Ozark chega à temporada final deixando saudades

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Roteiro, direção, atuações. Tudo funciona muito bem desde a primeira temporada de Ozark. Última temporada começou a ser exibida na Netflix

por Pedro Ibarra

Há cinco anos, uma família norte-americana viajava para o Centro-Oeste dos Estados Unidos em busca de um novo começo e, como quem não quer nada, mudou a vida de muita gente. Os Byrdes chegaram no Lago dos Ozarks e no silêncio como uma família inofensiva, transformaram a pacata cidade em uma fonte inacabável de conflito. Essa é a história de Ozark, seriado da Netflix que apresentou a primeira metade da última temporada no último dia 21.

A produção acompanha a saga da família de Marty Byrde, um contador especialista em lavagem de dinheiro que se complica com um dos maiores cartéis de tráfico de drogas do mundo. Marty e Wendy, junto com os filhos Charlotte e Jonah, precisam encontrar formas de movimentar o dinheiro sujo em uma cidade turística no centro do estado do Missouri nos EUA. Isso para agradar o cartel mexicano e salvar a própria vida.

O seriado, assim como a história dos próprios protagonistas, chegou de mansinho e conquistou muito. Produção original Netflix, tinha como principal chamariz a dupla de atores que atuam como casal principal: o comediante Jason Bateman, que se mostrou excelente no drama vivendo Marty Byrde, e a três vezes indicada ao Oscar Laura Linney, interpretando Wendy Byrde. Porém, com um roteiro imprevisível e bem escrito, direção impecável e principalmente aspectos técnicos irretocáveis, a série se destacou muito, sendo indicada 32 vezes ao Emmy e ganhando três estatuetas: uma por direção de episódio, assinada por Jason Bateman, e duas para a atriz coadjuvante Julia Garner, um dos maiores talentos no papel de Ruth Langmore.

Ozark é verdadeira e relevante. Ao mesmo tempo que é um thriller sobre uma família de criminosos mascarados de bons moços, é uma crítica interessante ao sistema em que o mundo está inserido, os jogos de poder e principalmente que nada é tão simples quanto parece. A produção é visceral, explícita, mas não só em cenas violentas. A série é uma exposição da falência humana pelo poder, do que alguém é capaz de fazer para conquistar objetivos, quaisquer que sejam.

A série é inegavelmente uma das melhores, se não a melhor, produção original da Netflix. Ela une o tenso ao pertinente de uma forma apenas vista em produções como The Sopranos e Breaking bad, isso tudo com atuações de ponta e um visual pensado meticulosamente para trazer as sensações que o enredo busca. É devido a títulos como Ozark que os seriados atualmente são tão importantes no mercado do audiovisual.

Ozark mudou a Netflix e deu a certeza do potencial que a plataforma tem de criar não só um sucesso de público, como também de crítica. O impacto foi tanto que anualmente as pesquisas pelo termo lavagem de dinheiro sobem no Google perto da estreia das novas temporadas. A série apresenta o começo do fim em sete episódios que fazem lembrar porque o público amou Ozark desde a primeira temporada. Com certeza vai deixar saudades.

Vinícius Nader

Boas histórias são a paixão de qualquer jornalista. As bem desenvolvidas conquistam, seja em novelas, seja na vida real. Os programas de auditório também são um fraco. Tem uma queda por Malhação, adorou Por amor e sabe quem matou Odete Roitman.

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