{"id":905,"date":"2026-08-22T06:00:00","date_gmt":"2026-08-22T09:00:00","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcas-e-negocios\/?p=905"},"modified":"2026-08-21T17:42:55","modified_gmt":"2026-08-21T20:42:55","slug":"percussao-com-cultura-inclusao-e-pertencimento","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcas-e-negocios\/2026\/08\/22\/percussao-com-cultura-inclusao-e-pertencimento\/","title":{"rendered":"Percuss\u00e3o com cultura, inclus\u00e3o e pertencimento"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre tambores e ritmos, o Batukenj\u00e9 transforma, h\u00e1 duas d\u00e9cadas, a percuss\u00e3o em instrumento de express\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira. O grupo de Bras\u00edlia trabalha com a releitura desses ritmos e atua em quatro principais vertentes, que ampliam sua presen\u00e7a para al\u00e9m dos palcos. Ao promover forma\u00e7\u00e3o, interc\u00e2mbio cultural, inclus\u00e3o social e difus\u00e3o cultural, o Batukenj\u00e9 leva a for\u00e7a da percuss\u00e3o brasiliense a diferentes p\u00fablicos e territ\u00f3rios.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O nome <em>\u2018Batukenj\u00e9\u2019<\/em> carrega um significado relacionado \u00e0s culturas e l\u00ednguas de matriz africana. \u201cO sentido atribu\u00eddo ao nome \u00e9 \u2018tocar um som para Deus\u2019, ou ainda tocar um som alegre, forte, rico e misturado para Deus. Para n\u00f3s, esse significado representa muito da ess\u00eancia do grupo: a percuss\u00e3o como express\u00e3o de alegria, celebra\u00e7\u00e3o, encontro, ancestralidade e conex\u00e3o com o sagrado\u201d, informa Ana Paula Caio Zidorio, assessora administrativa, integrante da Banda Show Batukenj\u00e9 e esposa de Celin du Batuk.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O in\u00edcio da hist\u00f3ria se deu em um per\u00edodo de transforma\u00e7\u00e3o na vida de Celin, marcado pela perda da m\u00e3e e pelo processo de luto. Foi nesse contexto que recebeu o convite de um amigo para viajar \u00e0 Finl\u00e2ndia e ministrar um workshop de capoeira. Durante a experi\u00eancia, percebeu o interesse dos participantes pela percuss\u00e3o, elemento fundamental nas rodas de capoeira, e a vontade que muitos tinham de aprender a tocar os instrumentos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De volta a Bras\u00edlia, passou a ministrar aulas de capoeira em um curso de extens\u00e3o da Universidade de Bras\u00edlia (UnB). Ao final dos encontros, costumava organizar uma roda de instrumentos, criando um espa\u00e7o para que os participantes experimentassem e aprendessem a tocar. Aos poucos, a atividade, que inicialmente complementava as aulas de capoeira, ganhou autonomia e se transformou em uma aula de percuss\u00e3o. Era o in\u00edcio do que viria a se tornar o Batukenj\u00e9.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto,&nbsp; a rela\u00e7\u00e3o com a percuss\u00e3o j\u00e1 fazia parte da trajet\u00f3ria do C\u00e9lin du Batuk desde a inf\u00e2ncia. Ainda crian\u00e7a, sem ter instrumentos, ele utilizava baldes e panelas da m\u00e3e para acompanhar os grupos de Carnaval que passavam pelas ruas. Mais tarde, ao ingressar na capoeira, passou a aprender os instrumentos utilizados nas rodas, aproximando-se ainda mais da percuss\u00e3o, que se tornou parte fundamental de sua vida.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Depois, tive contato com algumas pessoas vindas de Salvador que estavam morando em Bras\u00edlia, como Delmo da Bahia e M\u00e1rio Brother. Eles foram muito importantes na minha forma\u00e7\u00e3o e no meu contato com a percuss\u00e3o afro-baiana e afro-brasileira. A partir dessas experi\u00eancias, comecei a estudar cada vez mais por conta pr\u00f3pria. Passei a pesquisar, ouvir, observar, experimentar e buscar diferentes refer\u00eancias dentro da percuss\u00e3o afro-brasileira&#8221;, conta Celin du Batuk, diretor art\u00edstico e mestre de Percuss\u00e3o do Batukenj\u00e9.&nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Celin conta que se considera um m\u00fasico autodidata, visto que construiu sua forma\u00e7\u00e3o fora das escolas formais de m\u00fasica. \u201cMinha forma\u00e7\u00e3o aconteceu principalmente na rua, nas rodas, na capoeira, na conviv\u00eancia com outros m\u00fasicos e atrav\u00e9s da busca constante pelo conhecimento. Foi desse caminho de aprendizado cont\u00ednuo que fui construindo minha pr\u00f3pria maneira de tocar e, posteriormente, de ensinar a percuss\u00e3o\u201d, ressalta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Grupo familiar<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Al\u00e9m da m\u00fasica, o Batukenj\u00e9 tem na fam\u00edlia uma de suas principais bases. Ao lado do mestre C\u00e9lin du Batuk, esposa, filha e irm\u00e3 participam da organiza\u00e7\u00e3o, produ\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do grupo, contribuindo para sua trajet\u00f3ria ao longo de duas d\u00e9cadas. Essa atua\u00e7\u00e3o conjunta faz do Batukenj\u00e9 n\u00e3o apenas um grupo de percuss\u00e3o, mas tamb\u00e9m um projeto familiar dedicado \u00e0 m\u00fasica e \u00e0 valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Atualmente, o Batukenj\u00e9 re\u00fane diferentes grupos de participantes, considerando suas oficinas, projetos socioculturais e a Banda Show. Nas oficinas abertas \u00e0 comunidade, realizadas no Parque da Cidade, participam aproximadamente 60 pessoas.&nbsp; \u201cNa Banda Show Batukenj\u00e9, o grupo \u00e9 formado por 11 integrantes\u201d, informa Ana Paula. \u201cAl\u00e9m disso, atualmente estamos desenvolvendo um projeto no Itapo\u00e3, voltado para mulheres idosas, com a participa\u00e7\u00e3o de aproximadamente 20 mulheres. Recentemente, tamb\u00e9m conclu\u00edmos o projeto Batukenj\u00e9 Orquestrado, que circulou por tr\u00eas comunidades do Distrito Federal e envolveu 15 m\u00fasicos em suas atividades\u201d, acrescenta.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Tr\u00eas perguntas para<\/strong> <strong>Celin du Batuk, diretor art\u00edstico e mestre de Percuss\u00e3o do Batukenj\u00e9<\/strong><strong>:<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>O que significa para voc\u00ea arte inclusiva?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Para mim, arte inclusiva \u00e9 a possibilidade de todas as pessoas participarem juntas da mesma experi\u00eancia art\u00edstica, independentemente de suas caracter\u00edsticas, limita\u00e7\u00f5es ou necessidades espec\u00edficas. No Batukenj\u00e9, isso acontece de uma maneira muito concreta. Pessoas com diferentes idades, capacidades e necessidades participam da mesma aula, tocam os instrumentos juntas e produzem m\u00fasica coletivamente. N\u00e3o acreditamos que uma pessoa precise ser colocada em uma aula separada ou em uma atividade \u00e0 parte simplesmente porque precisa de alguma adapta\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Qual legado voc\u00ea gostaria de deixar?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O principal legado que eu gostaria de deixar \u00e9 que o Batukenj\u00e9 se perpetue. Que ele n\u00e3o termine com as pessoas que o criaram, mas que outras pessoas possam dar continuidade a essa hist\u00f3ria, mantendo vivos os conhecimentos, as pr\u00e1ticas, a m\u00fasica e os valores que constru\u00edmos ao longo desses 20 anos. O mais importante \u00e9 que o Batukenj\u00e9 continue existindo, se renovando e sendo vivido por novas gera\u00e7\u00f5es.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Como a m\u00fasica pode transformar a vida de uma pessoa?<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A m\u00fasica pode transformar a vida de uma pessoa porque ela cria possibilidades de express\u00e3o, pertencimento e encontro. No Batukenj\u00e9, vemos pessoas que chegam para aprender a tocar e acabam encontrando um espa\u00e7o de conviv\u00eancia, amizade, autoestima e alegria. <strong><\/strong>A m\u00fasica tamb\u00e9m pode abrir caminhos profissionais, culturais e sociais. Ela permite que cada pessoa perceba que tem algo a contribuir e que, quando sua contribui\u00e7\u00e3o se junta \u00e0 dos outros, algo maior \u00e9 constru\u00eddo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Entre tambores e ritmos, o Batukenj\u00e9 transforma, h\u00e1 duas d\u00e9cadas, a percuss\u00e3o em instrumento de express\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da cultura afro-brasileira. O grupo de Bras\u00edlia trabalha com a releitura desses ritmos e atua em quatro principais vertentes, que ampliam sua presen\u00e7a para al\u00e9m dos palcos. 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