{"id":929,"date":"2026-10-17T06:00:00","date_gmt":"2026-10-17T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcas-e-negocios\/?p=929"},"modified":"2026-10-16T19:21:46","modified_gmt":"2026-10-16T22:21:46","slug":"a-livraria-de-rua-que-aposta-no-encontro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcas-e-negocios\/2026\/10\/17\/a-livraria-de-rua-que-aposta-no-encontro\/","title":{"rendered":"A livraria de rua que aposta no encontro"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em uma cidade conhecida pelas grandes dist\u00e2ncias e pelo espa\u00e7o pensado para os carros, uma livraria de rua insiste em fazer o caminho inverso: aposta na conversa de balc\u00e3o, na indica\u00e7\u00e3o feita por quem leu e no encontro casual entre desconhecidos diante de uma mesma prateleira. A Circulares, localizada na Asa Norte (714\/715), nasceu de um acervo pessoal que as s\u00f3cias Camile Sahb e Ariana Frances come\u00e7aram a emprestar a leitores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Inaugurada em 2021, a livraria se tornou um ponto de encontro da literatura contempor\u00e2nea e da produ\u00e7\u00e3o independente de Bras\u00edlia. Entre lan\u00e7amentos, clubes de leitura, oficinas e rodas de conversa, abre espa\u00e7o para autores e editoras que dificilmente ganhariam destaque nas vitrines das grandes redes. Em um mercado pressionado pelo com\u00e9rcio on-line, a aposta \u00e9 simples e antiga: o livro circula melhor quando circula junto com as pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Bras\u00edlia foi pensada para o carro e tem uma vida muito setorizada, ent\u00e3o a rua e o encontro espont\u00e2neo n\u00e3o s\u00e3o naturais aqui. Uma livraria de rua cria um ponto de parada, um lugar para onde as pessoas se deslocam de prop\u00f3sito, mas tamb\u00e9m onde esbarram umas nas outras. J\u00e1 vimos gente de outros bairros atravessarem a cidade para um lan\u00e7amento e acabar descobrindo a vizinhan\u00e7a. A dist\u00e2ncia continua existindo, mas o livro d\u00e1 um motivo para venc\u00ea-la&#8221;, informa Camile Sahb, s\u00f3cia-propriet\u00e1ria da Livraria Circulares.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para Camile, estar \u00e0 frente da Circulares&nbsp; \u00e9 prazeroso e dif\u00edcil ao mesmo tempo. Segundo a empreendedora, a melhor parte \u00e9 ver as pessoas conversando sobre livros dentro da sua loja. Em contrapartida, a mais desafiadora \u00e9 manter a sa\u00fade financeira de um neg\u00f3cio que opera com margens apertadas. &#8220;Para os custos ficarem baixos, a opera\u00e7\u00e3o \u00e9 muito caseira. Jogamos em todas as posi\u00e7\u00f5es: abrimos caixas, falamos com as editoras e os autores, mantemos as redes sociais ativas, organizamos a agenda de eventos, fazemos a produ\u00e7\u00e3o. Tudo \u00e9 muito intenso&#8221;, explica.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em contrapartida, acompanhar as prateleiras cheias de livros que foram selecionados pelas pr\u00f3prias s\u00f3cias, ver as pessoas falando sobre as hist\u00f3rias e suas leituras s\u00e3o aspectos que mant\u00eam a alegria do local. \u201cGostamos tamb\u00e9m de acompanhar o mercado editorial e pensar no que trazer para a livraria\u201d, ressalta. Nesse sentido, as s\u00f3cias acompanham de perto diferentes tipos de obras para que possam fazer a curadoria da Circulares. \u201cO foco \u00e9 a literatura contempor\u00e2nea, com aten\u00e7\u00e3o \u00e0s editoras independentes e a vozes que talvez n\u00e3o tenham tanto espa\u00e7o nas grandes redes\u201d, ressalta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para isso, a curadoria parte do que dialoga com a comunidade e com os eventos realizados na casa. A livraria tamb\u00e9m d\u00e1 aten\u00e7\u00e3o ao que os clientes dizem: pedidos e conversas de balc\u00e3o influenciam o que chega \u00e0s prateleiras. Como o espa\u00e7o \u00e9 pequeno, cada t\u00edtulo precisa justificar o seu lugar. E at\u00e9 chegar na loja, o caminho \u00e9 extenso: &#8220;as pessoas n\u00e3o imaginam o tanto de coisa que a gente tem que fazer para o livro estar na prateleira. \u00c9 um neg\u00f3cio como outro qualquer, exige muita energia, muita aten\u00e7\u00e3o, um enorme esfor\u00e7o para fechar as contas no final do m\u00eas&#8221;, afirma.