{"id":154,"date":"2017-11-10T16:45:43","date_gmt":"2017-11-10T18:45:43","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/?p=154"},"modified":"2017-11-10T17:17:53","modified_gmt":"2017-11-10T19:17:53","slug":"paris-eric-hazan","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/paris-eric-hazan\/","title":{"rendered":"Paris: uma inven\u00e7\u00e3o genial"},"content":{"rendered":"<h3><span style=\"font-weight: 400\">Eric Hazan nem sabe direito como teve a ideia de escrever<em> A inven\u00e7\u00e3o de Paris<\/em>, mas lembra de achar curioso que os amigos se interessassem pelas hist\u00f3rias contadas durante passeios pela cidade. O fato \u00e9 que Hazan \u00e9 um historiador compulsivo e Paris, um assunto irresist\u00edvel. A combina\u00e7\u00e3o foi perfeita para esse livro que chega ao Brasil em edi\u00e7\u00e3o caprichada da Esta\u00e7\u00e3o Liberdade.<\/span><\/h3>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<figure id=\"attachment_158\" aria-describedby=\"caption-attachment-158\" style=\"width: 1024px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-large wp-image-158\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/10-1024x555.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Louis Daguerre\" width=\"1024\" height=\"555\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/10-1024x555.jpg 1024w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/10-300x163.jpg 300w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/10-768x416.jpg 768w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/10-550x298.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/10-230x125.jpg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/10.jpg 1200w\" sizes=\"auto, (max-width: 1024px) 100vw, 1024px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-158\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Louis Daguerre. Bouleva<\/figcaption><\/figure>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Com capa dura e uma cole\u00e7\u00e3o de fotos muito bem selecionadas pelo editor Angel Bojadsen e assinadas por nomes como Robert Doisneau, Henri Cartier-Bresson, Brassa\u00ef, Eug\u00e8ne Atget e Marville&amp;Co, <em>A inven\u00e7\u00e3o de Paris<\/em> \u00e9 um passeio hist\u00f3rico que tangencia a geografia, a literatura, a arquitetura e os costumes de uma das cidades mais visitadas do mundo. <\/span><\/p>\n<figure id=\"attachment_159\" aria-describedby=\"caption-attachment-159\" style=\"width: 163px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-medium wp-image-159\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/12-163x300.jpg\" alt=\"Cr\u00e9dito: Brassa\u00ef\" width=\"163\" height=\"300\" srcset=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/12-163x300.jpg 163w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/12-555x1024.jpg 555w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/12-550x1015.jpg 550w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/12-230x425.jpg 230w, https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/12.jpg 650w\" sizes=\"auto, (max-width: 163px) 100vw, 163px\" \/><figcaption id=\"caption-attachment-159\" class=\"wp-caption-text\">Cr\u00e9dito: Brassa\u00ef<\/figcaption><\/figure>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">Hazan abre o livro explicando como a cidade se\u00a0desenvolveu. H\u00e1 metr\u00f3poles cujo tra\u00e7ado \u00e9 muito claro e geom\u00e9trico &#8211; caso de Nova York &#8211; e outras fruto de aglomera\u00e7\u00f5es nascidas tais quais col\u00f4nias de bact\u00e9rias. Paris cresceu em camadas. Como uma cebola. Talvez por isso &#8211; e esse \u00e9 um detalhe ressaltado pelo autor &#8211; as fronteiras entre os bairros tenham marca\u00e7\u00f5es muito claras. Fica imposs\u00edvel, por exemplo, n\u00e3o notar a passagem de um bairro muito organizado e burgu\u00eas para outro mais popular, habitado por pessoas de variadas origens. \u00c9 a psicogeografia do limite express\u00e3o usada por Hazan para definir como a cidade se divide em arrondissements, esp\u00e9cies de regi\u00f5es administrativas que, aparentemente, s\u00f3 fazem sentido para o fisco e para os burocratas.