Eu nunca… recupera boa forma e entrega uma ótima 3ª temporada

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Depois dos tropeços do 2º ano, Eu nunca… calibra nas piadas, bota a história para andar e fecha terceiro ano de forma redonda

Os altos e baixos — bem mais baixos, para sermos honestos — de Devi (Maitreyi Ramakrishnan) estão de volta ao streaming da Netflix. Eu nunca… retornou no fim de agosto para a entregar a terceira temporada de 10 episódios. A comédia teen recuperou a boa forma que lhe transformou em hit ainda no primeiro ano e voltou a arrancar algumas boas risadas do público.

Para conseguir essa recuperação, Eu nunca… lançou mão de duas vertentes: desenvolvimento e comédia.

A primeira foi a mais importante. Depois de um segundo ano de personagens meio perdidos, arcos narrativos que não foram a lugar nenhum (como a chegada de Aneesa, interpretada por Megan Suri) e um tom mais sombrio — especialmente voltado para o trauma da perda do pai de Devi, agora — na terceira temporada —, a série se reergueu.

A produção decidiu colocar a história para rodar e o resultado foi surpreendente. O ritmo não foi atropelado, mas sim dinâmico. O melhor exemplo foi o novo par romântico de Devi, Nirdesh (Anirudh Pisharody). O rapaz chegou, teve um drama com a protagonista e seguiu seu caminho. Sem enrolação, sem tropeços.

O trauma de Devi em relação ao pai também foi “abrandado”. Naturalmente, ele ainda existe. Mas não de uma forma tão pesada, ou trágica quanto a apresentada no segundo ano.

O tom de comédia também recebeu uma boa dose de esteroides. As piadas estão afiadas, rápidas e agressivas. Tudo corrobora para a risada. A relação entre Devi e as amigas Eleonor (Ramona Young) e Fabiola (Lee Rodriguez) seguiu equilibrada. Cada uma ganhou uma história própria — que não sobrepôs a protagonista. Paxton (Darren Barnet) amadureceu e levou o personagem a um ponto mais equilibrado e agradável de se acompanhar.

Como na primeira temporada, outro destaque deste terceiro ano foi o episódio dedicado a Ben (Jaren Lewison). Além de ser um “respiro” dos problemas da Devi, o rapaz tem um carisma próprio, e com problemas de fácil identificação. Outras excelentes qualidades da produção também se mantiveram presentes: como a constante reflexão do “status quo” da cultura indiana em uma escola dos Estados Unidos.

Em síntese, Eu nunca… caminha para o fim. O quarto ano será o último da produção (a não ser que vire um grande sucesso. Todo “fim” no sucesso é relativo). A série não é nenhum show de técnica, nem faz nenhuma ode ao culto. Contudo, segue divertida, leve e inteligente — algo muito importante (e em falta) na TV atual.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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