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Essa programa\u00e7\u00e3o, ali\u00e1s, \u00e9 parte central do neg\u00f3cio. Para a livraria, lan\u00e7amentos e rodas aproximam leitores e autores, enquanto os clubes criam um h\u00e1bito e uma comunidade fiel. Muita gente, segundo Camile, entra pela primeira vez por causa de um evento e depois volta no dia a dia. &#8220;Ler \u00e9 uma atividade solit\u00e1ria, mas a conversa sobre o que se leu \u00e9 coletiva, e \u00e9 a\u00ed que a leitura se prolonga&#8221;, diz. As iniciativas tamb\u00e9m ajudam a formar leitores, o que ela define como a raz\u00e3o de ser do neg\u00f3cio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Por isso, a oferta de clubes foi ampliada ao longo dos anos. Hoje, a livraria mant\u00e9m um clube principal, gratuito, al\u00e9m de encontros dedicados \u00e0 poesia e a livros de n\u00e3o fic\u00e7\u00e3o. Neste ano, firmou parceria com o clube do livro do projeto Margens Subversivas, e o Leio Mulheres tamb\u00e9m realiza seus encontros no espa\u00e7o. Camile v\u00ea, por\u00e9m, um longo caminho a ser percorrido.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Bras\u00edlia continua muito fora do circuito do livro. Acho que j\u00e1 ajudamos a mudar um pouquinho essa realidade, mas n\u00e3o temos nenhum evento relevante na cidade que aborde literatura&#8221;, diz. Para ela, a proposta do Sesc-DF de realizar um festival liter\u00e1rio ser\u00e1 muito importante para a cidade. Nos dias 17 e 18 de outubro, a capital receber\u00e1 o Festival Liter\u00e1rio do Sesc-DF (FliSesc 2026), com uma programa\u00e7\u00e3o dedicada \u00e0 literatura e \u00e0 cultura no Sesc 504 Sul.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tr\u00eas perguntas para<\/strong> <strong>Camile Sahb, s\u00f3cia-propriet\u00e1ria da Livraria Circulares<\/strong><strong>:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como e quando nasceu a ideia de abrir a Circulares?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No meio da pandemia, come\u00e7amos a fazer um perfil de livros e a emprestar nosso acervo pessoal. Mas a gente estava com vontade de fazer algo no mundo real, vontade de encontrar as pessoas, de conversar ao vivo. A ideia foi crescendo. Nesse mesmo per\u00edodo, come\u00e7ou um movimento, especialmente em S\u00e3o Paulo, da abertura de pequenas livrarias.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Qual foi o momento mais marcante da hist\u00f3ria da livraria at\u00e9 aqui?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Tanta coisa j\u00e1 aconteceu nesses cinco anos de vida da livraria. Dizer s\u00f3 um momento \u00e9 injusto com tanta coisa legal que a gente viveu at\u00e9 aqui. Mas acho que a primeira vez que o Itamar Vieira Junior esteve na livraria nos marcou bastante. Foi uma festa bem bonita, na rua, com 5h de aut\u00f3grafos, m\u00fasica, leitura dram\u00e1tica ao longo da fila e observamos o quanto as pessoas estavam felizes com aquele momento. Tanto o p\u00fablico, como o autor e, claro, n\u00f3s duas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Qual a sua vis\u00e3o sobre o mercado de livros atualmente?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">\u00c9 um mercado que precisa ser olhado com cuidado e aten\u00e7\u00e3o, com pol\u00edticas p\u00fablicas que valorizem e facilitem a cadeia de produ\u00e7\u00e3o e circula\u00e7\u00e3o do livro. As pessoas falam muito que o livro \u00e9 caro, e precisamos mudar essa vis\u00e3o. O pre\u00e7o de capa financia toda a cadeia de profissionais: autores, tradutores, revisores, editores, diagramadores. Em geral, o custo de produ\u00e7\u00e3o de um livro leva muito tempo para se pagar. A quest\u00e3o dos descontos tamb\u00e9m merece aten\u00e7\u00e3o. A concorr\u00eancia precisa ser justa, e ningu\u00e9m deveria achar que o livro \u00e9 mais caro na livraria sem entender o comportamento predat\u00f3rio de algumas plataformas.&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em uma cidade conhecida pelas grandes dist\u00e2ncias e pelo espa\u00e7o pensado para os carros, uma livraria de rua insiste em fazer o caminho inverso: aposta na conversa de balc\u00e3o, na indica\u00e7\u00e3o feita por quem leu e no encontro casual entre desconhecidos diante de uma mesma prateleira. 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