\u00a0<\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\"> Dividido em duas partes, o livro tem in\u00edcio com cap\u00edtulos que investigam a antiga Paris, aquela dos bairros, e a nova, dos faubourgs e das aldeias. A segunda parte \u00e9 dedicada \u00e0 cidade combatente. Ali, Hazan explora hist\u00f3rias da resist\u00eancia na Segunda Guerra, da Comuna, tentativa de um governo popular ap\u00f3s a queda de Napole\u00e3o III, e da pr\u00f3pria Revolu\u00e7\u00e3o de 1789. Sim, porque h\u00e1 uma geografia que delimita a Paris da Resist\u00eancia, a da Comuna, a de Maio de 1968 e da Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Essa cidade, o autor chama de Paris Vermelha e avisa, ao fim do livro, que seu poder de ruptura n\u00e3o deve ser subestimado. <\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A hist\u00f3ria \u00e9 a mat\u00e9ria prima de Eric Hazan e, \u00e0s vezes, ela pode ser pesada e densa. Para equilibrar &#8211; porque <em>A inven\u00e7\u00e3o de Paris<\/em> est\u00e1 longe de ser um livro de curiosidades -, ele insere detalhes curiosos que ajudam a dar um contorno mais saboroso \u00e0 hist\u00f3ria pura e simples. Assim, descobre-se que a cidade\u00a0emergiu de um plano em cruz herdado dos romanos e que peda\u00e7os da Bastilha foram vendidos como os do muro de Berlim, logo ap\u00f3s a Revolu\u00e7\u00e3o Francesa. Boulevard \u00e9 um nome militar e Louis XIV instalou, no s\u00e9culo 18, tr\u00eas mil lampi\u00f5es \u00e0 vela, substitu\u00eddos por g\u00e1s um s\u00e9culo mais tarde. A eletricidade s\u00f3 chegou mesmo em 1914. Em frente ao Palais de Justice, na \u00cele de la Cit\u00e9, a poucos metros da Notre Dame, havia um amontoado de tabernas mal-afamadas que o Bar\u00e3o Haussman, prefeito respons\u00e1vel por abrir as grandes avenidas parisienses, tratou de raspar do mapa assim que p\u00f4de. A Place Vend\u00f4me, hoje sede do luxuos\u00edssimo Ritz e das joalherias mais caras da cidade, j\u00e1 foi palco de revolu\u00e7\u00f5es com civis armados que posavam para a coluna de combatentes da Comuna, em 1871. E, naquela \u00e9poca, era tamb\u00e9m not\u00e1vel uma caracter\u00edstica que ainda hoje seduz o mundo. \u00c9 o escritor Louis-S\u00e9bastien Mercier quem melhor a define, como lembra Hazan, em frequentes e deliciosas cita\u00e7\u00f5es liter\u00e1rias: \u00a0\u201cN\u00e3o existe no mundo taberna mais graciosamente depravada\u201d.<\/span><\/p>\n<p><img loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-thumbnail wp-image-160\" src=\"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-content\/uploads\/sites\/37\/2017\/11\/Inven\u00e7\u00e3o-de-Paris-150x150.jpg\" alt=\"Inven\u00e7\u00e3o-de-Paris\" width=\"150\" height=\"150\" \/><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">A inven\u00e7\u00e3o de Paris &#8211; A cada passo uma descoberta<\/span><\/p>\n<p><span style=\"font-weight: 400\">De Eric Hazan. Tradu\u00e7\u00e3o: Mauro Pinheiro. Esta\u00e7\u00e3o Liberdade, 448 p\u00e1ginas. R$ 145<\/span><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Eric Hazan nem sabe direito como teve a ideia de escrever A inven\u00e7\u00e3o de Paris, mas lembra de achar curioso que os amigos se interessassem pelas hist\u00f3rias contadas durante passeios pela cidade. O fato \u00e9 que Hazan \u00e9 um historiador compulsivo e Paris, um assunto irresist\u00edvel. A combina\u00e7\u00e3o foi perfeita para esse livro que chega agora ao Brasil em uma edi\u00e7\u00e3o caprichada da Esta\u00e7\u00e3o Liberdade.<\/p>\n","protected":false},"author":82,"featured_media":158,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"footnotes":""},"categories":[96,3,4,97,22,1],"tags":[98,101,100,99],"class_list":["post-154","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-historia","category-literatura","category-livro","category-paris","category-reportagem","category-sem-categoria","tag-erichazan","tag-historia","tag-invencao","tag-paris"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/users\/82"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=154"}],"version-history":[{"count":6,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":164,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/154\/revisions\/164"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/media\/158"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=154"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=154"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/leiodetudo\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=154"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}