{"id":446,"date":"2019-03-24T18:03:59","date_gmt":"2019-03-24T18:03:59","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/?p=446"},"modified":"2019-03-24T18:36:39","modified_gmt":"2019-03-24T18:36:39","slug":"secretario-geral-da-oei-elenca-a-primeira-infancia-como-prioridade-para-ele-o-brasil-precisa-melhorar-no-tratamento-dado-a-criancas-de-0-a-6-anos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/2019\/03\/24\/secretario-geral-da-oei-elenca-a-primeira-infancia-como-prioridade-para-ele-o-brasil-precisa-melhorar-no-tratamento-dado-a-criancas-de-0-a-6-anos\/","title":{"rendered":"Secret\u00e1rio-geral da OEI elenca a primeira inf\u00e2ncia como prioridade; para ele, o Brasil precisa melhorar no tratamento dado a crian\u00e7as de 0 a 6 anos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: left\">Mariano Jabonero, secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-Americanos (OEI), estar\u00e1 est\u00e1 semana em C\u00f3rdoba, na Argentina, para participar da oitava edi\u00e7\u00e3o do Congresso Internacional da L\u00edngua Espanhola entre quarta-feira (27) e s\u00e1bado (30). Entre esta segunda (25) e ter\u00e7a (26), a cidade tamb\u00e9m recebe o Semin\u00e1rio Ibero-Americano de Jornalismo e Comunica\u00e7\u00e3o, organizado pela OEI e que reunir\u00e1 jornalistas e estudiosos da \u00e1rea de diversos pa\u00edses, incluindo o Brasil.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-445\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/1-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/1-1.jpg 750w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/1-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/1-1-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/1-1-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p>O <em><strong>Correio Braziliense<\/strong><\/em> estar\u00e1 representado no evento pela jornalista Ana Paula Lisboa, que, a convite da OEI, ser\u00e1 uma das painelistas da discuss\u00e3o sobre \u201cComunica\u00e7\u00e3o transm\u00eddia: intertextualidade da palavra\u201d. Em conversa no escrit\u00f3rio da OEI em Bras\u00edlia, Mariano Jabonero comentou a import\u00e2ncia e as recomenda\u00e7\u00f5es dele para a primeira inf\u00e2ncia no Brasil e nos demais pa\u00edses da Ibero-Am\u00e9rica. Confira entrevista com ele:<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 sendo o in\u00edcio da sua gest\u00e3o \u00e0 frente da OEI?<\/strong><\/p>\n<p>Fui eleito em abril e assumi o posto em julho do ano passado. T\u00eam sido meses muito intensos, de muito trabalho e, na verdade, tamb\u00e9m apaixonantes porque tratamos de temas muito importantes. Tive a vantagem de que j\u00e1 estava trabalhando na OEI h\u00e1 muitos anos; ent\u00e3o, conhe\u00e7o a casa por dentro. No entanto, \u00e9 uma regi\u00e3o muito grande, especialmente, a Am\u00e9rica Latina. \u00c9 complexo. Tomar o pulso de tudo isso \u00e9 uma tarefa que leva tempo e esfor\u00e7o. \u00c9 preciso planejar o or\u00e7amento com muito rigor\u2026<\/p>\n<p><strong>Quais s\u00e3o os maiores desafios?