Marcus Caruso | Divulgação Globo/Estevam Avellar
Patrick Selvatti
Não tem jeito. É saber que Marcos Caruso vai estar em uma produção, mesmo como coadjuvante, que a reação é unânime: ele vai roubar a cena. Não é uma opinião da coluna. Essa dinâmica tem se repetido há décadas, especialmente a partir dos anos 2000, quando o ator estreou na Globo — já com uma longa estrada no teatro, no cinema e em outras emissoras de televisão.
O veterano se tornou global em Coração de estudante (2002), emplacando, já na estreia, aquele que seria o primeiro personagem de uma série marcada por pais de família amorosos na ficção. Como o advogado Raul, deu muito suporte à filha, a protagonista Clara (Helena Ranaldi), professora universitária às voltas com um triângulo amoroso e a descoberta de que seu progenitor era outro, o vilão-mor da trama.
Mas foi no ano seguinte, em Mulheres apaixonadas (2003), que Caruso se consagrou como o baluarte da paternidade. No sucesso de Manoel Carlos, deu corpo ao Carlão, um chefe de família pacato que precisava lidar com o temperamento ruim da primogênita: a icônica Dóris (Regiane Alves), uma menina mimada que maltratava os avós. Nessa última semana, no Vale a pena ver de novo, o público pode rever uma das cenas mais emocionantes do núcleo, em que o ator literalmente dominou o espetáculo.
Três anos depois, Maneco escalou Marcos Caruso novamente. Dessa vez, em Páginas da vida (2006), seu personagem, Alex, vivia o drama de perder a filha, Nanda (Fernanda Vasconcelos), que morria após dar à luz a gêmeos. E o veterano brilhou novamente, transmitindo na tela, ao longo de oito meses, toda a verdade da dor de um pai que vive o pior sofrimento possível.
Daí em diante, foram inúmeros trabalhos em que a paternidade deu o tom. Quem não se lembra do emblemático Leleco, o suburbano boa-praça pai do Tufão (Murilo Benício) em Avenida Brasil (2012)? E do Feliciano Stewart, o ex-playboy decadente de A regra do jogo (2015)?
Com a idade avançando, vieram os avôs gente fina, como o Pedrinho de Pega pega (2017) e o Sóstenes de O sétimo guardião (2019), que cuidavam das netas — as protagonistas vividas, respectivamente, por Camila Queiroz e Marina Ruy Barbosa — como se fossem filhas. Houve também os padres, em Desejo proibido e Filhos da pátria (2017), que não deixam de ser figuras paternais. E não dá para ignorar o Osvaldo de Quanto mais vida, melhor (2021) e o Dante de Travessia (2022), que não eram pais, mas agiam como mentores dos personagens Neném (Vladimir Brichta) e Ari (Chay Suede).
Agora, no ar em Elas por elas, Marcos Caruso retorna à figura do pai/avô. Na novela das 18h, Sérgio vive às voltas com os dilemas da filha, Helena (Isabel Teixeira), e do neto, Giovanni (Filipe de Bragança). Desta vez, entretanto, o personagem vem com uma roupagem diferenciada. “Sérgio vem com tudo o que eu menos fiz. Ele é um patriarca rico — algo que fiz pouquíssimas vezes — e tem caráter duvidoso. Na minha jornada, foram muitos papéis que eram úteis à ação, mas este tem sua trama: ele guarda um grande segredo, que desencadeia uma ação e ele próprio sofre a reação, sendo o protagonista e o antagonista da própria história”, comentou ao Próximo Capítulo o ator de 71 anos, no lançamento do novo trabalho.
Seja no paternal ou no patriarcal, ainda que em uma produção pautada pelo protagonismo feminino, a presença marcante de Marcos Caruso se destaca. Nada anormal em se tratando de um gigante.
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