê aberta? Para esquentar o público do sofá, em outubro de 2022, a emissora pôs no ar, na faixa das 23h, uma reprise da primeira Verdades secretas. Na sequência, veio a nova “temporada”, mas adaptada: com menos capítulos e quase que totalmente tesourada, sem 95% das inúmeras cenas de sexo coreografadas que deram o tom da narrativa. Na contramão do streaming, entretanto, a trama de Walcyr Carrasco — apelativa e com um enredo frágil — foi um fracasso retumbante, fechando com apenas 9,5 pontos. O número é 28% menor que os 13,2 pontos da reprise da primeira versão de 2021.

Sophie e Leticia, em Todas as flores

Agora em setembro, é a vez de Todas as flores testar na tevê o êxito obtido na Globoplay. A partir do dia 4, a novela será exibida — também em formato reduzido e com alguns cortes — na faixa das 23h da Globo. A expectativa é alta. Afinal, ao contrário de VS2, a trama de João Emanuel Carneiro tem uma fotografia mais colorida e uma linguagem mais voltada ao popular, com vilões caricatamente divertidos — destaque para Regina Casé e Letícia Colin, excelentes! —, mocinhos bem encaixados na essência do folhetim clássico — alguns deles até bem chatinhos — e núcleos explicitamente desenvolvidos gratuitamente para um respiro cômico em meio a uma história pesada. Por aqui, a gente aguarda o desenrolar dos próximos capítulos.

Liga

Sucessão daqueles no streaming em 2022, Rensga hits chegou, enfim, às telas da Globo. Com uma história saborosa, narrativa magnética, personagens encantadores e um clima musical envolvente, a série é um deleite em todos os sentidos! Prova disso é que a produção ainda nem teve a segunda temporada exibida e já está renovada para a terceira. Quem não parou para acompanhar, resolva isso!

Desliga

Novela deliciosa como não se faz há muito tempo, História de amor (1995) voltou no Viva — em homenagem aos 90 anos do autor, Manoel Carlos —, após ter sido exibida pelo canal em 2014. Só que, em junho, a mesma obra foi disponibilizada na Globoplay, enquanto dois outros títulos dele seguem esquecidos no churrasco de ambas plataformas: Sol de verão (1982) e Viver a vida (2009).

Patrick Selvatti

Sabe noveleiro de carteirinha? A paixão começou ainda na infância, quando chorou na morte de Tancredo Neves porque a cobertura comeu um capítulo de A gata comeu. Fã de Gilberto Braga, ama Quatro por quatro e assiste até as que não gosta, só para comentar.

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