{"id":582,"date":"2024-12-14T06:00:18","date_gmt":"2024-12-14T09:00:18","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcas-e-negocios\/?p=582"},"modified":"2024-12-13T18:07:32","modified_gmt":"2024-12-13T21:07:32","slug":"descentralizacao-da-arte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/marcas-e-negocios\/2024\/12\/14\/descentralizacao-da-arte\/","title":{"rendered":"Descentraliza\u00e7\u00e3o da arte"},"content":{"rendered":"<p><span style=\"font-weight: 400\">A democratiza\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o da arte s\u00e3o premissas essenciais para a Galeria Risofloras. Localizada na Pra\u00e7a do Cidad\u00e3o, em Ceil\u00e2ndia, a iniciativa foi criada para promover e valorizar a cena art\u00edstica fora do Plano Piloto. O espa\u00e7o expositivo surgiu, em 2018, pelo programa Jovem de Express\u00e3o, onde havia um posto da Pol\u00edcia Militar abandonado na regi\u00e3o.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cA Galeria Risofloras recebe esse nome em homenagem a um, entre tantos coletivos de artistas, que nasceu no Jovem de Express\u00e3o, a partir das iniciativas que oferecem forma\u00e7\u00e3o na economia criativa para jovens entre 18 e 29 anos\u201d, conta Gu da Cei, artista visual e curador da Galeria Risofloras. Desde a sua funda\u00e7\u00e3o, o ambiente j\u00e1 recebeu mais de 20 exposi\u00e7\u00f5es de diferentes tem\u00e1ticas e linguagens, desde fotografias at\u00e9 performances, pinturas e desenhos.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Para o Gu da Cei, a Galeria \u00e9 um lugar destinado, principalmente, \u00e0 arte contempor\u00e2nea. Ele ressalta que se trata de um espa\u00e7o de experimenta\u00e7\u00e3o, forma\u00e7\u00e3o e impulsionamento de artistas perif\u00e9ricos que geralmente n\u00e3o encontram espa\u00e7o em outros locais expositivos. \u201cA gente nasce com esse intuito de descentralizar a arte contempor\u00e2nea. Sabemos que os espa\u00e7os expositivos est\u00e3o muito centralizados no Plano Piloto e a Risofloras \u00e9 a primeira, at\u00e9 ent\u00e3o, de Ceil\u00e2ndia\u201d, explica.<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O artista visual defende que ambientes como a Risofloras mostram possibilidades de express\u00e3o e incentivam as pessoas a experimentarem novos conhecimentos. \u201cAs exposi\u00e7\u00f5es de arte s\u00e3o uma forma de compartilhar informa\u00e7\u00e3o e de apresentar a arte enquanto uma possibilidade de vida, seja de express\u00e3o ou de caminho profissional a ser seguido\u201d, pontua. Rayane Soares, que tamb\u00e9m \u00e9 curadora da Galeria, complementa, destacando a relev\u00e2ncia da Galeria especialmente por ela ter se tornado um ambiente que impulsiona novos artistas e, ainda, valoriza a arte perif\u00e9rica.\u00a0\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;Quando a gente fala de artes perif\u00e9ricas, de alguma forma, a gente est\u00e1 falando sobre arte negra, que por muito tempo foi e ainda \u00e9 marginalizada, \u00e0s vezes at\u00e9 mesmo n\u00e3o reconhecida como arte. Ent\u00e3o, a Risofloras nasce com essa ideia de mostrar que aquilo que aquele jovem faz, aquele artista faz \u00e9 arte e que ela pode sim estar dentro de uma galeria\u201d, ressalta.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A profissional indica que, al\u00e9m do \u00e2mbito cultural e profissional, o envolvimento da arte com o ser humano tamb\u00e9m est\u00e1 atrelado ao resgate da identidade e da autoestima. &#8220;De alguma forma, o jovem perif\u00e9rico est\u00e1 falando sobre ele a partir de uma obra de arte. \u00c9 sobre a identidade e o cotidiano dele&#8221;, contextualiza. Al\u00e9m disso, segundo Rayane, essa produ\u00e7\u00e3o permite que outros indiv\u00edduos se identifiquem com a hist\u00f3ria retratada pela arte constru\u00edda na periferia.