{"id":56,"date":"2019-11-07T09:54:22","date_gmt":"2019-11-07T12:54:22","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcelovitorino\/?p=56"},"modified":"2019-11-07T09:56:10","modified_gmt":"2019-11-07T12:56:10","slug":"eleicoes2020-candidatas-partidos-proporcional","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcelovitorino\/2019\/11\/07\/eleicoes2020-candidatas-partidos-proporcional\/","title":{"rendered":"Partidos e candidatos est\u00e3o nas m\u00e3os delas, e n\u00e3o \u00e9 por feminismo"},"content":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos o Brasil vem implementando pol\u00edticas p\u00fablicas para a inclus\u00e3o de mulheres em cargos eletivos. Primeiramente, foi criada uma cota para composi\u00e7\u00e3o de chapas eleitorais, impedindo partidos de as lan\u00e7arem compostas exclusivamente por candidatos de apenas um g\u00eanero, estabelecendo um percentual m\u00ednimo de preenchimento para cada um dos dois. Depois veio a determina\u00e7\u00e3o da destina\u00e7\u00e3o do fundo eleitoral para candidaturas, obedecendo os crit\u00e9rios de composi\u00e7\u00e3o das chapas. Hoje, j\u00e1 se fala tamb\u00e9m na destina\u00e7\u00e3o do fundo partid\u00e1rio.<\/p>\n<p>Para um olhar menos atento, a quest\u00e3o das mulheres na pol\u00edtica parece se resumir em apenas dois pontos: o uso do dinheiro do fundo eleitoral e a composi\u00e7\u00e3o obrigat\u00f3ria da chapa. Contudo, o problema \u00e9 bem maior do que isso, principalmente para as candidaturas masculinas.<\/p>\n<p>O entendimento da dimens\u00e3o real do problema passa por uma mudan\u00e7a significativa nas regras eleitorais, que \u00e9 o fim da coliga\u00e7\u00e3o no proporcional. Anteriormente, para a conta de cadeiras nas C\u00e2maras e Assembleias Legislativas, somava-se o n\u00famero total de votos da coliga\u00e7\u00e3o. Muitos partidos grandes \u201calocavam\u201d candidaturas femininas em outros de pouca express\u00e3o para terem chapas mais competitivas, dado que os 30% obrigat\u00f3rios poderiam ser atendidos pela coliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Hoje, a lei diz que a cota deve ser preenchida de forma individual, por cada partido, e que a soma dos votos que conta para o preenchimento de cadeiras do legislativo, deve ser apenas de cada partido, mesmo que ele esteja em uma coliga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Na pr\u00e1tica, essa mudan\u00e7a eleitoral obriga os partidos a terem chapas competitivas, o que inclui candidaturas com potencial eleitoral tanto para homens, quanto para as mulheres.<\/p>\n<p>Os \u00f3rg\u00e3os de controle j\u00e1 se mostram dispostos a usar a pr\u00f3xima elei\u00e7\u00e3o como modelo de fiscaliza\u00e7\u00e3o e atuar\u00e3o com for\u00e7a no combate a candidaturas montadas para cumprimento de chapas, o que levar\u00e1 a todos a dois cen\u00e1rios prov\u00e1veis: a atra\u00e7\u00e3o de mulheres com interesse real em serem eleitas e\/ou a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de candidatos das chapas por falta de candidatas.<\/p>\n<h2>N\u00e3o \u00e9 feminismo, \u00e9 matem\u00e1tica<\/h2>\n<p>Sem candidatas competitivas, a chance de fazer uma grande soma de votos apenas por um partido diminui consideravelmente. Para exemplificar, imagine uma C\u00e2mara de Vereadores com 20 cadeiras. Um partido poder\u00e1 lan\u00e7ar 30 candidaturas, sendo que 10, no m\u00ednimo, devem ser de mulheres. Supondo que um partido consiga apenas 3 candidatas reais e competitivas, o n\u00famero de candidatos homens ter\u00e1 que ser reduzido de 20 para apenas 7!<\/p>\n<p>Qual o caminho ent\u00e3o? Correr atr\u00e1s do tempo perdido! N\u00e3o encontrei nenhuma iniciativa de \u00e2mbito nacional e com investimento em grande escala para atra\u00e7\u00e3o de mulheres para os partidos, em um primeiro passo, e tamb\u00e9m na prepara\u00e7\u00e3o das candidatas de maneira que tenham condi\u00e7\u00f5es reais de disputa.<\/p>\n<p>Ao longo dos anos observei algumas iniciativas positivas e que render\u00e3o frutos nos bra\u00e7os femininos dos partidos, mas ainda assim muito t\u00edmidas perto do horizonte que se aproxima. Basta olhar o Congresso Nacional e ver que a representatividade feminina n\u00e3o chega a 20% dos parlamentares e boa parte das mulheres que l\u00e1 est\u00e3o tem alguma rela\u00e7\u00e3o familiar com pol\u00edticos homens.<\/p>\n<p>A justificativa de que as mulheres se interessam pouco pela pol\u00edtica \u00e9 rasa. Mesmo que fosse verdade, se elas se interessam pouco, a\u00ed \u00e9 que fica mais evidente a falta de vis\u00e3o dos partidos pol\u00edticos em n\u00e3o proporcionar ambientes atraentes para elas. Para isso, n\u00e3o adianta apenas ter um segmento mulher no partido, como se fosse por obriga\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>\u00c9 preciso incorporar a necessidade da constru\u00e7\u00e3o de um ambiente plural e representativo na sua ess\u00eancia, incluindo pol\u00edticas de incentivo desde a juventude partid\u00e1ria, n\u00e3o somente quando adultas.<\/p>\n<p>Militantes entram em partidos basicamente por tr\u00eas motivos: por atra\u00e7\u00e3o familiar, por perspectiva de poder e por ideologia.<\/p>\n<p>A faltam de mulheres em quadros partid\u00e1rios competitivos n\u00e3o \u00e9 a doen\u00e7a. \u00c9 o sintoma. \u00c9 o resultado de muitos anos em que faltou olhar para a quest\u00e3o de forma emp\u00e1tica e tamb\u00e9m de forma <a href=\"http:\/\/politicaporelas.com.br\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">mais profissional<\/a>.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 alguns anos o Brasil vem implementando pol\u00edticas p\u00fablicas para a inclus\u00e3o de mulheres em cargos eletivos. 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