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“O animal transforma vidas”

Se você está pensando em adotar um animal e, antes de escolher seu amigo de quatro patas, quer ter contato com alguns presencialmente, no Parque da Cidade, aos fins de semana, sempre acontece feiras e encontros de cuidadores.
Foi em um desses que conheci Dalliana Dayana Fontele, protetora de animais e organizadora desse tipo de evento.
Dally, como é conhecida, nasceu em Brasília, tem 38 anos, sem filhos, moradora de Vicente Pires. Formada em administração, é assessora parlamentar, e protetora de animais, há nove anos.
Sua paixão pelos bichinhos surgiu desde criança, sempre cuidou e criou animais na casa dos pais. Hoje, ela cria 11 deles, entre cães e gatos, na sua própria casa, e mais 17 em outro local. Ela é de uma família de cuidadores, a mãe cria 15 gatos e a a irmã 25. Durante nossa conversa, Dally se emocionou várias vezes ao expressar seu amor e cuidado com os animais. Falou do seu trabalho de protetora, o que considera uma missão de vida, e da vontade de poder ajudar cada vez mais à causa. Defende uma adoção consciente, é totalmente contra o comércio de animais e a favor da castração como uma forma de reduzir o problema de animais abandonados nas ruas. Dally sonha em trabalhar com escolas educando crianças sobre a importância da adoção e o valor do não abandono. Saiba mais sobre o trabalho voluntário de proteção, os cuidados, a responsabilidade, e a importância de adotar um pet.

Os eventos de adoção sempre acontecem nos fins de semana /Foto CV

Perguntas para Dally Fontele:

P- Como você começou esse trabalho de protetora?

R- Nove anos atrás, eu fiz um propósito num local que se chama Monte de Oração. Lá eu conheci alguns animais que viviam perambulando em situação de rua, e comecei a ajudar esses animais. Eu não trabalhava ainda nessa área, trabalhava em na área do comércio. Eu era lojista. E comecei a ajudar esses animais. Já era um amor que eu tinha muito grande por eles, e tinha alguns em casa. Então, comecei a inserir eles em famílias, e vi o quanto era importante a gente fazer esse trabalho de acolher esses animais que estavam em situação de rua, e inserir eles para dar uma oportunidade de terem uma vida diferente.

P- Aí, você criou algum abrigo?

R- Não, nós somos um grupo hoje. Eu conheci muitas pessoas através dessa iniciativa. Nós somos um grupo, cada pessoa ajuda um pouco, nas suas próprias casas, somos protetores independentes.

P- Como vocês se comunicam? Como é que vocês ficam sabendo dos animais?

R- A gente tem um relacionamento. Na verdade, a gente já é um grupo há muito tempo, que caminha junto, e a gente sempre se reúne para essas ações de adoção. Então, a gente conversa via WhatsApp, pessoalmente. Temos alguns grupos no WhatsApp e também conversamos de forma independente mesmo.

P- Juntando esses grupos, você tem uma noção de quantas pessoas participam?

R- Ah, são muitas. Nem em todas as ações está todo mundo, por conta da logística mesmo, de levar os animais para as ações, que também não é tão fácil, né? Então, depende da cidade, vem um grupo, da disponibilidade de poder estar indo naquela ação. Mas é um grupo grande, mais de 100 pessoas.

P- Entendi, vocês são protetores e se juntam para organizar eventos de adoção?

R- Eu organizo a parte de logística, a parte de estrutura, a gente organiza com apoio de parceiros, pessoas que também são sensíveis à causa e nos ajudam, estão sempre conosco. E aí, a gente se reúne em determinados lugares para poder fazer essa ação, com o intuito de proporcionar a esses animais a oportunidade de lares definitivos. Então, a gente busca lugares que têm proporção de público de várias cidades, igual ao Parque da Cidade, que é um lugar maravilhoso, que vem pessoas de todas as cidades frequentar. O Parque é uma oportunidade de estar apresentando esses animais para essas pessoas.

P- Você costuma fazer evento aqui no Parque?

R- Faço aqui e fazemos também em outros locais.

P- E qual a diferença você de fazer aqui no Parque?

