{"id":309,"date":"2023-08-14T10:23:53","date_gmt":"2023-08-14T13:23:53","guid":{"rendered":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/?p=309"},"modified":"2023-08-14T10:24:27","modified_gmt":"2023-08-14T13:24:27","slug":"intime-se-os-reus-ou-intimem-se-os-reus","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/blogs.correiobraziliense.com.br\/jusbraziliense\/2023\/08\/14\/intime-se-os-reus-ou-intimem-se-os-reus\/","title":{"rendered":"Intime-se os r\u00e9us ou intimem-se os r\u00e9us?"},"content":{"rendered":"<h2>Por <a href=\"https:\/\/instagram.com\/professor_wandersonmelo?igshid=MzRlODBiNWFlZA==\">Wanderson Melo<\/a><\/h2>\n<p>Essa e outras frases em que h\u00e1 o <em>se<\/em> s\u00e3o muito comuns no texto jur\u00eddico. Para n\u00e3o errar a flex\u00e3o do verbo, \u00e9 preciso entender a fun\u00e7\u00e3o do <em>se<\/em>. Aqui, vou tratar de dois <em>se<\/em>: \u00edndice de indetermina\u00e7\u00e3o do sujeito (em que a flex\u00e3o \u00e9 inadequada) e part\u00edcula apassivadora (em que pode haver flex\u00e3o do verbo).<\/p>\n<p>Para isso, \u00e9 preciso seguir dois passos. O primeiro \u00e9 verificar a transitividade do verbo (qual a reg\u00eancia dele). Sim, n\u00e3o h\u00e1 outra forma, voc\u00ea vai precisar retomar alguns conte\u00fados de gram\u00e1tica que talvez tenham sido vistos pela \u00faltima vez no ensino m\u00e9dio. O segundo passo \u00e9 buscar o agente da a\u00e7\u00e3o, aquele que pratica a\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Para que haja \u00edndice de indetermina\u00e7\u00e3o do sujeito, \u00e9 preciso que exista, entre outros, verbo transitivo indireto (VTI). Esse verbo pede complemento e tamb\u00e9m pede preposi\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, se n\u00e3o for poss\u00edvel identificar quem pratica a a\u00e7\u00e3o, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: o <em>se <\/em>\u00e9 \u00edndice de indetermina\u00e7\u00e3o do sujeito.<\/p>\n<p>Veja este exemplo: <em>Cuida-se de embargos de declara\u00e7\u00e3o<\/em>. Nesse caso, o verbo <em>cuidar <\/em>\u00e9 transitivo indireto (<em>quem cuida, cuida de algo<\/em>); al\u00e9m disso, n\u00e3o se identifica quem pratica a a\u00e7\u00e3o. A consequ\u00eancia \u00e9 a proibi\u00e7\u00e3o de flex\u00e3o do verbo <em>cuidar<\/em>. Ora, se n\u00e3o se identifica o sujeito, n\u00e3o se faz flex\u00e3o. Ainda, o termo <em>de embargos de declara\u00e7\u00e3o <\/em>\u00e9 complemento do verbo, n\u00e3o sujeito.<\/p>\n<p>Mais um exemplo: <em>Precisa-se de novos advogados<\/em>. O verbo <em>precisar <\/em>\u00e9 transitivo indireto e n\u00e3o se sabe quem precisa de novos advogados. Assim, n\u00e3o se pode dizer <em>precisam-se<\/em>.<\/p>\n<p>Situa\u00e7\u00e3o distinta ocorre quando h\u00e1 part\u00edcula apassivadora. Para que ela seja utilizada, \u00e9 preciso que exista verbo transitivo direto (VTD) ou verbo bitransitivo (VTDI). Um VTD \u00e9 aquele que exige, sem preposi\u00e7\u00e3o, complemento verbal. Por sua vez, um VTDI \u00e9 aquele que exige dois complementos: um regido sem preposi\u00e7\u00e3o e outro com preposi\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Al\u00e9m disso, ser\u00e1 fundamental que voc\u00ea busque identificar o agente da a\u00e7\u00e3o. Caso n\u00e3o haja esse agente na frase, n\u00e3o h\u00e1 d\u00favidas: o <em>se <\/em>\u00e9 part\u00edcula apassivadora. Veja este exemplo: <em>N\u00e3o se analisam os recursos<\/em>. O verbo <em>analisam<\/em> \u00e9 VTD e est\u00e1 acompanhado de um <em>se<\/em>. Perceba tamb\u00e9m que n\u00e3o se sabe quem analisa os recursos (n\u00e3o se sabe quem pratica a a\u00e7\u00e3o). Em outras palavras, <em>os recursos n\u00e3o s\u00e3o analisados<\/em>, isto \u00e9, a inten\u00e7\u00e3o \u00e9 deixar o sujeito como paciente (ele sofre a a\u00e7\u00e3o). Nesse caso, o <em>se<\/em> \u00e9 uma <strong>part\u00edcula apassivadora<\/strong>. H\u00e1, assim, voz passiva sint\u00e9tica. Mais um exemplo: <em>intimem-se os r\u00e9us<\/em>. O verbo <em>intimar <\/em>\u00e9 transitivo direto e n\u00e3o se identifica quem intima. Assim, o termo <em>os r\u00e9us <\/em>\u00e9 o sujeito.<\/p>\n<p>O que importa para voc\u00ea saber que h\u00e1 part\u00edcula apassivadora? Como foi dito no in\u00edcio do texto, isso indica se h\u00e1 sujeito e, portanto, se h\u00e1 flex\u00e3o verbal. Nos exemplos apresentados, os sujeitos estavam no plural \u2013 <em>recursos <\/em>e <em>r\u00e9us \u2013<\/em>, o que gerou a flex\u00e3o dos verbos: <em>analisam <\/em>e <em>intimem<\/em>.<\/p>\n<p>Dominar alguns aspectos gramaticais \u00e9, sim, importante. Saber fazer concord\u00e2ncia adequada \u00e9 fundamental para apresentar um texto que revele o profissional de excel\u00eancia que o redige.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Wanderson Melo Essa e outras frases em que h\u00e1 o se s\u00e3o muito comuns no texto jur\u00eddico. Para n\u00e3o errar a flex\u00e3o do verbo, \u00e9 preciso entender a fun\u00e7\u00e3o do se. Aqui, vou tratar de dois se: \u00edndice de indetermina\u00e7\u00e3o do sujeito (em que a flex\u00e3o \u00e9 inadequada) e part\u00edcula apassivadora (em que pode haver flex\u00e3o do verbo). 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