<\/strong><\/p>\n<p>A regi\u00e3o \u00e9 muito grande, e h\u00e1 voca\u00e7\u00e3o para a integra\u00e7\u00e3o. Mas os instrumentos pol\u00edticos para integra\u00e7\u00e3o est\u00e3o em crise. A educa\u00e7\u00e3o e a cultura s\u00e3o fatores muito s\u00f3lidos e permeiam a regi\u00e3o. Podemos ser a maior comunidade bil\u00edngue do mundo, h\u00e1 potencial de todo tipo. Mas h\u00e1 muitos desafios, entre eles a desigualdade, em todos os sentidos, social, de g\u00eanero\u2026 E a desigualdade feminina, especialmente entre a mulher rural e a mulher ind\u00edgena, \u00e9 muito grande. O abandono escolar e, em muitas vezes, por gravidez precoce, acontece muito. Assim, perpetuam-se desigualdades. Estudos mostram que uma m\u00e3e analfabeta tem mais chance de que seus filhos morram precocemente. Por isso, precisamos investir e priorizar educa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor avalia que a primeira inf\u00e2ncia tem sido tratada na Ibero-Am\u00e9rica? Os pa\u00edses est\u00e3o fazendo um bom trabalho?<\/strong><\/p>\n<p>Tenho que ser sincero e dizer que precisamos avan\u00e7ar. H\u00e1 dois comportamentos hist\u00f3ricos: um de n\u00e3o ligar ou cuidar muito disso porque n\u00e3o se importa com isso; e outro de perceber que, muitas vezes, est\u00e1 mal, mas saber que tem que melhorar. Precisamos passar para o segundo comportamento e tentar melhorar. At\u00e9 porque investir na primeira inf\u00e2ncia \u00e9 apostar no futuro. Um dos principais problemas na regi\u00e3o da Ibero-Am\u00e9rica \u00e9 a baixa cobertura da educa\u00e7\u00e3o infantil. E, nessa etapa, eu diria que \u00e9 baixa em todos os pa\u00edses. Al\u00e9m disso, a cobertura \u00e9 de baixa qualidade, porque sempre foi considerada uma etapa subsidi\u00e1ria, enquanto a educa\u00e7\u00e3o b\u00e1sica, que \u00e9 obrigat\u00f3ria, \u00e9 priorizada, pois essa fase dura de 16 a 17 anos, e os governos prestam mais aten\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p><strong>Qual cen\u00e1rio o senhor v\u00ea no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>A cobertura da educa\u00e7\u00e3o infantil brasileira tamb\u00e9m \u00e9 baixa, muito baixa, todavia bastante similar a outros pa\u00edses da regi\u00e3o. H\u00e1 outros pa\u00edses com maior n\u00edvel de cobertura, como \u00e9 o caso o Uruguai, do Chile, da Argentina, mas, no restante dos vizinhos, \u00e9 bem baixa. A aten\u00e7\u00e3o dada ao componente educativo da etapa tem sido escassa. H\u00e1 tamb\u00e9m uma quest\u00e3o de recursos humanos, pois n\u00e3o h\u00e1 forma\u00e7\u00e3o suficiente para trabalhar com isso. Para ser professor da educa\u00e7\u00e3o prim\u00e1ria e secund\u00e1ria, exige-se titula\u00e7\u00e3o. E, nas creches e nas escolas de ensino infantil, n\u00e3o houve todavia essa forma\u00e7\u00e3o no quadro.<\/p>\n<p><strong>Qual aspecto o Brasil mais precisa melhorar?<\/strong><\/p>\n<p>Precisamos melhorar mesmo a forma\u00e7\u00e3o dos docentes para educa\u00e7\u00e3o infantil. Isso \u00e9 fundamental. A etapa da primeira inf\u00e2ncia \u00e9 a mais importante para investir nas crian\u00e7as, pois marca o futuro das meninas e dos meninos. Por v\u00e1rios motivos, entre eles, porque \u00e9 quando est\u00e1 acontecendo matura\u00e7\u00e3o neurol\u00f3gica, quando conex\u00f5es est\u00e3o sendo criadas no c\u00e9rebro, quando as crian\u00e7as come\u00e7am a socializar com a fam\u00edlia e com seu entorno, o que gera grandes avan\u00e7os\u2026 A primeira inf\u00e2ncia est\u00e1 entre as prioridades da sua gest\u00e3o para os quatro anos de mandato.<\/p>\n<p><strong>O que a OEI vai fazer nesse sentido?