R- A aceitação é muito boa. Aqui, as pessoas, mesmo muitas vezes não adotando, elas passam para conhecer os nossos projetos, conhecer as pessoas, ver os animais, compartilhar fotos dos animais, isso tudo é importante. Já fizemos muitas adoções aqui, como também em outros locais.

P- Os outros locais são parques também?

R- Sim, eu gosto muito de fazer nos parques. É uma área que tem a natureza, que tem famílias, vêm crianças, é muito bacana porque é um público diversificado e todos voltados para o bem-estar. A gente busca isso para as famílias, a gente busca isso para os animais, o bem-estar, para proporcionar para eles o melhor.

P- E quando você não está nas feiras aqui, você já veio no Parque para outras atividades suas?

R- Sim, mas como os finais de semana, geralmente eu estou voltada para as ações, eu não tenho vindo tanto para prestigiar o Parque. Mas eu amo o Parque, é bacana demais.

P- E você vinha aqui antes, quando era criança, você tem alguma boa lembrança do Parque?

R- Quando era criança eu vinha no Nicolândia, depois de adulta, já vim algumas vezes caminhar, em algumas ações esportivas, mas assim, frequentemente, mesmo, nos finais de semana, é para as feiras, para as ações, para eles. É o meu tempo que eu disponibilizo para eles.

P- Se uma pessoa quer ter um animal, qual o primeiro passo, o que ela tem que fazer para adotar?

R- A gente conversa com essa pessoa, vê realmente se é uma atitude que ela tem, uma certeza daquele momento, daquela adoção. Não doamos para impulso, para pessoas que estão ali naquele momento, acham que estão precisando, mas não têm uma certeza. Então, a gente bate um papo com essas pessoas, a gente solicita a documentação, para ser uma adoção responsável, entre quem está doando e o adotante. Então, é feito um documento, esse documento é assinado por ambos, e a gente dá todo esse suporte. Também acompanhamos o pós-adoção, que é para ver se esse animal vai se integrar àquela família, se se adaptou. Se não se adaptar, volta para aquele protetor. A gente faz todo um trabalho, que é o melhor para eles, é uma união mesmo.

Dois “pretinhos”, prontos pra adoção/ Foto CV maio 2026

P- Esse acompanhamento é por telefone, por mensagem?

R- No nosso termo de adoção, consta uma cláusula em que a gente pede informações, tanto via telefone, WhatsApp, quanto também em vídeos, chamadas de vídeos, ou dependendo, às vezes até uma visita presencial, a gente faz também.

P- Vocês dão algumas dicas para educar o animal? Vocês têm algum trabalho nesse sentido?

R- Sim, a gente, como cuida de muitos animais, acaba adquirindo uma experiência, e também tem alguns veterinários que são parceiros nossos. Então, a gente sempre está tentando fazer o melhor. A gente doa um animal já vermifugado, já com as vacinas iniciais; a gente orienta o protocolo que aquele adotante vai dar sequência para estar fazendo o melhor. Orientamos sobre a prevenção, sobre a questão das castrações, que é muito importante. Às vezes, a pessoa adota um filhote, mas a gente orienta que assim que completar seis, cinco para seis meses, já pode iniciar o processo de fazer a castração. Porque (a castração) é um benefício para o animal, evita tudo isso que está acontecendo, que é muito abandono. Infelizmente tem muitos animais que precisam de um lar. Nem todos têm, é um privilégio hoje, muitos não têm oportunidade. A castração evita o abandono, evita essa grande quantidade de animais sem família, e evita doenças, que muitas vezes as pessoas não tem conhecimento. Por exemplo, na fêmea, evita câncer de mama, pode evitar piometra que é um câncer que dá no útero, no macho também, várias doenças. A gente orienta tudo isso para que aquele animal, que saiu das ruas, passou por nós, é inserido em uma família, ele tenha qualidade de vida por completo.

Filhotes pra adoção têm orientação sobre cuidados/ Foto CV maio 2026

P- Acontece muito de devolverem, depois da adoção?

