Cadê as pessoas que estavam aqui?
Diferente dos cariocas, paulistanos, recifenses ou belo-horizontinos, gentílicos de quem nascem nessas capitais, em Brasília, ser brasiliense se refere a ser habitante local. Brasiliense é qualquer pessoa que, sendo ou não natural de Brasília, mora no Distrito Federal.
Ainda que os residentes daqui mantenham (como acontece com a grande maioria) sua identidade, sotaque e aspectos da cultura de origem, mostram atitudes, comportamentos, expressões, entre várias características, já codificadas como específicas dos brasilienses.
Falar do clima, da seca e da chuva, por exemplo, é uma característica brasiliense, como é também brincar com a previsão meteorológica.
Os brasilienses adoram falar sobre o que está previsto no clima para o dia ou para a semana, se vai ser mais frio, mais quente, se vai ter recorde, se a umidade estará alta ou baixa e, principalmente, se vai chover, na época das chuvas, e em qual período do dia.
Os brasilienses parecem acreditar muito na ciência do tempo, por darem atenção às previsões, mas parecem sempre desacreditar também. E constatar erros no que foi previsto, reclamar e fazer piadas sobre isso é um esporte local, quase um prazer. Memes e comentários abundam nas mídias sociais pra comprovar: “Tá previsto chuva? Então Vai fazer sol?”, “Vai esfriar? então o calor vai aumentar”. Pelo sim ou pelo não, a vida do brasiliense segue sabendo que pode ter surpresas no tempo previsto.
No último sábado, por exemplo, não havia previsão de chuvas, mas sim, de muito calor, pois a chuva de verdade chegaria somente no domingo à tarde.
Como de costume, milhares de pessoas foram aproveitar a manhã no Parque da Cidade. O céu estava azul e o sol forte confirmavam a previsão do tempo. Mais próximo ao final da manhã, em poucos minutos, as nuvens se juntaram e, de repente, a chuva caiu numa rapidez que só os brasilienses conhecem.
Quando isso acontece, num átimo, centenas e centenas de pessoas simplesmente desaparecem das pistas. Alguns, antes do desaparecimento, se abrigam nas estações de descanso onde estão os banheiros e outros nos quiosques próximos; os piqueniques e outros encontros de grupos são desfeitos de imediato; a grande maioria desaparece mesmo, e fica tudo deserto, como se fosse um protesto por não terem sido avisados.
Quem trabalha no Parque já sabe: se vem chuva forte, adeus às vendas de produtos e serviços do dia, porque as pessoas “vão desaparecer”, como ouvi de um vendedor. É engraçado porque isso virou uma característica da ida ao Parque nesse período. Uma chuva repentina, portanto, resultado do “erro” das previsões, vai acabar com o passeio, a prática esportiva e o faturamento de todos.
Aos frequentadores, resta reclamar e zombar da meteorologia que “nunca acerta”. Aos donos de negócios, esperar a “pancada” passar e torcer para o sol voltar para o Parque ser povoado outra vez, quem sabe, com sorte, até no mesmo dia.
Fiz um registro desse fenômeno em fotos pra mostrar aqui no blog. Confira.
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