<\/strong><\/p>\n<p>J\u00e1 estamos fazendo. Temos programas de apoio aos governos fazendo um diagn\u00f3stico da situa\u00e7\u00e3o, indicando quais s\u00e3o os problemas mais e menos graves. Tamb\u00e9m estamos fazendo compara\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas diferentes a fim de difundir as melhores pr\u00e1ticas por meio de publica\u00e7\u00f5es. Tamb\u00e9m estamos desenvolvendo metodologias de trabalho para a primeira inf\u00e2ncia, colocando para os governos e as institui\u00e7\u00f5es quais seriam as melhores maneiras de trabalhar.<\/p>\n<p><strong>Qual a sua avalia\u00e7\u00e3o do programa Chile Cresce Contigo, exemplo de pol\u00edtica p\u00fablica voltada para a primeira inf\u00e2ncia? Seria algo replic\u00e1vel no Brasil?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 muito positivo. No Chile, os \u00faltimos presidentes colocaram a primeira inf\u00e2ncia \u00e0 frente. A cobertura de educa\u00e7\u00e3o infantil \u00e9 boa para a m\u00e9dia dos pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina. Com rela\u00e7\u00e3o a um poss\u00edvel \u201cBrasil Cresce Contigo\u201d, a magnitude de um pa\u00eds n\u00e3o \u00e9 uma desvantagem. Em quase todos os pa\u00edses, os programas de primeira inf\u00e2ncia t\u00eam forte implica\u00e7\u00e3o municipal porque est\u00e3o muito pr\u00f3ximos das pol\u00edticas municipais, j\u00e1 que s\u00e3o pol\u00edticas de apoio \u00e0s fam\u00edlias, de sa\u00fade, de bem-estar social, de educa\u00e7\u00e3o e de tudo que tem a ver com um munic\u00edpio. H\u00e1 pa\u00edses nos quais tudo que tem a ver com educa\u00e7\u00e3o infantil acontece nas escolas municipais. Ent\u00e3o, ser um pa\u00eds grande n\u00e3o \u00e9 impeditivo para aplicar um programa do tipo, que seria global, mas aplicado em n\u00edvel municipal.<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-full wp-image-448\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/6-1.jpg\" alt=\"\" width=\"750\" height=\"500\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/6-1.jpg 750w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/6-1-300x200.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/6-1-550x367.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/primeirainfancia\/wp-content\/uploads\/sites\/49\/2019\/03\/6-1-230x153.jpg 230w\" sizes=\"auto, (max-width: 750px) 100vw, 750px\" \/><\/p>\n<p><strong>Por\u00e9m \u00e9 necess\u00e1rio haver or\u00e7amento e vontade pol\u00edtica&#8230;<\/strong><\/p>\n<p>Com certeza. Nessas coisas creio. A Am\u00e9rica Latina \u00e9 a regi\u00e3o onde mais se investe em educa\u00e7\u00e3o no mundo fazendo a correla\u00e7\u00e3o com o PIB (Produto Interno Bruto). Os pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina investem 5,2%. Est\u00e1 acima da m\u00e9dia dos pa\u00edses da OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico), que investem 4,6%. Ent\u00e3o, o que falta n\u00e3o \u00e9 dinheiro, \u00e9 melhor gest\u00e3o. A melhor vontade pol\u00edtica se traduz em or\u00e7amento. Quando algu\u00e9m fala de pol\u00edtica, precisa falar de or\u00e7amento. E, se um pa\u00eds investe mais num tema do que em outro, est\u00e1 mostrando que quer mais um tema do que outro.<\/p>\n<p><strong>Quais pa\u00edses da Am\u00e9rica Latina t\u00eam as melhores pol\u00edticas?