R- A gente até, às vezes, diz não na hora da entrevista, desse bate-papo. Porque, muitas vezes, tem algumas situações que a gente sabe que essas pessoas podem vir a devolver um animal, por algum motivo pessoal, às vezes algum motivo de local. Então, a gente já conversa isso muito bem antes. Mas acontecem, sim, as devoluções. Ás vezes, porque não se adaptou com o outro animal que a pessoa tem em casa; às vezes, a pessoa não tem a condição de botar um adestrador para que aquele animal tenha um bom convívio com aquele outro animal. Acontecem sim devoluções, e aí a gente está de braços abertos, a gente recebe aquele animal e tenta inserir novamente em uma outra família. Claro que, por nós, não teríamos nenhuma devolução. Porque a adoção tem que ser uma coisa consciente, tem que ser uma certeza. Às vezes, a pessoa não tem aquela paciência de esperar um pouco, mais alguns dias para ver a adaptação daquele animal. Então, 24 horas não é adaptação nenhuma, 7 dias não é adaptação nenhuma, A gente pede um período um pouco mais longo para que a pessoa possa realmente ver a interação daquele animal nas suas residências.

P- Tem muita diferença entre a adoção de quem já criou ou cria, de quem nunca criou um animal?

R- Tem. Quem tem animais, já tem ali um protocolo, já sabe alguns hábitos, sabe questões de alimentar. A gente também aconselha as alimentações melhores, uma ração sem corante, água filtrada. Quem já tem animal, sabe dessa necessidade e sabe que, quanto mais você cuida da alimentação, dos cuidados da higiene do animal, da prevenção das vacinas, da castração, você vai ter um animal que ele não vai ter riscos de questões de saúde, é muito mais difícil. Aos novos adotantes, a gente tenta passar todo esse protocolo, desde o início, desde a primeira vermifugação até o processo da castração, até quando o animal fica mais idoso, tem pessoas que nos procuram. E a gente vai fazendo o possível para dar essas orientações, dentro do que a gente conhece.

P- Por que adotar um animal?

R- Olha, por experiência própria, o animal, ele transforma vidas. Ele transforma vidas, assim como transformou a minha e de muitas pessoas que estão próximas a mim. Eles são assim, seres inocentes, eles não estão com a gente por vaidade, nem por interesse. Eles estão totalmente à disposição para dar carinho e amor, e atenção.

P- Por que adotar e não comprar um animal?

R- Bom, eu não aprovo a questão da compra do animal. Animal não é mercadoria, não é produto. Quantas vezes a gente vê aí locais que as pessoas cuidam da mãe dos filhotes com maus-tratos, aquela cadela fica ali, tendo os filhotes de uma forma desenfreada, só para que aquela pessoa se mantenha ou ganhe algum recurso em cima. Então, eu sou totalmente contra. Por mim, se eu pudesse, eu já teria proibido. Pet é pet, é família, eles não têm que ser meio de ganhar recurso para a pessoa se manter. E muitas das vezes se mantém ainda dessa forma, cuidando de uma forma totalmente precária, sem nenhum zelo, sem nenhum cuidado. É minha opinião pessoal mesmo, eu não sou a favor.

“Adotar um pet é amor”/ Foto CV maio 2026

P- Dally, o que lhe move na vida, o que lhe faz se sentir bem?

R- Eu acredito que todos nós temos uma missão. Há nove anos eu encontrei essa missão, e acredito que muitas pessoas que estão ali também. Elas vivem em função de ajudar os animais. Nós vivemos em função de ajudar. E a gente ajuda animais, a gente ajuda pessoas, a gente se ajuda. A gente conhece cada uma ali, um olhar da dificuldade de cada uma, que está deixando muitas coisas e se dedicando a eles. Então, assim, é missão, é missão e não tem como explicar. Muitas pessoas têm missão com idosos, com crianças.. é essa missão que me move, esse desejo de ver mudança. E eu sou cristã, e Deus, ele me levanta todos os dias e fala, ‘só vai, que eu vou te dando recurso, eu vou te direcionando, eu vou te colocando nos lugares onde você tem que ir, e eu vou provendo tudo que você precisa para cuidar deles’ e assim Deus tem feito.

Para Dally, proteger animais é uma missão/ Foto CV maio 2026

P- Você acha que nesses nove anos, de lá pra cá, tem melhorado a conscientização sobre cuidados com os animais e a importância da adoção?

