{"id":296,"date":"2018-03-21T16:14:33","date_gmt":"2018-03-21T19:14:33","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/?p=296"},"modified":"2018-03-21T16:14:33","modified_gmt":"2018-03-21T19:14:33","slug":"amor-perfeito-formula","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/amor-perfeito-formula\/","title":{"rendered":"Uma f\u00f3rmula para o amor"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"font-weight: 400\">Existe uma equa\u00e7\u00e3o para o amor. Ou, mais precisamente, uma teoria dos conjuntos para o sentimento mais buscado e menos compreendido entre os seres humanos. E a filosofia pode ajudar a desvend\u00e1-lo. \u00c9 o que Francis Wolff tenta em <em>N\u00e3o existe amor perfeito<\/em>. <\/span><\/h3>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O fil\u00f3sofo franc\u00eas, professor da \u00c9cole Normale Sup\u00e9rieure de Paris e da Universidade de S\u00e3o Paulo, prop\u00f5e pensar no amor como um tri\u00e2ngulo cujas pontas representem a amizade, o desejo e a paix\u00e3o. Qualquer sentimento compreendido dentro dos limites da figura pode ser encarado como amor, mas \u00e9 a\u00ed que mora a complexidade da coisa. Dentro das fronteiras do tri\u00e2ngulo, h\u00e1 uma infinidade de formas de amar, uma quantidade gigantesca de pontinhos que representam os diferentes tipos de amor. E lidar com eles \u00e9 quase t\u00e3o complicado quanto lidar com as pontas do tri\u00e2ngulo. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"aligncenter size-large wp-image-298\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Attachment-1-1024x555.jpeg\" alt=\"Attachment-1\" width=\"1024\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Attachment-1-1024x555.jpeg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Attachment-1-300x163.jpeg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Attachment-1-768x416.jpeg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Attachment-1-550x298.jpeg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Attachment-1-230x125.jpeg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Attachment-1.jpeg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">N\u00e3o existe amor perfeito \u00e9 pura filosofia, mas n\u00e3o daquelas herm\u00e9ticas. Em 122 p\u00e1ginas, Wolf vai da geometria \u00e0 literatura, passando obviamente pela filosofia, para tentar uma explica\u00e7\u00e3o clara e objetiva para o mais cobi\u00e7ado dos sentimentos. Para ele, amar \u00e9 uma combina\u00e7\u00e3o de amizade, desejo e paix\u00e3o. \u00c0s vezes, pendemos mais para um lado, outras vezes nos aproximamos de outro. A combina\u00e7\u00e3o equilibrada dos tr\u00eas \u00e9 rar\u00edssima e n\u00e3o existe uma maneira est\u00e1tica de amar. Pode-se amar \u00a0de maneiras diferentes um mesmo objeto ao longo do tempo. Essa instabilidade dificulta a tentativa de descri\u00e7\u00e3o e \u00e9 a\u00ed que entra o poder da filosofia.<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cN\u00e3o amamos fulano como amamos sicrano e n\u00e3o amamos fulano hoje como o amaremos amanh\u00e3. Isso acontece porque os tr\u00eas componentes que penso constitu\u00edrem o amor s\u00e3o derivados de tr\u00eas p\u00f3los opostos ao amor &#8211; amizade, desejo e paix\u00e3o. E eles n\u00e3o t\u00eam o mesmo papel na vida humana. A amizade \u00e9 a base mais elevada de nossas rela\u00e7\u00f5es sociais com os outros, mas a paix\u00e3o \u00e9 uma situa\u00e7\u00e3o excessiva que nos afeta e o desejo deriva do desejo animal, da reprodu\u00e7\u00e3o sexual. N\u00e3o h\u00e1 receita do amor. H\u00e1 simplesmente combina\u00e7\u00f5es vari\u00e1veis desses tr\u00eas componentes\u201d <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p><\/blockquote>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A filosofia \u00e9 um exerc\u00edcio racional, conceitual e argumentativo sobre coisas que n\u00e3o s\u00e3o