<\/strong><\/p>\n<p>Al\u00e9m do Chile, a Col\u00f4mbia (que tem o programa De zero a sempre, que \u00e9 muito interessante), a Argentina (que conta com centros de socializa\u00e7\u00e3o e est\u00edmulo para a primeira inf\u00e2ncia; onde as crian\u00e7as ficam, assim, sobretudo as m\u00e3es ganham tempo livre para fazer outras coisas), o Uruguai e o Peru.<\/p>\n<p><strong>O senhor n\u00e3o citou o Brasil. Ele est\u00e1 entre os piores no que diz respeito \u00e0 primeira inf\u00e2ncia?<\/strong><\/p>\n<p>H\u00e1 complexidades especiais do Brasil, que \u00e9 um pa\u00eds muito grande \u00e9 muito desigual, mas, decididamente, n\u00e3o est\u00e1 entre os piores. Os piores tratamentos \u00e0 primeira inf\u00e2ncia est\u00e3o na Nicar\u00e1gua e outros pa\u00edses da Am\u00e9rica Central. Os pa\u00edses mais compar\u00e1veis com o Brasil seriam M\u00e9xico e Col\u00f4mbia, que t\u00eam extens\u00e3o maior. Podemos dizer que o Brasil est\u00e1 na m\u00e9dia dos pa\u00edses da regi\u00e3o que, como eu disse a princ\u00edpio, n\u00e3o \u00e9 boa.<\/p>\n<p><strong>Como a OEI apoiar\u00e1 ou trabalhar\u00e1 com os novos governantes do Brasil, que assumiram mandato este ano?<\/strong><\/p>\n<p>A boa not\u00edcia \u00e9 que o Brasil conta com um presidente eleito democraticamente. Isso \u00e9 muito bom porque, h\u00e1 alguns anos, n\u00e3o era assim na Am\u00e9rica Latina. Vamos apoiar as pol\u00edticas que melhorem a educa\u00e7\u00e3o, a cultura e o tratamento dado \u00e0s pessoas. Todos os pa\u00edses da regi\u00e3o da Ibero-Am\u00e9rica t\u00eam situa\u00e7\u00e3o pol\u00edtica muito diferente, mas a OEI trabalha em todos eles. N\u00e3o tenho d\u00favidas de que os temas que mais nos preocupam s\u00e3o primeira inf\u00e2ncia, compet\u00eancias do s\u00e9culo 21, governan\u00e7a, educa\u00e7\u00e3o superior e ensino de portugu\u00eas.<\/p>\n<p><strong>O que os adultos, incluindo pais e professores, devem valorizar na intera\u00e7\u00e3o e na educa\u00e7\u00e3o de crian\u00e7as de at\u00e9 6 anos?<\/strong><\/p>\n<p>Duas iniciativas s\u00e3o principais: a leitura, no sentido de contar hist\u00f3rias e incentivar uma atitude positiva com rela\u00e7\u00e3o aos estudos, e o despertar da curiosidade. Quando falo da leitura, ela n\u00e3o deve ser confundida com aprender a ler e a escrever, que \u00e9 uma tarefa de aprendizagem muito escolar, qualquer professor com boa forma\u00e7\u00e3o sabe ensinar isso. Estou falando de algo mais b\u00e1sico: \u00e9 de uma atitude com rela\u00e7\u00e3o aos estudos. H\u00e1 uma especialista em literatura infantil colombiana chamada Yolanda Reyes (escritora, educadora e promotora de leitura) que diz que a leitura na primeira inf\u00e2ncia tem um primeiro componente que \u00e9 ser um ato de amor. O fato de o pai, a m\u00e3e, os av\u00f3s pegarem a crian\u00e7a nos bra\u00e7os e lerem para ela quando ela ainda n\u00e3o pode faz\u00ea-lo gera um la\u00e7o afetivo muito forte. Al\u00e9m disso, esse ato apresenta um mundo diferente \u00e0 crian\u00e7a. Ent\u00e3o, ap\u00f3s voc\u00ea ler uma hist\u00f3ria para uma crian\u00e7a, ela dir\u00e1: \u201coutra\u201d, e \u201coutra\u201d e \u201coutra vez\u201d. Isso gera um la\u00e7o afetivo, al\u00e9m de uma atitude favor\u00e1vel com rela\u00e7\u00e3o aos estudos. Por isso, como diz a Yolanda Reyes, \u00e9 um gesto de amor. Em segundo lugar, \u00e9 um gesto educativo. A crian\u00e7a ter\u00e1 vontade de aprender a escrever e a ler, o que ser\u00e1 muito \u00fatil. Em terceiro lugar, \u00e9 um ato pol\u00edtico. Os pa\u00edses avan\u00e7ados t\u00eam a leitura como pilar, o elemento da leitura faz parte da pol\u00edtica do governo para educa\u00e7\u00e3o. Um plano de leitura \u00e9 um valor positivo para a cidadania.