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">&#8220;A gente est\u00e1 com a exposi\u00e7\u00e3o do Foto de Quebrada, que s\u00e3o fotos de diferentes lugares do Brasil, mas o que as une \u00e9 a quest\u00e3o da geografia perif\u00e9rica. Eu consigo me identificar com a jovem negra do Rio de Janeiro, por exemplo, porque de alguma forma aquele ambiente onde ela cresce ou aquela m\u00fasica que ela escuta e at\u00e9 mesmo aquela est\u00e9tica de roupa que ela usa \u00e9 a mesma que a minha\u201d exemplifica.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><b>Exposi\u00e7\u00f5es para 2025<\/b><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Na Galeria, a sele\u00e7\u00e3o das exposi\u00e7\u00f5es s\u00e3o realizadas de diferentes formas. Uma delas \u00e9 via edital de chamamento. De acordo com os curadores, a agenda da Risofloras para 2025 est\u00e1 praticamente fechada. \u201cEstamos com um edital de ocupa\u00e7\u00e3o para o ano que vem, em que a gente vai selecionar cinco exposi\u00e7\u00f5es para ocuparem a Galeria ao longo do primeiro semestre\u201d, sinaliza Gu da Cei.\u00a0<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Rayane tamb\u00e9m indica que, em breve, ser\u00e1 lan\u00e7ado mais um edital para a ocupa\u00e7\u00e3o do espa\u00e7o para o segundo semestre de 2025. &#8220;A Risofloras tem conseguido funcionar durante todo o ano. Em 2024, esteve aberta todos os meses com um grande fluxo de visita\u00e7\u00e3o&#8221;, celebra.<\/span><\/p>\n<p><b>Tr\u00eas perguntas para <\/b><b>Gu da Cei, artista visual e curador da Galeria Risofloras<\/b><b>:<\/b><\/p>\n<blockquote><p><b>Como a Galeria busca democratizar o acesso \u00e0 arte no Brasil?<\/b><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">As artes visuais podem ser uma coisa mais pr\u00f3xima da popula\u00e7\u00e3o, como apresentar que os artistas e o p\u00fablico n\u00e3o precisam se deslocar a longa dist\u00e2ncia, para o Plano Piloto, para ver ou para expor suas artes. E \u00e9 dessa forma que a gente busca democratizar o acesso \u00e0 arte no Brasil, tornando ela mais pr\u00f3xima das pessoas, apresentando novos artistas, principalmente artistas que n\u00e3o t\u00eam espa\u00e7o em outras galerias. Democratizar a arte a partir dessa descentraliza\u00e7\u00e3o e promo\u00e7\u00e3o de artistas historicamente colocados \u00e0 margem.<\/span><\/p>\n<blockquote><p><b>Quais s\u00e3o, ainda, os empecilhos de atuar na descentraliza\u00e7\u00e3o da cultura?<\/b><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Al\u00e9m dos incentivos governamentais e privados para manter e crescer, acho que o maior empecilho de atuar na descentraliza\u00e7\u00e3o cultural \u00e9 fazer com que as pessoas que est\u00e3o no centro venham consumir a arte que est\u00e1 na periferia, porque geralmente fazemos o movimento contr\u00e1rio, vamos para o centro consumir cultura. \u00c9 um desafio essa mudan\u00e7a: fazer com que as pessoas do centro venham at\u00e9 a Galeria e, ainda, promover essa educa\u00e7\u00e3o, tanto da comunidade local como da comunidade externa para consumir esses trabalhos de arte.\u00a0<\/span><\/p>\n<blockquote><p><b>Como as exposi\u00e7\u00f5es e atividades s\u00e3o pensadas para atrair e envolver p\u00fablicos que normalmente n\u00e3o frequentam galerias de arte?<\/b><\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A maneira que a gente encontra de atrair e engajar essas pessoas que geralmente n\u00e3o frequentam as galerias de artes \u00e9 apresentar tem\u00e1ticas que condizem com as suas realidades e viv\u00eancias, mostrando que aquilo que est\u00e1 no espa\u00e7o conversa com a hist\u00f3ria dessas pessoas. \u00c9 fazer com que a pessoa se reconhe\u00e7a dentro da Galeria.<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>A democratiza\u00e7\u00e3o e populariza\u00e7\u00e3o da arte s\u00e3o premissas essenciais para a Galeria Risofloras. 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