Show dos famosos é respiro bizarro de Faustão

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Quadro Show dos famosos, do Domingão do Faustão, não convence com imitações constrangedoras de atores e cantores talentosos.

Um programa com quase 30 anos ininterruptos no ar precisa se reinventar de vez em quando. O Domingão do Faustão vez ou outra lança um quadro para movimentar o marasmo no qual está. A estratégia pode funcionar, como no Ding dong e na Dança dos famosos, ou fracassar, caso do atual Show dos famosos.

A competição – por que tudo na tevê agora é competição? – divide os famosos em dois times. Em um estão a cantora Fafá de Belém, os atores Ícaro Silva e Eriberto Leão e a atriz Samantha Schmütz. O outro reúne os atores Enzo Romani e Nelson Freitas, a cantora e atriz Emanuelle Araújo e a cantora Luiza Possi. Na edição deste domingo (21/5), é vez de a segunda turma buscar o aval do trio de jurados formados por Cláudia Raia, Arthur Xexéo e Miguel Falabella.

Samantha Schmutz já está acostumada a imitar Elis Regina

Em Show dos famosos, os participantes escolhem um artista para, nas palavras de Fausto Silva, “homenagear”. Assim, Fafá de Belém se caracterizou como Alcione (oi?), Nelson Freitas foi Alejandro Sanz (pois é!) e Luiza Possi atacou de George Michael numa caracterização que não parecia nem com ela nem com ele.

Está certo que às vezes a imitação (homenagem, não, né?) funciona, como Eriberto Leão encarnando Bob Dylan e Samantha Schutz como Elis Regina. Mas não é regra. Mais constrangedor do que as performances são comentários jocosos feitos quando um homem interpreta uma mulher. Fausto insistia em perguntar como Ícaro Silva havia feito para esconder “os documentos” ao se transformar numa Beyoncé completamente desengonçada.

Ícaro Silva e sua Beyoncé desengonçada

Além de ter que reproduzir os trejeitos, os participantes do quadro se submetem a uma caracterização que inclui próteses no nariz, peruca, salto alto para homens, barba postiça para as mulheres. Eles também soltam a voz — e claro que Fafá de Belém escolheu um timbre completamente diferente e se arriscou de Maria Bethânia. O que poderia ser um charme a mais compromete — os “famosos” do título não ficam parecidos com os que revivem e, muitas vezes, não sabem cantar. A atração fica devendo no show.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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