<\/p>\n<p><strong>Al\u00e9m de ler para as crian\u00e7as, como se parte para a segunda iniciativa, de despertar a curiosidade?<\/strong><\/p>\n<p>Essa outra estrat\u00e9gia importante n\u00e3o \u00e9 ideia minha, \u00e9 da argentina Melina Furman (doutora em educa\u00e7\u00e3o, pesquisadora da forma\u00e7\u00e3o do pensamento cient\u00edfico do n\u00edvel inicial ao universit\u00e1rio), que fala do \u201cdespertar de mentes curiosas\u201d. Isso \u00e9 que o menino ou a menina tenha uma atitude curiosa, que manipule os objetos, que brinque, que crie, que tenha uma atitude que podemos classificar como \u201cpr\u00e9-cient\u00edfica\u201d, de descobrir. Isso tem a ver com compet\u00eancias cognitivas, comunicativas, s\u00e3o \u201cpr\u00e9-compet\u00eancias\u201d ou compet\u00eancias pr\u00e9vias&#8230;<\/p>\n<p><strong>Como se estimula o desenvolvimento dessas compet\u00eancias?<\/strong><\/p>\n<p>Elas n\u00e3o v\u00e3o se desenvolver com uma crian\u00e7a ficando tr\u00eas horas em frente a uma tela assistindo a desenhos. Isso n\u00e3o desperta a curiosidade, isso \u00e9 colocar o menino numa atitude passiva por completo. Ent\u00e3o, como \u00e9 poss\u00edvel desenvolver isso? Em ambientes enriquecidos em que existam m\u00faltiplos est\u00edmulos. S\u00e3o lugares onde se possa brincar com brinquedos e com outras crian\u00e7as, onde tenha objetos para manipular, coisas para se divertir.<\/p>\n<p><strong>Por que as compet\u00eancias do s\u00e9culo 21 est\u00e3o entre suas prioridades? Como desenvolv\u00ea-las?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 um tema fundamental, especialmente as compet\u00eancias comunicativas, digitais (ou seja, tudo que tem a ver com tecnologia) e socioemocionais (que tem a ver com direitos humanos e cidadania). \u00c9 uma \u00e1rea em que precisamos ter mais forma\u00e7\u00e3o de docentes. \u00c9 um trabalho que deve ser feito em longo prazo nas escolas e veremos os resultados l\u00e1 na frente no mercado de trabalho. Com rela\u00e7\u00e3o ao pensamento cr\u00edtico, importante para a educa\u00e7\u00e3o midi\u00e1tica, ele deve ser estimulado desde o in\u00edcio da educa\u00e7\u00e3o, para que a crian\u00e7a possa identificar o que \u00e9 e o que n\u00e3o \u00e9 falso, inclusive com rela\u00e7\u00e3o a desenhos, v\u00eddeos e not\u00edcias. \u00c9 preciso criar uma educa\u00e7\u00e3o de uso de telas e dispositivos m\u00f3veis entre crian\u00e7as de 0 a 6 anos. H\u00e1 muita preocupa\u00e7\u00e3o com o tema, porque a intera\u00e7\u00e3o das crian\u00e7as sem cuidado com essas m\u00eddias causa muitos problemas.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Mariano Jabonero, secret\u00e1rio-geral da Organiza\u00e7\u00e3o dos Estados Ibero-Americanos (OEI), estar\u00e1 est\u00e1 semana em C\u00f3rdoba, na Argentina, para participar da oitava edi\u00e7\u00e3o do Congresso Internacional da L\u00edngua Espanhola entre quarta-feira (27) e s\u00e1bado (30). 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