Aquecimento do Emmy 2019: Fosse/Verdon foi feita para o sucesso nas premiações

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Com sete indicações na 71ª edição da celebração televisiva (incluindo de melhor minissérie e melhor ator e atriz em minissérie ou filme para TV), Fosse/Verdon parece ter sido criada para encantar os juízes de Hollywood

Aquecimento Emmy! Como já virou tradição, toda sexta-feira o Próximo Capítulo publicará matérias sobre produções indicadas ao prêmio de 2019, que ainda não foram citadas no blog. Acompanhe!

Por muito tempo uma incômoda dicotomia deixou Hollywood em uma saia justa: produzir para o público ou para a crítica? Afinal, muitas vezes, o gosto de um é bem diferente do que o aceito pelo outro. A regra, em geral, é tentar apostar naquelas produções que agradem os dois mundos. Não parece ser o caso de Fosse/Verdon.

A história biográfica relembra um dos grandes pilares do entretenimento norte-americano. O criador, de certa forma, da base ao que conhecemos hoje como “show”. Toda a pirotecnia, a pompa, a criatividade — e até megalomania — que encanta o mundo, e que vem de Hollywood, tem crédito advindo de Bob Fosse (interpretado por Sam Rockwell).

Crédito: Reprodução/Imdb – Atuação de Michelle Williams é um dos destaques da produção

Na produção do FX, desenvolvida por Steven Levenson e Thomas Kail, o público tem a chance de ver várias fases de Fosse, em especial, na relação com a esposa, Gwen Verdon (vivida por Michelle Williams). Ele, um grande diretor e coreógrafo; ela uma das maiores bailarinas de todos os tempos da Broadway. Mas, no casamento, uma montanha-russa de altos e baixos e grandes frustrações. Enquanto o casal molda uma contemporânea indústria do entretenimento nos bastidores dos grandes estúdios, o amor que nasceu dos bastidores de produções do baixo orçamento é desintegrado aos poucos.

Técnica e prática em Fosse/Verdon

Tecnicamente, a produção prima em excelência. A atuação — o grande carro-chefe da série em relação à qualidade — é de encher os olhos. Tanto Michelle, quanto Rockwell, declamam duas figuras de forma original, em camadas e em completude.

Crédito: Reprodução/Imdb – Com alta qualidade técnica, produção tropeça na hora de embalar o público

Entretanto, o enredo é um daqueles difícil de animar o grande público, com diálogos longos, subjetivos e demasiados “intelectuais”. É fácil se perder na linha de narrativa e não encontrar muito sentido nas divagações dos personagens. As cenas, meticulosamente ensaiadas — até para se refletir sobre a precisão profissional de Fosse — encantam em um primeiro momento, contudo se tornam enfadonhas depois do primeiro minuto de exploração contínua.

Os personagens coadjuvantes também são um problema: entre tantos — apresentados de forma superficial e atropelada — é difícil entender como eles ajudam a construir a história, sendo que mais parecem uma muleta para o holofote dos protagonistas.

A produção prima por qualidade técnica, entretanto, não empolga em relação a aspectos práticos. Uma série que, provavelmente, chamará mais atenção dos que têm interesse na história de uma indústria gigantesca, do que os que só querem um momento de diversão em frente à tevê.

Ronayre Nunes

Jornalista formado pela Universidade de Brasília (UnB). No Correio Braziliense desde 2016. Entusiasta de entretenimento e ciências.

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