necessariamente conceituais e que est\u00e3o mais para experi\u00eancias vividas nem sempre de maneira clara e objetiva. Al\u00e9m disso, vivemos nossas experi\u00eancias, obviamente, em primeira pessoa, de maneira nada conceitual. O \u00eaxito de Wolff \u00e9 justamente conseguir realizar um exerc\u00edcio filos\u00f3fico e colocar um pouco de racionalidade na nossa experi\u00eancia emp\u00edrica do mundo. Em<em> N\u00e3o existe amor perfeito<\/em>, ele nos conduz a pensar que, de fato, a perfei\u00e7\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel, mas a felicidade \u00e9 totalmente acess\u00edvel. \u00c9 um contraponto para o famoso poema de Louis Aragon, cujo verso \u201cil n\u2019y a pas d\u2019amour heureux\u201d (\u201cn\u00e3o existe amor feliz\u201d) embalou o final da d\u00e9cada de 1960 na voz de Fran\u00e7oise Hardy. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Wolf tem tido \u00a0surpresas com esse livrinho, publicado no Brasil pelas Edi\u00e7\u00f5es Sesc. O professor est\u00e1 surpreso com a rea\u00e7\u00e3o dos jovens. \u201cH\u00e1 amores felizes, amores compartilhados, trag\u00e9dias, com\u00e9dias\u2026 Tentei n\u00e3o ser normativo. E tive muito retorno de jovens, que se disseram confortados porque n\u00e3o se reconheciam nas imagens de amor em geral. Tentei mostrar as variedades que constituem o amor e suas intersec\u00e7\u00f5es\u201d, conta Wolf, em entrevista ao <em>Leio de Tudo<\/em>. <\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">O texto do livro come\u00e7ou a ser moldado nos semin\u00e1rios ministrados na \u00c9cole Normale Sup\u00e9rieure e nasceu de um desafio: ele queria escrever um livro curto sobre um tema debatido por todos os pensadores e em toda a hist\u00f3ria da literatura e do cinema. E mais: queria conseguir definir um sentimento considerado pela filosofia como indefin\u00edvel. \u201cO amor varia de acordo com as pessoas, as circunst\u00e2ncias hist\u00f3ricas e sociais, por isso parece indefin\u00edvel por excel\u00eancia. H\u00e1 sempre contraexemplos e, se n\u00e3o encontramos contraexemplos, significa que a defini\u00e7\u00e3o \u00e9 muito vaga. \u00c9 um exerc\u00edcio de definir o amor de modo n\u00e3o normativo, mas capaz de inseri-lo em uma f\u00f3rmula\u201d, garante. A f\u00f3rmula do amor, portanto, existe e a filosofia pode dar conta dela tanto quanto a qu\u00edmica ou a f\u00edsica. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<blockquote><p><span style=\"font-weight: 400\">\u201cArrisco uma f\u00f3rmula na qual o amor \u00e9 uma fus\u00e3o imperfeita de tr\u00eas componentes inst\u00e1veis, tr\u00eas ingredientes heterog\u00eaneos, que s\u00e3o as tend\u00eancias amicais, desej\u00e1veis e passionais. O tri\u00e2ngulo tem um exterior e um interior. Tudo o que est\u00e1 no interior \u00e9 o amor em m\u00faltiplas variedades temporais, pessoais, contextuais. A inten\u00e7\u00e3o amorosa que podemos ter em rela\u00e7\u00e3o a algu\u00e9m pode ir de um p\u00f3lo ao outro, passeia e pode sair do tri\u00e2ngulo. O que n\u00e3o \u00e9 amor est\u00e1 no exterior e o que \u00e9, est\u00e1 no interior. E eu me divirto em falar tamb\u00e9m do que est\u00e1 nas beiradas, que chamo de amores defeituosos\u201d<\/span><\/p><\/blockquote>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-299\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2018\/03\/Capa-3D-amor-perfeito-150x150.jpg\" alt=\"\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p><strong>N\u00e3o existe amor perfeito<\/strong><\/p>\n<p>De Francis Wolff. Tradu\u00e7\u00e3o: Paulo Neves. Edi\u00e7\u00f5es Sesc, 128 p\u00e1ginas. R$ 18<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Existe uma equa\u00e7\u00e3o para o amor. Ou, mais precisamente, uma teoria dos conjuntos para o sentimento mais buscado e menos compreendido entre os seres humanos. 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