R- Tem sim, é um avanço, cada vez mais. Hoje em dia, a gente vê a importância que as pessoas dão para os animais. Hoje em dia, a gente não vê mais animais acorrentados, como via antes. A gente vê um zelo, a gente vai nas clínicas, tem a preocupação dos tutores de estar castrando aqueles animais. Então, já tem uma conscientização sobre a questão da importância de castrar, a importância de imunizar os animais. A gente ainda vê muitos animais doentes, mas porque não tem ninguém por eles. Mas, os animais que têm tutores, hoje em dia, tem o zelo, o cuidado, ele é um membro da família. Ele não é aquele animal de ficar jogado no quintal, ele é um animal de dentro de casa, de passear, de usufruir de tudo junto com o tutor, o animal faz parte mesmo da família. Nós temos avançado, bastante, mas ainda temos que avançar mais ainda, é o nosso objetivo, para as pessoas abrirem espaço dentro das suas residências e darem oportunidade para uma vida.

P – E tinha que ter também mais consciência sobre não abandono, tem pessoas que abandonam os animais, o que é impressionante.

R- Infelizmente. Eu imagino que são pessoas frias. Pessoas que têm coragem de largar animais em um determinado lugar, o que não teria coragem de fazer? São pessoas que, infelizmente, a gente não tem como mencionar a crueldade que passa no coração dessas pessoas.
Nós temos que ter uma sociedade diferente, nós temos que falar com os nossos filhos, com as nossas crianças.
Eu tenho um objetivo muito grande que é trabalhar exatamente isso nas escolas, que é para que aquelas crianças cresçam com outra cultura. Porque isso vai passando muito de pai para filho. Às vezes, se vê um pai abandonando um animal, ele vai achar normal quando ficar adulto. Então, a gente tem que quebrar esses paradigmas, até para aquelas crianças corrigirem dentro de casa. Porque somos espelho na nossa casa, e as crianças têm que ser espelho dentro de casa. Esse é um dos meus objetivos.

“Me adote”/ Foto CV maio 2026

P- E qual o seu recado para as pessoas?

R- Meu recado é: dê oportunidade, abra o coração. Muitas vezes a pessoa fala “aqui não tem espaço”. Tem sim! Podíamos proporcionar para eles lugares enormes, com muita variedade do que fazer, mas o animal, ele quer ali, o seu coração, ele quer a sua companhia. Às vezes, você mora num lugar menorzinho, mas não tem problema, você pode oferecer para aquele animal o seu amor, o seu carinho; levar para passear, trazer para o parque, fazer parte da sua família. Vai viajar, é uma companhia para você.
Hoje em dia, as pessoas vivem muito no mundo digital, e o animal, ele faz essa mudança, o animal brinca, interage. Às vezes, você chega tensa em casa, quando você vê, ele faz uma brincadeira, você já está sorrindo, você já esqueceu o problema. Então, abra o coração e dê oportunidade, seja um amigo do coração mesmo, e dê oportunidade para um animalzinho ser inserido nas suas residências. Se puder ser com a gente, melhor ainda.
Adotar é amor, é a responsabilidade, nos procure, que a gente tem muitos animais disponíveis para fazer parte de sua família.

Filhotes que esperam por um lar/ Foto CV maio 2026

P- Quais são os seus contatos?

R- Quem quer adotar, quem quer saber onde tem evento de adoção, pode entrar em contato comigo no número 61 9 8275 8537. Se gostar de algum das fotos daqui, na entrevista, pode entrar em contato, porque eu passo o contato das protetoras, que estão cuidando de cada um, e aí, quem sabe através dessa entrevista a gente consiga bons adotantes.
Tem o meu Instagram pessoal @dally_fontele tem de alguns projetos também, tem várias outras pessoas, muitos trabalham de forma individual, protetores independentes, mas que a gente se reúne.

P- E se alguém quiser se unir ao grupo de protetor para ser um também?

R- Pode me procurar. Toda a ação que a gente faz a gente faz entrevistas, faz inscrições antecipadas e passa as orientações para participar dos eventos. Não pode só chegar com os animais e vir participar. Faz uma inscrição antecipada a gente passa toda a orientação e a pessoa vem em segurança, tudo bonitinho para participar com a gente.
E quem não puder adotar, mas puder ajudar, os animais que temos é muito importante. Aceitamos ajudas de todo tipo.

cilenevieira

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